O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (22/03), que o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem “sido omisso na busca por soluções de conflitos”. A declaração foi dada durante discurso na sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro de Espécies Migratórias da ONU (COP15), realizada em Campo Grande (MS).
O chefe do Planalto destacou que o evento ocorre em um momento de “grandes tensões geopolíticas” e criticou o que chamou de ações unilaterais que desafiam a ordem internacional.
“Esta COP15 ocorre em um momento de grandes tensões geopolíticas. Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra”, declarou Lula.
Em seu discurso, o presidente fez uma análise histórica do papel da ONU, lembrando conquistas como a proibição de armas químicas e biológicas, a recomposição da camada de ozônio e a erradicação da varíola. No entanto, afirmou que o Conselho de Segurança tem falhado em sua principal missão.
“Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes. Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, declarou.
A fala de Lula se alinha a críticas recentes do presidente aos cinco países membros permanentes do conselho, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, que possuem poder de veto. Na última quarta-feira (18), durante cerimônia em Brasília, Lula já havia afirmado que esses países “decidiram que são donos do mundo”.
“São os cinco países que produzem mais armas, que têm armas nucleares, têm bomba atômica, que têm maior poder bélico, que deveriam estar zelando pela paz, porque são membros do Conselho de Segurança”, disse na ocasião.
Na COP15, Lula também defendeu que o mundo precisa de “políticas de acolhimento” e de “um multilateralismo forte e renovado”.
“Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima. […] No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado. Que esta COP15 seja um espaço de avanços coletivos em defesa da natureza e da humanidade”, afirmou.
