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“Blackout da mão de obra”: falta de trabalhadores desafia empresas no Brasil

O mercado de trabalho brasileiro vive um cenário considerado contraditório por especialistas: há serviços e atividades que precisam ser realizados, mas faltam trabalhadores para ocupar as vagas disponíveis. O fenômeno foi definido pelo empresário Pedro Baptista como um “blackout da mão de obra” durante o 2º Fórum Sicredi Empreender, realizado nesta quarta-feira (16/9), em São Paulo.

“Nós temos serviços para realizar, mas não temos mão de obra. Então, eu chamo isso de blackout da mão de obra. Esse é o grande desafio que nós temos agora”, afirmou Baptista.

Segundo o empresário, a dificuldade de contratação também atinge a indústria, que depende de trabalhadores para transformar e produzir bens. Para ele, um dos desafios atuais é fazer com que a mão de obra volte a ocupar as empresas e acompanhar as necessidades de um mercado que continua em transformação.

A discussão sobre emprego foi apenas um dos temas abordados no evento, que reuniu empreendedores, empresários e especialistas para discutir os desafios enfrentados por pequenos negócios no Brasil.

Empreender também significa buscar autonomia

Para Renato Meireles, o crescimento do empreendedorismo está relacionado, entre outros fatores, à busca dos brasileiros por maior autonomia sobre o próprio tempo. “O tempo é o único ativo econômico realmente igualitário no Brasil”, afirmou.

Na avaliação do palestrante, parte da população, especialmente da classe C, busca cada vez mais ter controle sobre como utiliza o próprio tempo, seja trabalhando, cuidando da família ou administrando um negócio. Ele, no entanto, pondera que tanto o emprego formal quanto o empreendedorismo apresentam desafios.

“A carteira assinada dá uma ilusão de estabilidade, assim como o empreendedorismo dá uma ilusão de liberdade”, disse.

Para Meireles, a escolha entre trabalhar para uma empresa ou administrar o próprio negócio depende do perfil e dos objetivos de cada pessoa. Ele também destacou que o empreendedorismo tende a continuar crescendo no país.

Crédito ainda é um obstáculo para pequenos negócios

Outro ponto discutido no fórum foi o acesso ao crédito. Para Jaime Basso, presidente da Sicredi-SP, muitos empreendedores enfrentam dificuldades não apenas para conseguir financiamento, mas também para encontrar orientação sobre gestão e produtos financeiros adequados às necessidades do negócio.

“Muitas vezes eles têm dificuldade [com conhecimento de gestão]. E outro ponto que também tem uma dificuldade é acesso a um crédito, acesso a uma instituição financeira”, afirmou.

Basso avaliou que a oferta de serviços financeiros precisa considerar as características de cada região. Segundo ele, instituições com atuação regional podem desenvolver produtos de acordo com as necessidades específicas dos empreendedores locais.

A discussão ganha importância para pequenos negócios, que muitas vezes precisam de crédito para investir, comprar equipamentos, ampliar a produção ou manter o fluxo de caixa.


Leia mais

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Desigualdade também chega ao empreendedorismo

O fórum também colocou em debate a desigualdade entre homens e mulheres no ambiente empreendedor. A palestrante Adriana Barbosa afirmou que as diferenças de renda e oportunidades não desaparecem quando uma mulher deixa o mercado de trabalho tradicional e passa a administrar o próprio negócio.

“Há muita desigualdade entre homens e mulheres. E quando a gente coloca a lente de raça, mais ainda”, afirmou.

Segundo Adriana, o enfrentamento desse cenário passa pelo reconhecimento da desigualdade e pela criação de mecanismos capazes de ampliar as oportunidades para mulheres empreendedoras. Ela citou políticas públicas, acesso ao crédito e ações afirmativas como instrumentos que podem contribuir para reduzir essas diferenças.

“Você só vai corrigir isso com políticas públicas, com influência no mercado e o reconhecimento de que esse problema existe”, disse.

Um mercado em transformação

As diferentes falas apresentadas no 2º Fórum Sicredi Empreender mostram que os desafios para quem mantém um negócio vão além da ideia de abrir uma empresa. De um lado, empresas relatam dificuldade para encontrar trabalhadores. De outro, empreendedores enfrentam barreiras para acessar crédito, adquirir conhecimento de gestão e competir em um mercado marcado por desigualdades.

O evento também debateu cenário econômico, inovação, inclusão financeira e empreendedorismo feminino, buscando apresentar estratégias para quem precisa tomar decisões sobre investimentos, contratação e crescimento.

A cobertura da Rede Onda Digital acompanha as discussões diretamente de São Paulo e leva os debates para a realidade do Amazonas, onde pequenos negócios também enfrentam desafios relacionados à mão de obra, financiamento, gestão e expansão. Para os especialistas ouvidos durante o fórum, o cenário exige adaptação tanto de quem empreende quanto das instituições que oferecem crédito, capacitação e outros serviços de apoio.

 

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O mercado de trabalho brasileiro vive um cenário considerado contraditório por especialistas: há serviços e atividades que precisam ser realizados, mas faltam trabalhadores para ocupar as vagas disponíveis. O fenômeno foi definido pelo empresário Pedro Baptista como um “blackout da mão de obra” durante o 2º Fórum Sicredi Empreender, realizado nesta quarta-feira (16/9), em São Paulo.

“Nós temos serviços para realizar, mas não temos mão de obra. Então, eu chamo isso de blackout da mão de obra. Esse é o grande desafio que nós temos agora”, afirmou Baptista.

Segundo o empresário, a dificuldade de contratação também atinge a indústria, que depende de trabalhadores para transformar e produzir bens. Para ele, um dos desafios atuais é fazer com que a mão de obra volte a ocupar as empresas e acompanhar as necessidades de um mercado que continua em transformação.

A discussão sobre emprego foi apenas um dos temas abordados no evento, que reuniu empreendedores, empresários e especialistas para discutir os desafios enfrentados por pequenos negócios no Brasil.

Empreender também significa buscar autonomia

Para Renato Meireles, o crescimento do empreendedorismo está relacionado, entre outros fatores, à busca dos brasileiros por maior autonomia sobre o próprio tempo. “O tempo é o único ativo econômico realmente igualitário no Brasil”, afirmou.

Na avaliação do palestrante, parte da população, especialmente da classe C, busca cada vez mais ter controle sobre como utiliza o próprio tempo, seja trabalhando, cuidando da família ou administrando um negócio. Ele, no entanto, pondera que tanto o emprego formal quanto o empreendedorismo apresentam desafios.

“A carteira assinada dá uma ilusão de estabilidade, assim como o empreendedorismo dá uma ilusão de liberdade”, disse.

Para Meireles, a escolha entre trabalhar para uma empresa ou administrar o próprio negócio depende do perfil e dos objetivos de cada pessoa. Ele também destacou que o empreendedorismo tende a continuar crescendo no país.

Crédito ainda é um obstáculo para pequenos negócios

Outro ponto discutido no fórum foi o acesso ao crédito. Para Jaime Basso, presidente da Sicredi-SP, muitos empreendedores enfrentam dificuldades não apenas para conseguir financiamento, mas também para encontrar orientação sobre gestão e produtos financeiros adequados às necessidades do negócio.

“Muitas vezes eles têm dificuldade [com conhecimento de gestão]. E outro ponto que também tem uma dificuldade é acesso a um crédito, acesso a uma instituição financeira”, afirmou.

Basso avaliou que a oferta de serviços financeiros precisa considerar as características de cada região. Segundo ele, instituições com atuação regional podem desenvolver produtos de acordo com as necessidades específicas dos empreendedores locais.

A discussão ganha importância para pequenos negócios, que muitas vezes precisam de crédito para investir, comprar equipamentos, ampliar a produção ou manter o fluxo de caixa.


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“Há muita desigualdade entre homens e mulheres. E quando a gente coloca a lente de raça, mais ainda”, afirmou.

Segundo Adriana, o enfrentamento desse cenário passa pelo reconhecimento da desigualdade e pela criação de mecanismos capazes de ampliar as oportunidades para mulheres empreendedoras. Ela citou políticas públicas, acesso ao crédito e ações afirmativas como instrumentos que podem contribuir para reduzir essas diferenças.

“Você só vai corrigir isso com políticas públicas, com influência no mercado e o reconhecimento de que esse problema existe”, disse.

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