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Como Manaus consegue ser quente e sem sombra no meio da Amazônia?

Mesmo localizada no coração da Amazônia, a cidade de Manaus enfrenta um problema que parece contraditório: calor intenso e pouca sombra nas áreas urbanas. Especialistas apontam que a explicação vai muito além da geografia.

Segundo o engenheiro florestal e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), André Mendonça, a arborização urbana não acontece automaticamente, ela depende de planejamento e políticas públicas.

“Uma cidade cercada por floresta não é garantia de arborização urbana, porque isso é uma política pública”, afirma.

De acordo com ele, um dos principais problemas está no planejamento urbano defasado. “O plano diretor tem necessidade urgente de ser revisado. Isso é uma discussão para ontem”, destacou em entrevista à Onda Digital.

Além da falta de planejamento, há também uma questão cultural. Mendonça explica que, historicamente, elementos naturais dentro da cidade são vistos de forma negativa pela população.

“O que é natural muitas vezes é associado a algo ruim, como se aproximasse de um atraso. A cidade foi pensada para parecer europeia, não para valorizar a riqueza que existe aqui”, completa.

Outro ponto crítico é a impermeabilização do solo, com excesso de concreto e pouca área verde, o que contribui para o aumento da temperatura e problemas como alagamentos. Para o especialista, soluções passam por ações como ampliar áreas permeáveis, investir em drenagem e adotar projetos baseados na natureza.

“A gente precisa tirar concreto, deixar o solo respirar e planejar melhor os espaços urbanos”, explica.

O uso de espécies nativas também é essencial. Segundo Mendonça, elas são mais adaptadas ao clima e ajudam a manter a biodiversidade. No entanto, o espaço urbano muitas vezes não comporta árvores de grande porte, exigindo estudos e adaptações.

Apesar dos desafios, ele reconhece avanços recentes, como a criação de planos específicos de arborização. Ainda assim, reforça que o caminho depende da participação conjunta do poder público e da população.

“A mudança passa por educação ambiental, planejamento e envolvimento da sociedade”, conclui.


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Déficit de arborização

Mesmo situada no coração da Floresta Amazônica, a cidade de Manaus ainda enfrenta dificuldades para garantir uma arborização urbana adequada. O cenário contrasta com a riqueza natural da região e expõe falhas históricas no planejamento e na expansão urbana.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, menos da metade dos domicílios urbanos de Manaus estão localizados em vias com arborização, índice considerado baixo para uma capital inserida em um dos maiores biomas do mundo. A ausência de árvores impacta diretamente na qualidade de vida, contribuindo para o aumento da temperatura, piora da qualidade do ar e redução de áreas de sombra.

Criado para enfrentar esse problema, o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) estabelece diretrizes para o plantio, manutenção e preservação das árvores na cidade. O documento prioriza o uso de espécies nativas, define regras para poda e retirada e busca ampliar a cobertura vegetal em ruas, praças e espaços públicos.

Apesar disso, especialistas apontam entraves na execução. Entre os principais desafios estão a falta de manutenção contínua, conflitos com a infraestrutura urbana, como redes elétricas e calçadas, e a necessidade de maior integração entre órgãos públicos.

Além disso, o crescimento acelerado e desordenado de Manaus nas últimas décadas contribuiu para a redução de áreas verdes em regiões periféricas, onde o déficit de arborização é mais evidente. O debate ganha força diante das mudanças climáticas e do aumento das temperaturas urbanas.

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Mesmo localizada no coração da Amazônia, a cidade de Manaus enfrenta um problema que parece contraditório: calor intenso e pouca sombra nas áreas urbanas. Especialistas apontam que a explicação vai muito além da geografia.

Segundo o engenheiro florestal e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), André Mendonça, a arborização urbana não acontece automaticamente, ela depende de planejamento e políticas públicas.

“Uma cidade cercada por floresta não é garantia de arborização urbana, porque isso é uma política pública”, afirma.

De acordo com ele, um dos principais problemas está no planejamento urbano defasado. “O plano diretor tem necessidade urgente de ser revisado. Isso é uma discussão para ontem”, destacou em entrevista à Onda Digital.

Além da falta de planejamento, há também uma questão cultural. Mendonça explica que, historicamente, elementos naturais dentro da cidade são vistos de forma negativa pela população.

“O que é natural muitas vezes é associado a algo ruim, como se aproximasse de um atraso. A cidade foi pensada para parecer europeia, não para valorizar a riqueza que existe aqui”, completa.

Outro ponto crítico é a impermeabilização do solo, com excesso de concreto e pouca área verde, o que contribui para o aumento da temperatura e problemas como alagamentos. Para o especialista, soluções passam por ações como ampliar áreas permeáveis, investir em drenagem e adotar projetos baseados na natureza.

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Apesar dos desafios, ele reconhece avanços recentes, como a criação de planos específicos de arborização. Ainda assim, reforça que o caminho depende da participação conjunta do poder público e da população.

“A mudança passa por educação ambiental, planejamento e envolvimento da sociedade”, conclui.


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