
O Ministério Público Federal (MPF) determinou que a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) seja investigada por possíveis crimes de racismo e transfobia durante discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em 18 de março, a deputada subiu ao plenário da casa e pintou o rosto e os braços para criticar a deputada federal Erika Hilton (Psol). A prática é chamada de “blackface”, quando alguém pinta o corpo ou o rosto para representar pessoas negras.
O procurador Michel Francois Frizul Havrenne determinou a instauração do inquérito e encaminhou o caso para apuração da Polícia Federal (PF).
Fabiana Bolsonaro, que não tem parentesco com o ex-presidente Jair Bolsonaro, já era alvo de um inquérito civil do Ministério Público de São Paulo (MPSP). A instituição apontou que as declarações podem configurar transfobia e misoginia ao questionar a legitimidade de uma mulher trans ocupar espaços de representação política e ao reduzir a condição feminina a aspectos biológicos.
Na ocasião, a parlamentar bolsonarista iniciou seu discurso dizendo que faria um “experimento social” e começou a passar a tinta enquanto afirmava que, como mulher branca, “mesmo me pintando de negra eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo”.
O incidente também é investigado pelo Conselho de Ética da Alesp. O blackface é considerado como uma conduta racista, historicamente associada à ridicularização e à discriminação das pessoas negras.