
Um contador está preso há mais de uma semana no Rio de Janeiro sob suspeita de participação no vazamento de dados fiscais de parentes do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e de outras autoridades. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo.
A ordem de prisão de Washington Travassos de Azevedo foi dada pelo próprio Moraes no âmbito do inquérito que investiga os acessos irregulares a dados fiscais de magistrados e seus parentes. Segundo a Folha, o contador afirmou à Polícia Federal ter sido um intermediário entre uma pessoa interessada nos dados sigilosos da Receita Federal e outra que dizia saber como obtê-los. Os nomes foram apresentados aos investigadores, mas permanecem sob sigilo.
O gabinete de Moraes se pronunciou sobre a prisão e a reportagem da Folha, afirmando em nota que Azevedo não acessou apenas dados de seus familiares, mas de outras autoridades e pessoas públicas, e que o contador “foi apontado, dentro da organização criminosa, como um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos”.
Ainda segundo o comunicado, o grupo do qual Azevedo faria parte “teria acessados dados constantes das DIRPF [declarações de impostos de renda] de 1.819 contribuintes, entre os quais pessoas vinculadas a ministros do STF, do TCU, deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”.
O advogado Eric Cwajgenbaum, responsável pela defesa do contador, afirma que tenta há uma semana ter acesso à decisão que determinou a prisão de seu cliente. O gabinete de Moraes não comentou suposta restrição à defesa.
Esta é a primeira prisão de que se tem notícia na investigação sobre vazamento de dados de integrantes do STF e seus parentes. Até fevereiro, seis pessoas haviam sido alvos de busca e apreensão, com instalação de tornozeleiras eletrônicas.