O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama manifestou-se publicamente sobre o vídeo compartilhado por Donald Trump que retratava ele e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. Em entrevista ao podcast do comentarista Brian Tyler Cohen, no sábado (14/5), Obama criticou a deterioração do debate público e o que chamou de perda de “vergonha” e “decoro” na política americana.
Sem mencionar Trump diretamente, Obama afirmou que o discurso político “se deteriorou a um nível de crueldade que não víamos antes”. Ele ressaltou, no entanto, que “é importante reconhecer que a maioria do povo americano considera esse comportamento profundamente preocupante”. Segundo o ex-presidente, esse tipo de conteúdo “atrai atenção” e funciona como distração.
O vídeo foi publicado na conta de Trump na rede Truth Social e incluía, ao final, um trecho ao som da música “The Lion Sleeps Tonight” em que imagens do casal Obama apareciam editadas como macacos. A publicação integrava um compilado com alegações não comprovadas de fraude nas eleições de 202020.
A postagem gerou críticas imediatas de parlamentares democratas e republicanos. O senador Tim Scott, único republicano negro no Senado, classificou o conteúdo como “a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”.
Inicialmente, a Casa Branca defendeu o vídeo e chamou as críticas de “falsa indignação”. Posteriormente, a responsabilidade foi atribuída a um integrante da equipe, e a publicação foi apagada. Questionado por jornalistas, Trump afirmou que “não viu” a parte do vídeo que mostrava os Obamas. Ao ser perguntado se pretendia se desculpar, declarou: “Eu não cometi nenhum erro”.
Durante a entrevista de 47 minutos, Obama descreveu o cenário atual nas redes sociais e na televisão como uma espécie de “show de palhaços”. “A vergonha e o decoro que antes orientavam autoridades públicas foram perdidos”, afirmou.
Apesar do ambiente político hostil, o ex-presidente disse que ainda encontra pessoas pelo país que “acreditam em decência, cortesia e gentileza”. Na conversa, Obama também abordou outros temas, como protestos organizados contra operações de imigração, redistritamento eleitoral e a abertura de sua biblioteca presidencial em Chicago, prevista para o próximo ano.

