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AM possui os piores índices de desenvolvimento sustentável da Amazônia

Municípios do Amazonas, à exceção da capital, apresentam os piores desempenhos entre os 772 municípios avaliados pelo Atlas ODS Amazônia, projeto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), apresentado pelo pesquisador Bruno Cordeiro Lorenzi, doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, em entrevista ao programa Primeira Onda.

Lorenzi integra o Atlas ODS Amazônia, iniciativa que monitora 18 objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU nos municípios da Amazônia Legal. O trabalho produz estudos, indicadores e ferramentas voltados a apoiar gestores públicos e a sociedade civil.

ODS é proposta da ONU

A Agenda 2030 é uma proposta global apresentada pela ONU em 2015, estruturada em 17 objetivos que abrangem as dimensões ambiental, social e econômica do desenvolvimento sustentável. Um dos princípios da agenda é não deixar ninguém para trás, o que inclui levar desenvolvimento às regiões periféricas, não apenas aos grandes centros.

O Atlas ODS Amazônia incorporou um 18º objetivo à pesquisa, voltado à igualdade étnico-racial. Segundo o pesquisador, esse indicador não foi criado pelo projeto, mas é uma iniciativa do governo federal existente apenas no Brasil.

Amazonas entre os piores desempenhos

Pesquisador Bruno Cordeiro Lorenzi, doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia

De acordo com Lorenzi, o diagnóstico de atraso do Amazonas já havia sido percebido desde 2019. “Desde 2019, a gente já percebeu, quando voltamos a olhar para o Amazonas, que sim, nós estamos muito longe do atingimento das metas desse objetivo”, afirmou.

Manaus se destaca em relação ao restante do estado por sua estrutura de capital. Os demais municípios amazonenses, no entanto, figuram entre os piores desempenhos dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, em um universo de 772 municípios avaliados.

Entre os 18 objetivos avaliados, o pesquisador destacou três áreas de maior fragilidade no estado. A primeira é água potável e saneamento. “O que chamou mais atenção foi o indicador que fala de água potável e saneamento. Infelizmente essa é uma realidade do nosso interior que é muito delicada”, disse.

A segunda é a igualdade de gênero, medida a partir de dados de violência contra mulheres. Lorenzi observou que esse indicador não acompanha necessariamente o desenvolvimento econômico da região.

“Esse indicador não acompanha o desenvolvimento econômico. Os piores indicadores estão na região de Mato Grosso, ou seja, aquelas benesses trazidas pelo desenvolvimento econômico não foram igualmente distribuídas entre homens e mulheres”, explicou.

A terceira área de maior preocupação é a vulnerabilidade social, medida pela quantidade de pessoas beneficiárias do Bolsa Família ou cadastradas no Cadastro Único. Nesse indicador, o Amazonas se destaca negativamente em comparação com a amostra avaliada.

Além de Manaus, os municípios de Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira ocupam posições consideradas delicadas no Estado.


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O que falta para os municípios avançarem

A Secretaria de Planejamento do Amazonas já incorporou alguns dispositivos da Agenda 2030 na elaboração do plano plurianual do estado. Segundo Lorenzi, porém, a adesão dos municípios ainda é incipiente.

O pesquisador atribui essa limitação à falta de conhecimento técnico por parte de gestores públicos e à escassez de recursos e tempo nas prefeituras. “O município não tem tempo e nem recurso para evoluir a um nível de inovação nesse patamar, porque ele tem problemas muito maiores para enfrentar, são recursos escassos”, afirmou.

O diagnóstico apresentado pelo Atlas ODS Amazônia expõe uma distância significativa entre os municípios amazonenses e as metas globais de desenvolvimento sustentável. A existência de uma ferramenta pública de monitoramento amplia a possibilidade de cobrança social e de direcionamento de políticas públicas, mas o avanço depende também de uma leitura mais regionalizada dos indicadores e de capacidade técnica e orçamentária dos municípios para colocar essas prioridades em prática.

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Municípios do Amazonas, à exceção da capital, apresentam os piores desempenhos entre os 772 municípios avaliados pelo Atlas ODS Amazônia, projeto da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), apresentado pelo pesquisador Bruno Cordeiro Lorenzi, doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, em entrevista ao programa Primeira Onda.

Lorenzi integra o Atlas ODS Amazônia, iniciativa que monitora 18 objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 da ONU nos municípios da Amazônia Legal. O trabalho produz estudos, indicadores e ferramentas voltados a apoiar gestores públicos e a sociedade civil.

ODS é proposta da ONU

A Agenda 2030 é uma proposta global apresentada pela ONU em 2015, estruturada em 17 objetivos que abrangem as dimensões ambiental, social e econômica do desenvolvimento sustentável. Um dos princípios da agenda é não deixar ninguém para trás, o que inclui levar desenvolvimento às regiões periféricas, não apenas aos grandes centros.

O Atlas ODS Amazônia incorporou um 18º objetivo à pesquisa, voltado à igualdade étnico-racial. Segundo o pesquisador, esse indicador não foi criado pelo projeto, mas é uma iniciativa do governo federal existente apenas no Brasil.

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Manaus se destaca em relação ao restante do estado por sua estrutura de capital. Os demais municípios amazonenses, no entanto, figuram entre os piores desempenhos dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, em um universo de 772 municípios avaliados.

Entre os 18 objetivos avaliados, o pesquisador destacou três áreas de maior fragilidade no estado. A primeira é água potável e saneamento. “O que chamou mais atenção foi o indicador que fala de água potável e saneamento. Infelizmente essa é uma realidade do nosso interior que é muito delicada”, disse.

A segunda é a igualdade de gênero, medida a partir de dados de violência contra mulheres. Lorenzi observou que esse indicador não acompanha necessariamente o desenvolvimento econômico da região.

“Esse indicador não acompanha o desenvolvimento econômico. Os piores indicadores estão na região de Mato Grosso, ou seja, aquelas benesses trazidas pelo desenvolvimento econômico não foram igualmente distribuídas entre homens e mulheres”, explicou.

A terceira área de maior preocupação é a vulnerabilidade social, medida pela quantidade de pessoas beneficiárias do Bolsa Família ou cadastradas no Cadastro Único. Nesse indicador, o Amazonas se destaca negativamente em comparação com a amostra avaliada.

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