Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento exato em que Priscila Versão, de 22 anos, tenta desesperadamente fugir do companheiro antes de ser morta, na segunda-feira (23/2), na Brasilândia, zona Norte de São Paulo. Ela era amiga de Tainara dos Santos, de 31 anos, que morreu em dezembro após ter as pernas amputadas ao ser atropelada e arrastada pelo carro do ex-namorado até a Marginal Tietê.
O vídeo, que circula nas redes sociais, mostra a jovem correndo e subindo em um portão na tentativa de escapar. Logo em seguida, o companheiro dela, Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, estaciona o carro, puxa Priscila com força e a derruba no chão. Caída, ela é chutada violentamente diversas vezes pelo homem.
Após as agressões, Deivit levou Priscila ao hospital, mas ela chegou à unidade de saúde já sem vida. De acordo com o Guia de Encaminhamento de Cadáver, a vítima apresentava marcas de agressão, hematomas e escoriações pelo corpo, além de sangramento no nariz. O documento também aponta que as roupas dela tinham cheiro de gasolina.
Priscila trabalhava como autônoma e deixa três filhos, todos do relacionamento com o acusado: uma criança de seis anos, outra de quatro e um bebê de apenas seis meses.
A mãe de Priscila, Selma Alves Ribeiro da Silva, afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e que já havia tentado convencê-la a se afastar do companheiro após episódios anteriores de agressão. “Ela estava dentro de um relacionamento abusivo tóxico e estava doente emocionalmente. Eu lutei com todas as minhas forças. Fiz o que eu pude e o que eu não pude para ela sair desse relacionamento”, desabafou à imprensa.
Segundo o boletim de ocorrência, Deivit chegou ao hospital com Priscila já morta e ameaçando atear fogo ao próprio corpo. Após ser contido, ele contou aos policiais que ele e Priscila estavam em um pagode quando brigaram. Ele teria ido a um posto de combustível, comprado gasolina e despejado no próprio corpo com a intenção de se suicidar, mas desistiu. Em seguida, voltou ao bar, viu a jovem caída no chão com sangramento no nariz e a levou ao hospital.
O caso é investigado como feminicídio. Priscila era muito próxima da irmã de Tainara e ambas moravam no mesmo bairro.
