texto :
Como nos filmes de ação, cuja receita básica pode ser resumida na expressão “tiro, porrada e bomba”, a política amazonense reúne categorias profissionais que seguem procedimentos comuns na disputa por mandatos, especialmente pela busca da empatia social. Destacam-se, nesse contexto, as categorias policiais, que utilizam a exposição midiática para conquistar votos e cargos.
O primeiro a fazer uso dessa receitinha foi o militar Stênio da Silva Neves, que nos anos 50 do século passado ficou famoso no comando da Chefatura de Polícia mantendo um comportamento violento contra os criminosos da pequena Manaus e, com isso, se aproximou de governadores como Plínio Coelho e Gilberto Mestrinho, ambos do PTB, e acabou premiado com o posto de prefeito de Manaus.
A estratégia para combater a violência na pacata Manaus deu fama a Stênio Neves e é descrita pelo ex-coronel da Polícia Militar e historiador Roberto Mendonça como “pouco ortodoxa”.
“Os integrantes da terceira idade hoje ainda recordam do método pouco ortodoxo empregado pelo chefe. O de permitir que policiais seviciassem (torturassem) presos, em especial os ladrões, na estrada então conhecida por BR-17 (em nossos dias, a estrada Manaus-Itacoatiara). A má fama custou-lhe o cargo, substituído pelo bacharel José Bernardo Cabral, e um inquérito, do qual é desconhecida a conclusão”, escreve Mendonça no blog Catando Letras e Escrevendo Histórias.
A ampla cobertura midiática dessas ações, geralmente sob anonimato, marcava os jornais da época, que relatavam episódios como o de ladrões jogados no Encontro das Águas com pedras amarradas ao pescoço. Após os governos petebistas, o estilo de Stênio Neves perdeu força e, em 1978, ele tentou se eleger deputado estadual, sem sucesso.
Sugestão de foto:

créditos: