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Adversário do Brasil na Copa, Marrocos tem uma gastronomia que dialoga com a brasileira

O Brasil estreia na Copa do Mundo de 2026 no dia 13 de junho, no estádio MetLife, na cidade de New Jersey, Estado de Nova York, nos Estados Unidos, jogando contra a seleção do Marrocos, um país cuja tradição culinária por diversas vezes dialoga com a cozinha brasileira.

No Marrocos, a alimentação cotidiana se organiza em torno de preparações de cozimento lento, uso intenso de especiarias e refeições compartilhadas. Entre os pratos mais presentes no dia a dia estão o tajine e o couscous, que ocupam lugares complementares na rotina alimentar e também na vida social.

O tajine é uma das bases da cozinha doméstica marroquina. Preparado em panela de barro com tampa cônica, muito parecidas com as vendidas em mercados do Amazonas e Pará, o prato combina carne, legumes e especiarias em cozimento prolongado.

As receitas variam conforme a região e a estação do ano. Frango com limão em conserva e azeitonas, cordeiro com ameixas secas e amêndoas e versões com legumes são algumas das combinações mais comuns. O método de preparo favorece a retenção de umidade e a incorporação dos temperos ao alimento.

Tajine de frango com limão e conservas, um prato típico da gastronomia marroquina

Assim como o brasileiro tem o sábado para degustar a feijoada, o marroquino usa a sexta-feira para se deliciar com um de seus pratos mais típicos, o couscous. A sexta, por sinal, é considerado o principal dia de refeição em família após as orações. O prato é feito a partir de sêmola de trigo e servido com legumes cozidos, grão-de-bico e carnes como frango ou cordeiro. Em algumas regiões, o caldo é servido sobre o couscous no momento de ir à mesa, reforçando o caráter coletivo da refeição.

O couscous marroquino é feito a base de sêmola de trigo e servido com legumes ou alguma proteína.

Além desses pratos, a alimentação marroquina inclui sopas como a harira, pães variados assados diariamente e o uso constante de especiarias como cominho, gengibre, açafrão e canela. O chá de hortelã também integra a rotina alimentar, servido ao longo do dia em contextos domésticos e sociais.

O padrão alimentar no país é marcado pela repetição de preparações de base semelhante, com variações regionais e familiares, e pela centralidade das refeições compartilhadas, especialmente aos fins de semana e em ocasiões religiosas.

Contribuição para a gastronomia brasileira

A contribuição dos marroquinos para a cozinha brasileira é considerada indireta, mas extremamente significativa. O legado deles chegou ao País basicamente por três caminhos: a herança moura (árabes do califado Omíada) absorvida pelos portugueses durante séculos de ocupação islâmica na Península Ibérica, entre 711 d.c. e  1492; pela imigração árabe no fim do século XIX e início do XX, e mais recentemente pela valorização da culinária do Norte da África na alta gastronomia e nos restaurantes contemporâneos.

O caso mais evidente é o nosso cuscuz, um prato que nasceu no Magreb, região que engloba o Marrocos, e era tradicionalmente preparado com sêmola de trigo. Em Portugal, ele ganhou adaptações e, no Brasil, especialmente no Nordeste, acabou transformado em versões feitas com milho, mandioca e outros ingredientes locais. Hoje, o cuscuz nordestino é um dos símbolos da culinária brasileira.

Outro legado importante está no uso de especiarias e nas combinações agridoce-salgadas. A cozinha marroquina usa bastante cominho, canela,  gengibre, açafrão,  hortelã, frutas secas e limão em conserva. Muitos desses elementos chegaram ao Brasil pela culinária portuguesa e depois foram incorporados ao repertório nacional. Preparações brasileiras que misturam carne com frutas, castanhas e especiarias conversam com essa tradição.

Na gastronomia contemporânea, chefs brasileiros passaram a incorporar referências marroquinas em pratos autorais. O uso de cordeiro com frutas amazônicas, cuscuz reinterpretado, misturas de ervas e especiarias, além de doces com mel e castanhas, revela essa aproximação. Restaurantes especializados em culinária árabe e mediterrânea também ajudaram a popularizar itens como harissa, couscous marroquino e chá de hortelã.

Por fim, a cultura cordial marroquina de compartilhar grandes travessas à mesa, a importância da hospitalidade com a realização de refeições coletivas é um ponto de aproximação com os brasileiros, sobretudo os das regiões Norte e Nordeste onde os almoços de domingo, de páscoa, ceias de Natal e Ano Novo costumam ser pano de fundo para grandes encontros familiares e de amigos.

 

Mesa farta marroquina é um ponto de afinidade com a cordialidade brasileira, sobretudo das regiões Norte e Nordeste
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O Brasil estreia na Copa do Mundo de 2026 no dia 13 de junho, no estádio MetLife, na cidade de New Jersey, Estado de Nova York, nos Estados Unidos, jogando contra a seleção do Marrocos, um país cuja tradição culinária por diversas vezes dialoga com a cozinha brasileira.

No Marrocos, a alimentação cotidiana se organiza em torno de preparações de cozimento lento, uso intenso de especiarias e refeições compartilhadas. Entre os pratos mais presentes no dia a dia estão o tajine e o couscous, que ocupam lugares complementares na rotina alimentar e também na vida social.

O tajine é uma das bases da cozinha doméstica marroquina. Preparado em panela de barro com tampa cônica, muito parecidas com as vendidas em mercados do Amazonas e Pará, o prato combina carne, legumes e especiarias em cozimento prolongado.

As receitas variam conforme a região e a estação do ano. Frango com limão em conserva e azeitonas, cordeiro com ameixas secas e amêndoas e versões com legumes são algumas das combinações mais comuns. O método de preparo favorece a retenção de umidade e a incorporação dos temperos ao alimento.

Tajine de frango com limão e conservas, um prato típico da gastronomia marroquina

Assim como o brasileiro tem o sábado para degustar a feijoada, o marroquino usa a sexta-feira para se deliciar com um de seus pratos mais típicos, o couscous. A sexta, por sinal, é considerado o principal dia de refeição em família após as orações. O prato é feito a partir de sêmola de trigo e servido com legumes cozidos, grão-de-bico e carnes como frango ou cordeiro. Em algumas regiões, o caldo é servido sobre o couscous no momento de ir à mesa, reforçando o caráter coletivo da refeição.

O couscous marroquino é feito a base de sêmola de trigo e servido com legumes ou alguma proteína.

Além desses pratos, a alimentação marroquina inclui sopas como a harira, pães variados assados diariamente e o uso constante de especiarias como cominho, gengibre, açafrão e canela. O chá de hortelã também integra a rotina alimentar, servido ao longo do dia em contextos domésticos e sociais.

O padrão alimentar no país é marcado pela repetição de preparações de base semelhante, com variações regionais e familiares, e pela centralidade das refeições compartilhadas, especialmente aos fins de semana e em ocasiões religiosas.

Contribuição para a gastronomia brasileira

A contribuição dos marroquinos para a cozinha brasileira é considerada indireta, mas extremamente significativa. O legado deles chegou ao País basicamente por três caminhos: a herança moura (árabes do califado Omíada) absorvida pelos portugueses durante séculos de ocupação islâmica na Península Ibérica, entre 711 d.c. e  1492; pela imigração árabe no fim do século XIX e início do XX, e mais recentemente pela valorização da culinária do Norte da África na alta gastronomia e nos restaurantes contemporâneos.

O caso mais evidente é o nosso cuscuz, um prato que nasceu no Magreb, região que engloba o Marrocos, e era tradicionalmente preparado com sêmola de trigo. Em Portugal, ele ganhou adaptações e, no Brasil, especialmente no Nordeste, acabou transformado em versões feitas com milho, mandioca e outros ingredientes locais. Hoje, o cuscuz nordestino é um dos símbolos da culinária brasileira.

Outro legado importante está no uso de especiarias e nas combinações agridoce-salgadas. A cozinha marroquina usa bastante cominho, canela,  gengibre, açafrão,  hortelã, frutas secas e limão em conserva. Muitos desses elementos chegaram ao Brasil pela culinária portuguesa e depois foram incorporados ao repertório nacional. Preparações brasileiras que misturam carne com frutas, castanhas e especiarias conversam com essa tradição.

Na gastronomia contemporânea, chefs brasileiros passaram a incorporar referências marroquinas em pratos autorais. O uso de cordeiro com frutas amazônicas, cuscuz reinterpretado, misturas de ervas e especiarias, além de doces com mel e castanhas, revela essa aproximação. Restaurantes especializados em culinária árabe e mediterrânea também ajudaram a popularizar itens como harissa, couscous marroquino e chá de hortelã.

Por fim, a cultura cordial marroquina de compartilhar grandes travessas à mesa, a importância da hospitalidade com a realização de refeições coletivas é um ponto de aproximação com os brasileiros, sobretudo os das regiões Norte e Nordeste onde os almoços de domingo, de páscoa, ceias de Natal e Ano Novo costumam ser pano de fundo para grandes encontros familiares e de amigos.

 

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