A reentrada do ex-governador Wilson Lima (União Brasil) na briga por uma vaga no Senado, após a renúncia, sábado à noite (4/4), altera a balança dos votos no lado mais conservador do eleitorado amazonense.
Autoproclamado “bolsonarista” Wilson tem potencial para conquistar votos em três áreas do eleitorado: a direita pragmática, que não tem um eleitor ideológico puro, mas que exige firmeza e força; o centro governista, que contempla o amazonense cuja escolha é orientada pelo poder de articulação, capacidade de entrega; e por fim a área do interior e da base política, onde estão os eleitores cuja decisão de voto passa por prefeitos, ex-prefeitos e por um “empoderado” governador tampão chamado Roberto Cidade (União Brasil).
Na direita pragmática, Wilson Lima divide votos com Alberto Neto (PL). No segundo grupo, a briga será direta com o senador Plínio Valério (PSDB) e, em algum momento, com o senador Eduardo Braga (MDB). No grupo de eleitores do interior, a briga sim será direta com Braga, que injetou milhões em prefeituras com as emendas do orçamento.
Neste cenário, o mais pressionado é Alberto, cuja mensagem atinge faixas do eleitorado parecidas, sendo que o deputado tem mais apoio da direita ideológica e Wilson da direita pragmática. Plínio é afetado porque parte do eleitor conservador que poderia vê-lo como opção passa a enxergar Wilson como nome mais competitivo.
Braga briga menos pelo voto da direita e tem mais a força do nome de um ex-governador bem avaliado e um senador que entrega emendas, o que favorece a conquista do eleitor tradicional.
Assim, Wilson entra no jogo como um dos favoritos e comprime o espaço dos adversários, além de tornar a busca pelo segundo voto mais dura. Em uma frase: Wilson tende a puxar votos mais da direita moderada, do centro governista e do interior, pressionando Alberto e Plínio e deixando a disputa mais apertada.
(*) Colaborou, Gerson Severo Dantas – Jornalista da Rede Onda Digital