Há poucos anos, a rotina de um jornalista era marcada por horas de transcrição manual de entrevistas, longas madrugadas de edição e uma corrida contra o relógio para apurar informações. A inteligência artificial mudou esse cenário. No Dia do Jornalista, celebrado nesta terça-feira (7/4), a tecnologia é apontada como uma grande aliada, capaz de otimizar processos e devolver ao profissional o que há de mais valioso: tempo para pensar, apurar e criar.
A virada já é sentida nas redações brasileiras. Pesquisa da ESPM-SP e Jornalistas&Cia, realizada em 2025, revelou que 56% dos jornalistas do país já utilizam IA em alguma etapa de seu fluxo de trabalho. O número reflete uma tendência global, com o Brasil se destacando na adoção de ferramentas como chatbots e softwares de transcrição.
À Rede Onda Digital, o jornalista e influenciador digital Alexsandro Filho, que trabalha diariamente com produção de conteúdo, conta como a tecnologia transformou sua rotina. Para ele, a maior contribuição da IA está na gestão do tempo e na possibilidade de se dedicar ao que realmente importa.
Transcrição de entrevistas em segundos
Entre as tarefas em que a inteligência artificial mais o ajuda, Alexsandro destaca a transcrição de entrevistas. “Dependendo de como a entrevista for longa ou urgente, a IA consegue te dar isso mais rápido. Coisa que, por exemplo, entrevistas que eu fiz em 2021, 2022, que eu tinha que escrever na mão, a IA já ia poupar tempo nisso”, relembra.

A economia de horas preciosas permite que o jornalista foque na análise e na checagem das informações.
“Com a IA você consegue, em algumas matérias, atingir uma profundidade que tu não atingiria sozinho, porque ela tem uma biblioteca de informações muito grande e consegue te dar isso em um tempo que você demoraria semanas pesquisando”, explica Alexandro.
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Mais qualidade, menos tarefas braçais
“Acredito que a qualidade aumenta muito. A IA te ajuda em todos os sentidos. O tempo que você tem para produzir, você produz mais conteúdo e com mais qualidade”, afirma o jornalista.
Para Alexsandro, o comunicador pode se dedicar mais a pensar em como a mensagem vai chegar ao receptor, as imagens certas, as palavras adequadas, o contato com as fontes, e à apuração aprofundada. “A IA te deixa mais confortável para entender melhor como essa mensagem vai chegar para o receptor”, resume.
DSX: o encontro que discute o futuro da inovação no Amazonas
Essa transformação digital está no centro das discussões de um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do país: o DSX – Digital Summit Experience. Realizado em Manaus, o evento reúne mais de 2.000 participantes e oferece 40 palestras sobre inteligência artificial, negócios e comunicação. A iniciativa reforça o protagonismo do Amazonas no debate sobre as novas ferramentas que estão remodelando profissões, incluindo o jornalismo.
Levantamento do Instituto Reuters para a Universidade de Oxford mostrou um aumento contínuo no uso de IA nas redações brasileiras. A tecnologia é cada vez mais empregada para traduzir artigos, converter texto em vídeos curtos e extrair insights de grandes volumes de dados. Exemplos como a série de reportagens do jornal O Globo, que analisou 600 mil discursos do Congresso com auxílio de IA, ilustram o potencial da ferramenta para aprofundar a apuração.