A possibilidade de uma greve nacional dos caminhoneiros ainda não foi descartada. Mesmo após o anúncio de um pacote de medidas emergenciais pelo governo federal na quarta-feira (17), a categoria segue em “estado de alerta” e realiza uma assembleia nacional nesta quinta-feira (19), às 16h (horário de Brasília), em Santos (SP), para bater o martelo sobre uma possível paralisação.
O principal motivo da mobilização é a disparada no preço do diesel, pressionada pelos conflitos no Oriente Médio e seus impactos no preço do petróleo. A classe também reclama do descumprimento da tabela mínima de frete, uma das principais garantias econômicas dos caminhoneiros.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o caminhoneiro Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou que a categoria decidiu manter o estado de mobilização. Segundo ele, durante reunião realizada no Porto de Santos na última segunda-feira (16), com a presença de lideranças e trabalhadores do setor, houve consenso de que “as condições atuais, com os constantes aumentos no preço do combustível, não permitem manter o transporte rodando”.
Chorão informou que os motoristas aguardam a formalização das medidas anunciadas pelo governo antes de tomar a decisão final. “Estamos em estado de alerta”, declarou, acrescentando que novas reuniões estão previstas com entidades de todo o país para alinhar uma possível paralisação.
O governo federal anunciou um pacote de medidas emergenciais para conter a alta do diesel e reforçar a fiscalização de combustíveis em todo o país. Entre as ações, está a articulação de uma força-tarefa com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procons estaduais e o Ministério da Justiça para fiscalizar possíveis aumentos abusivos nos preços do diesel.
Além da fiscalização, o pacote inclui a tentativa de amortecer o impacto da alta internacional do petróleo por meio de subsídios e desonerações. O governo já havia anunciado a redução de tributos federais sobre o diesel, com promessa de queda no preço final ao consumidor. No entanto, parte desse efeito não chegou às bombas, o que intensificou a pressão dos caminhoneiros.
Com uma greve dos caminhoneiros sendo confirmada, o país pode enfrentar efeitos semelhantes aos de 2018, como desabastecimento de combustíveis, falta de produtos essenciais nos comércios, bloqueios em rodovias e aumento de preços. A categoria segue mobilizada e aguarda os desdobramentos das negociações com o governo para decidir os próximos passos.
Vídeo de Wallace Landim, presidente da Abrava (Imagens: Reprodução / Instagram)

