A consulesa honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati, é investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por suspeita de manter uma trabalhadora filipina em condições análogas à escravidão por mais de 10 anos. O caso foi revelado após o resgate da vítima em uma casa no bairro do Morumbi, área nobre da zona sul de São Paulo.
A mulher, de 50 anos, procurou ajuda em fevereiro junto à comunidade filipina no Brasil. Em depoimento à Polícia Federal, afirmou que trabalhou por cerca de 12 anos para a consulesa, período em que viveu entre o Brasil e o Líbano sem conseguir retornar ao seu país ou rever os filhos.
Segundo o relato, ela enfrentava jornadas diárias das 6h30 às 19h30, sem folgas ou férias. Também afirmou que não tinha acesso ao próprio passaporte desde 2014, não possuía conta bancária e vivia sob restrições de liberdade, com portões trancados e monitoramento por câmeras. A trabalhadora disse ainda que se sentia “prisioneira” e relatou ameaças de morte.
De acordo com o depoimento, o pagamento era de cerca de US$ 550 por mês, valor enviado diretamente à família nas Filipinas, sem acesso direto ao dinheiro.
A denúncia chegou às autoridades após o Consulado das Filipinas em São Paulo ser acionado. Um ofício foi encaminhado à Polícia Federal solicitando intervenção urgente. Com apoio da Polícia Militar, um assistente consular foi até o local, onde a vítima conseguiu deixar a residência com seus pertences.
A consulesa nega as acusações. A defesa afirma que os pagamentos eram maiores e que a trabalhadora tinha liberdade, versão contestada pela vítima.
O caso segue sob investigação do MPT e da Polícia Federal.