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Quando o rio sobe e leva tudo: a luta dos ribeirinhos entre a cheia histórica de 1953 e os desafios de hoje

A cheia dos rios no Amazonas não é fenômeno novo, mas seus efeitos seguem devastadores para quem vive às margens das águas. Em 2026, pelo menos três municípios já decretaram situação de emergência com a subida dos rios. A Rede Onda Digital traz duas histórias que atravessam sete décadas para expor o impacto das enchentes na vida dos ribeirinhos.

Lúcia da Silva Lima, 84 anos, lembra bem disso. Em 1953, quando ainda era criança, morava no município de Careiro da Várzea, a 25 km de Manaus. Naquele ano, o Rio Negro atingiu 29,69 metros, uma das maiores cheias já registradas, atrás apenas da enchente de 1922. “Foi horrível. O rio encheu e chegou até a praça. A canoa podia ir até lá”, recorda.

Lúcia da Silva Lima, atualmente mora em Manaus (Foto: Arquivo pessoal)

A família de Lúcia sabia que aquela cheia seria diferente. Os mais velhos observavam as marcas nos troncos das árvores. “Era só conhecimento popular, experiência dos mais antigos”, explica. O irmão dela decidiu: não faria mais os assoalhos para levantar os pertences. A solução seria partir.

Ela, a mãe e os irmãos vieram de barco para Manaus. Quando chegaram, a cidade estava tomada pelas águas. “Dava para ir de canoa até o Largo de São Sebastião”, conta. A família passou uma semana na escadaria do Educandos, depois alugou uma casa na Visconde de Porto Alegre. Mais tarde, compraram um terreno no São Francisco. A vida recomeçou longe do rio.

Cheia do Rio Negro em 1953 (Foto: Silvino Santos / Instituto Durango Duarte)

70 anos se passaram

Sete décadas depois, a realidade dos ribeirinhos segue marcada pela imprevisibilidade das águas. Lairton Monteiro de Oliveira, morador de Canutama, a 620 km de Manaus, vive os efeitos da cheia de 2026. “Ano passado, no dia 23 de fevereiro, a água estava mais baixa. Agora, já está mais cheia. Teve mudança, sim”, compara.

Lairton Monteiro, morador de Canutama
Lairton Monteiro, morador de Canutama (Foto: Arquivo pessoal)

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As plantações de banana e outros cultivos não resistem. “Vão morrendo tudo. A gente passa por muita dificuldade nesse período”, desabafa. O acesso à escola, ao comércio, à cidade vira um problema. “A gente tem que andar a pé, com medo de arraia, de jacaré. É muito dificultoso.”

Em 2026, pelo menos três municípios já decretaram emergência: Eirunepé, Boca do Acre e, na última quinta-feira (19), Itamarati. O rio em Itamarati atingiu 21,40 metros, a 51 centímetros da maior cota histórica. No mesmo período de 2025, marcava 17,44 metros.

Cheia no município de Itamarati, em 2026 (Foto: Reprodução)

Resposta do poder público

A cheia de 2025 deixou números que ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. Na Operação Cheia daquele ano, o governo estadual enviou 809 toneladas de cestas básicas, 3.750 caixas d’água e mais de 57 mil copos de água potável para comunidades ribeirinhas. Mais de 1.200 comunidades foram alcançadas.

Maria Auxiliadora, 64 anos, moradora de Coari, recebeu uma dessas cestas. “Vai ajudar muito. Minha renda é pouca, só a aposentadoria. Essa ajuda chegou em boa hora”, agradeceu.

Em 2026, a previsão é que a cheia atinja 35 municípios, com mais de 690 mil pessoas afetadas. O governo mantém o monitoramento e ações preventivas.

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A cheia dos rios no Amazonas não é fenômeno novo, mas seus efeitos seguem devastadores para quem vive às margens das águas. Em 2026, pelo menos três municípios já decretaram situação de emergência com a subida dos rios. A Rede Onda Digital traz duas histórias que atravessam sete décadas para expor o impacto das enchentes na vida dos ribeirinhos.

Lúcia da Silva Lima, 84 anos, lembra bem disso. Em 1953, quando ainda era criança, morava no município de Careiro da Várzea, a 25 km de Manaus. Naquele ano, o Rio Negro atingiu 29,69 metros, uma das maiores cheias já registradas, atrás apenas da enchente de 1922. “Foi horrível. O rio encheu e chegou até a praça. A canoa podia ir até lá”, recorda.

Lúcia da Silva Lima, atualmente mora em Manaus (Foto: Arquivo pessoal)

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Ela, a mãe e os irmãos vieram de barco para Manaus. Quando chegaram, a cidade estava tomada pelas águas. “Dava para ir de canoa até o Largo de São Sebastião”, conta. A família passou uma semana na escadaria do Educandos, depois alugou uma casa na Visconde de Porto Alegre. Mais tarde, compraram um terreno no São Francisco. A vida recomeçou longe do rio.

Cheia do Rio Negro em 1953 (Foto: Silvino Santos / Instituto Durango Duarte)

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Lairton Monteiro, morador de Canutama
Lairton Monteiro, morador de Canutama (Foto: Arquivo pessoal)

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Cheia no município de Itamarati, em 2026 (Foto: Reprodução)

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