Molécula encontrada em píton pode ajudar no combate à obesidade, aponta pesquisa

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Uma molécula presente na digestão da píton, serpente conhecida por passar longos períodos sem se alimentar, pode ser a chave para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a obesidade. É o que aponta um estudo publicado na revista científica britânica Nature, que revelou os efeitos da substância chamada pTOS (para-tiramina-O-sulfato) na redução do apetite e da perda de peso em mamíferos.

A pesquisa comparou os padrões de jejum e alimentação de camundongos e de pitons. Enquanto os roedores fazem pequenas refeições com frequência, a serpente possui uma adaptação extrema: pode ficar de 12 a 18 meses sem se alimentar. Quando se alimenta, seu organismo passa por transformações metabólicas intensas.

Os cientistas observaram que, após a refeição, a substância pTOS aumenta 1.000 vezes no organismo da píton. Além disso, foi registrado um aumento de mais de 40 vezes no gasto energético do animal. Nos mamíferos, a molécula também está presente, mas em menor escala, e revelou uma resposta inibidora de apetite.

O estudo também analisou 24 homens jovens saudáveis que seguiram uma dieta habitual ou rica em gordura por um curto período. A substância aumentou em até cinco vezes após as refeições. Em outra análise, dez homens saudáveis ficaram 6,5 horas em jejum e, posteriormente, realizaram três refeições com líquidos e sólidos. Foi possível constatar o dobro de pTOS presente na corrente sanguínea.

A pTOS atua no cérebro ativando o hipotálamo ventromedial (VMH), região responsável por desencadear a sensação de saciedade.

Na constatação da ação inibitória, os pesquisadores aplicaram uma dose oral diária de pTOS em camundongos e perceberam uma redução de 9% no peso corporal, sem comprometer a ingestão de água, a atividade física ou o gasto energético dos animais. Além disso, a resposta não afetou a absorção de nutrientes após a ingestão de alimentos contendo glicose, lipídios e proteínas.

Não houve mudança nos níveis de insulina dos animais entre uma e três horas após a aplicação da molécula. A insulina é o hormônio que regula os níveis de glicose no sangue, e sua alteração está associada ao diabetes.

De acordo com o estudo, o tratamento duradouro com a molécula causou perda de peso corporal nos camundongos sem efeitos colaterais. A pesquisa também mostrou que a molécula está presente em mamíferos após a digestão e auxilia na regulação de hormônios relacionados ao controle da alimentação.

Os pesquisadores concluíram que a aplicação em doses controladas de pTOS pode aumentar o nível da molécula no corpo humano e auxiliar no tratamento da obesidade e na perda de peso, sem efeitos danosos para uma vida saudável.

(Foto: Reprodução / Freepik)