
Uma nova modalidade de golpe envolvendo Pix está à solta: criminosos estão explorando o recurso de agendamento do modelo de pagamento instantâneo para roubar dinheiro das vítimas, sem chance de estorno pelo banco.
De acordo com o especialista em segurança digital e fraudes bancárias, Lucas Sampaio, o golpe do Pix agendado consiste no uso de engenharia social para se aproveitar de falhas de percepção no sistema de agendamento.
O golpe funciona do seguinte modo: o golpista entra em contato com o vendedor on-line ou prestador de serviço, e os dois negociam uma venda ou fornecimento de serviço. Em seguida, o autor do golpe envia para a vítima um comprovante de Pix, supostamente com o pagamento pelo que foi combinado.
O problema é que o comprovante foi gerado por uma ferramenta de inteligência artificial (IA), então o saldo nunca entra devidamente na conta da vítima. A pessoa então envia o produto ou realiza o serviço, sem ser pago de fato por isso. O golpista rompe o contato e a pessoa não recebe o dinheiro.
Mesmo que a vítima acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Banco Central, é muito difícil conseguir o valor porque, na verdade, não existiu uma transferência real.
Com a ajuda de bots comercializados no Telegram e no WhatsApp, que geram PDFs iguais aos que bancos renomados enviam em uma questão de segundos, os golpistas são capazes de criar comprovantes praticamente idênticos aos enviados pelas instituições.
Para se prevenir, especialistas recomendam nunca confiar em comprovantes enviados por desconhecidos, sempre verificando o seu saldo diretamente no aplicativo. Ative as notificações para monitorar sua conta bancária e desconfie de comprovantes enviados de prints de tela, com fontes e layouts inconsistentes, e quando o suposto vendedor pede pressa, enviando mensagens como “Já fiz o Pix, pode enviar”, ou “Pix agendado cai em uma hora”.