Pesquisadores das universidades de Universidade de Genebra e Universidade de Marburg identificaram uma molécula capaz de desacelerar o crescimento de células cancerígenas ao interferir no metabolismo dos tumores. A descoberta foi publicada na revista científica Nature Metabolism.

O estudo analisou a D-cisteína, uma forma rara do aminoácido cisteína, que consegue penetrar com mais facilidade em células tumorais. Dentro dessas células, a substância bloqueia a enzima NFS1, essencial para o funcionamento das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia.
Sem energia suficiente, as células cancerígenas perdem a capacidade de se multiplicar, entrando em um estado descrito como “fome metabólica”.
Em testes com camundongos, os cientistas observaram redução significativa no avanço de tumores agressivos, sem efeitos tóxicos relevantes em tecidos saudáveis.
O resultado aponta para uma possível abordagem mais seletiva no tratamento do câncer, diferente de terapias tradicionais que também afetam células saudáveis.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a descoberta ainda está em fase inicial e longe de se tornar um tratamento disponível. Antes de chegar ao uso clínico, a técnica precisa passar por testes em humanos para comprovar segurança e eficácia.
No Brasil, onde o câncer está entre as principais causas de morte, avanços como esse costumam levar anos até serem incorporados ao sistema de saúde, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS). O processo envolve aprovação regulatória, estudos clínicos e avaliação de custo-benefício.
Pesquisadores brasileiros destacam que, embora promissora, a estratégia ainda precisa superar desafios comuns na pesquisa oncológica, já que muitos resultados positivos em laboratório não se confirmam em humanos.