A distância entre as comunidades indígenas e os serviços de saúde especializados ainda é um dos principais desafios para o atendimento no Amazonas. Em muitos territórios, o acesso a médicos, exames e tratamentos depende de longas viagens fluviais ou aéreas. Ao mesmo tempo, doenças evitáveis continuam entre os problemas de saúde registrados nas comunidades.
No DSEI Alto Rio Negro, foram registrados 880 óbitos entre 2018 e 2022. Desse total, 107 ocorreram entre crianças menores de um ano, o equivalente a 12,1% das mortes no período.
No DSEI Manaus, foram registrados 349 óbitos entre 2018 e 2022, sendo 37 de crianças menores de um ano, ou 10,6% do total. Em 2022, a taxa de mortalidade infantil entre os indígenas atendidos pelo distrito chegou a 10,29 mortes para cada mil nascidos vivos.
No Alto Rio Negro, diarreias, pneumonia e septicemia aparecem entre as principais causas de mortalidade infantil nos três anos analisados pelo Ministério da Saúde. O órgão considera essas ocorrências evitáveis e aponta a melhoria do pré-natal, da puericultura e da assistência nas comunidades como medidas para reduzir os casos.
Doenças ainda são desafio
A situação varia entre os territórios, mas infecções respiratórias, doenças diarreicas, malária, tuberculose e desnutrição continuam entre os principais agravos acompanhados pelos serviços de saúde indígena.
No território Yanomami, o Ministério da Saúde registra a ocorrência desses problemas, mas os dados mais recentes também apontam melhora em alguns indicadores. No primeiro semestre de 2026, os óbitos por desnutrição caíram 75,7% em comparação com o mesmo período de 2023. As mortes por infecções respiratórias tiveram redução de 40,8%.
A ampliação do diagnóstico também contribuiu para o acompanhamento das doenças. Nos primeiros seis meses de 2026, foram realizados 145 mil exames para identificar malária entre os Yanomami, 85,4% a mais que no mesmo período de 2023.
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Atendimento especializado chega às comunidades
Para diminuir a necessidade de deslocamentos, ações de saúde têm levado especialistas e exames diretamente aos territórios.
No Polo Base Marauiá, em Santa Isabel do Rio Negro, estão previstos até 30 de agosto 800 atendimentos médicos e 1.480 exames. A programação inclui consultas de oftalmologia, pediatria, ginecologia e clínica médica, além de exames oftalmológicos, ultrassonografias e hemogramas.
No território do povo Pirahã, no sul do Amazonas, uma ação realizada no início de agosto fez 1.155 atendimentos, entre consultas e exames, para 478 indígenas.
Esse tipo de atendimento facilita o diagnóstico e reduz a necessidade de viagens para os centros urbanos. Ainda assim, pacientes que precisam de procedimentos de média e alta complexidade continuam dependendo de estruturas fora das comunidades.
No território Yanomami, o desafio logístico é ainda maior. O DSEI atende 34.920 indígenas distribuídos em 429 aldeias e 37 polos-base, em uma área de 96.649 quilômetros quadrados. Segundo o Ministério da Saúde, 98% do acesso à região é feito por via aérea.
Casos complexos ainda exigem deslocamento
A necessidade de atendimento fora dos territórios aparece principalmente nos casos que exigem especialistas ou exames mais específicos.
Entre 20 e 25 de agosto, uma ação voltada aos Yanomami atendidos na CASAI, em Boa Vista, ofereceu consultas em pediatria, ginecologia e obstetrícia, infectologia, ortopedia e radiologia. Também foram realizadas teleinterconsultas em neurologia, cirurgia geral e dermatologia.
A realização de consultas e exames nas próprias comunidades pode ajudar a identificar doenças antes que elas se agravem e evitar deslocamentos desnecessários. Porém, a assistência aos casos mais complexos ainda depende de transporte, equipes especializadas e estrutura hospitalar em outros municípios.
Os dados mostram avanços no diagnóstico e no tratamento de algumas doenças, especialmente entre os Yanomami. Mas a permanência de enfermidades evitáveis e os registros de mortalidade infantil mostram que garantir atendimento regular e especializado continua sendo um dos principais desafios da saúde indígena no Amazonas.
