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Candiru: o ‘peixe-vampiro’ da Amazônia e os mitos que cercam a espécie

Temido por banhistas e cercado de histórias que atravessam gerações, o candiru é um dos peixes mais conhecidos e mal compreendidos da Amazônia. Popularmente chamado de “peixe-vampiro”, ganhou fama por supostamente ser atraído pela urina humana e entrar no canal da uretra de quem ousa urinar dentro d’água. Mas o que há de verdade por trás dessa lenda amazônica?

A resposta, segundo especialistas, é: muito pouco.

À Rede Onda Digital, a bióloga Ana Roque esclarece os principais equívocos envolvendo o candiru e explica, com base em evidências científicas, qual é o real comportamento desse pequeno peixe amazônico.

Ana Roque é bióloga e professora formada pela UFAM, atualmente mestranda em Ecologia no INPA. Sua trajetória acadêmica envolve pesquisas em monitoramento de aves e análise de impactos ambientais em ecossistemas amazônicos. (Foto: Arquivo pessoal)

Nem todo candiru é igual

O primeiro ponto destacado pela pesquisadora é que não existe um único tipo de candiru. “Existem várias espécies e nem todas têm o mesmo comportamento alimentar. Tem espécies que se alimentam de invertebrados, insetos, e outras que parasitam as brânquias dos peixes”, explica Ana.

Os chamados “candirus verdadeiros” são os hematófagos, parasitas que se alimentam do sangue de outros peixes. Eles se alojam nas brânquias dos hospedeiros, sugam o sangue e depois se desprendem, num comportamento comparado ao de um pernilongo. Não há, portanto, qualquer preferência por seres humanos ou outros mamíferos.

A urina não atrai o candiru

A crença popular de que o candiru é atraído pelo odor da urina é, segundo a bióloga, uma história que foi ganhando proporções com o tempo, mas sem qualquer respaldo científico.

“Sobre comprovação científica, não há nenhuma evidência sólida de que o candiru se atraia pela urina. Isso acabou virando uma história que foi se aumentando”, afirma Ana.

Ela ressalta que, do ponto de vista biológico, a ideia faz pouco sentido: “A urina dispersa imediatamente na água e não é um atrativo para ele. As espécies que as pessoas acreditam serem atraídas pela urina, na verdade, se alimentam das brânquias de peixes. São parasitas de peixes, e raramente acontece essa questão com mamíferos”.


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Casos raros e controversos

Ao contrário do imaginário popular, os registros de candirus alojados em corpos humanos são extremamente raros. Ana Roque alerta que os poucos casos documentados são controversos e, em sua maioria, envolvem pessoas já mortas.

“Os casos que temos registros são situações em que o candiru entrou quando a pessoa já estava morta, em decomposição. Não é típico desse peixe parasitar mamíferos vivos”, esclarece.

A pesquisadora reforça que o comportamento atribuído ao candiru é, na verdade, um exagero baseado em crenças populares e relatos sem comprovação. “Basicamente, tudo isso é muito exagerado.”

O que a ciência já comprovou

Estudos realizados com candirus em ambiente controlado, como uma pesquisa de 2001 conduzida por cientistas brasileiros e norte-americanos, testaram a atração do peixe por substâncias como amônia, aminoácidos, muco de peixe e urina humana. Nenhuma delas gerou resposta estatisticamente significativa.

Por outro lado, há evidências científicas de que os candirus possuem uma visão bastante apurada. Eles são visualmente atraídos por objetos em movimento, o que pode explicar por que, eventualmente, se aproximam de banhistas, não por interesse em urina, mas simplesmente por responderem a estímulos visuais na água.

A lenda do peixe-vampiro, ao que tudo indica, resiste mais na imaginação popular do que nas águas dos rios.

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Temido por banhistas e cercado de histórias que atravessam gerações, o candiru é um dos peixes mais conhecidos e mal compreendidos da Amazônia. Popularmente chamado de “peixe-vampiro”, ganhou fama por supostamente ser atraído pela urina humana e entrar no canal da uretra de quem ousa urinar dentro d’água. Mas o que há de verdade por trás dessa lenda amazônica?

A resposta, segundo especialistas, é: muito pouco.

À Rede Onda Digital, a bióloga Ana Roque esclarece os principais equívocos envolvendo o candiru e explica, com base em evidências científicas, qual é o real comportamento desse pequeno peixe amazônico.

Ana Roque é bióloga e professora formada pela UFAM, atualmente mestranda em Ecologia no INPA. Sua trajetória acadêmica envolve pesquisas em monitoramento de aves e análise de impactos ambientais em ecossistemas amazônicos. (Foto: Arquivo pessoal)

Nem todo candiru é igual

O primeiro ponto destacado pela pesquisadora é que não existe um único tipo de candiru. “Existem várias espécies e nem todas têm o mesmo comportamento alimentar. Tem espécies que se alimentam de invertebrados, insetos, e outras que parasitam as brânquias dos peixes”, explica Ana.

Os chamados “candirus verdadeiros” são os hematófagos, parasitas que se alimentam do sangue de outros peixes. Eles se alojam nas brânquias dos hospedeiros, sugam o sangue e depois se desprendem, num comportamento comparado ao de um pernilongo. Não há, portanto, qualquer preferência por seres humanos ou outros mamíferos.

A urina não atrai o candiru

A crença popular de que o candiru é atraído pelo odor da urina é, segundo a bióloga, uma história que foi ganhando proporções com o tempo, mas sem qualquer respaldo científico.

“Sobre comprovação científica, não há nenhuma evidência sólida de que o candiru se atraia pela urina. Isso acabou virando uma história que foi se aumentando”, afirma Ana.

Ela ressalta que, do ponto de vista biológico, a ideia faz pouco sentido: “A urina dispersa imediatamente na água e não é um atrativo para ele. As espécies que as pessoas acreditam serem atraídas pela urina, na verdade, se alimentam das brânquias de peixes. São parasitas de peixes, e raramente acontece essa questão com mamíferos”.


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A pesquisadora reforça que o comportamento atribuído ao candiru é, na verdade, um exagero baseado em crenças populares e relatos sem comprovação. “Basicamente, tudo isso é muito exagerado.”

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