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Falta de árvores e planejamento podem aumentar o calor nas ruas de Manaus, diz especialista

Manaus enfrenta dias de calor intenso, e para quem precisa circular pela cidade, a falta de sombra e de espaços preparados para as altas temperaturas pode tornar a rotina ainda mais difícil. Nesta terça-feira (1º/9), a capital amazonense registrou 37,6°C, a maior temperatura do ano, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ainda neste mês de agosto os termômetros atingiram 36,2°C no dia 10; 36,1°C no dia 11, e 37,1 no dia 25.

Nesse cenário, a arborização aparece como uma das alternativas para melhorar o conforto térmico, mas, segundo a arquiteta e urbanista Bianca Beatriz, plantar árvores, sozinho, não resolve o problema.

Para ela, a cidade precisa de um planejamento urbano integrado, que leve em conta não apenas as árvores, mas também calçadas adequadas, acessibilidade, mobiliário urbano e outros elementos da infraestrutura.

“A arborização ela é um ponto. De fato, a gente precisa ter um planejamento integrado. Quando eu digo integrado, é pensando não só na arborização, mas é pensando no passeio público, é pensando numa faixa acessível”, explica Bianca.


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Áreas verdes ajudam a amenizar o calor

A relação entre vegetação e temperatura também aparece em pesquisas realizadas especificamente em Manaus. Um estudo publicado em 2023 na Revista Científica ANAP Brasil, de autoria do geógrafo Danilo Fernandes de Brito e do professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) João Cândido André da Silva Neto, analisou como a presença de vegetação e a ocupação urbana influenciam a temperatura da superfície na capital amazonense.

Intitulado “Índice de vegetação e Temperatura da superfície na cidade de Manaus, Amazonas”, o trabalho utilizou imagens dos satélites Landsat-8 e Sentinel-2 para mapear a vegetação e a temperatura em diferentes pontos da cidade.

Os pesquisadores encontraram temperaturas de superfície próximas de 30,5°C nas áreas com maior presença de vegetação e menor quantidade de construções. Já os maiores registros ultrapassaram 41°C, principalmente em regiões densamente ocupadas e com atividades industriais.

Foto: Avaliação das ilhas de calor urbanas e do desconforto térmico no bioma Amazônico no Brasil: um estudo de caso da cidade de Manaus

O levantamento também encontrou diferenças entre bairros. O Coroado, na zona Leste, foi citado como uma área com temperaturas mais amenas e maior presença de vegetação, sendo classificado pelos pesquisadores como uma espécie de “ilha de frescor”. Já a Cidade Nova, na zona Norte, apesar de ser uma área planejada, apresentou temperaturas elevadas, com a pouca vegetação entre os fatores relacionados ao calor.

Na conclusão, os autores apontam uma relação entre menores índices de vegetação e temperaturas mais altas e destacam a importância dos espaços verdes para ajudar na regulação térmica e no conforto da população.

Ilha de calor aumenta a sensação de desconforto

Outro estudo, publicado na revista científica Building and Environment, também analisou o comportamento da ilha de calor urbana em Manaus. A pesquisa foi realizada por Nikolai da Silva Espinoza, Carlos Antonio Costa dos Santos, Maria Betânia Leal de Oliveira, Madson Tavares Silva, Celso Augusto Guimarães Santos, Richarde Marques da Silva, Manoranjan Mishra e Rosaria Rodrigues Ferreira.

O trabalho utilizou dados de temperatura e umidade coletados em seis estações meteorológicas, além de imagens de satélite de diferentes períodos. Os pesquisadores identificaram uma ilha de calor urbana média de aproximadamente 4°C em Manaus.

O estudo também apontou diferença no índice de calor entre áreas urbanas e rurais. Os valores chegaram a 34°C na área urbana e 28°C na área rural, uma diferença de 6°C.

Os pesquisadores observaram ainda que a ilha de calor atmosférica ficou mais evidente durante a noite, especialmente nas regiões sul e leste de Manaus. Segundo o estudo, o fenômeno pode reduzir o conforto térmico nos espaços urbanos e afetar a qualidade de vida da população.

Pontos de ônibus também preocupam

Um dos exemplos citados pela especialista são os pontos de ônibus. Estruturas expostas diretamente ao sol podem aumentar o desconforto de quem espera pelo transporte público. Bianca defende que novos modelos sejam pensados levando em consideração as características climáticas de Manaus.

Foto: Rede Onda Digital

“Por conta do conforto térmico que nós temos, devido a nossa cidade ser extremamente quente, se a gente tem um ponto de ônibus que está com uma arquitetura que não ajuda nesse conforto térmico, isso se torna insalubre para o cidadão que está ali. Então, a gente precisa pensar num novo plano para os mobiliários urbanos na nossa cidade. A gente precisa pensar realmente em pontos de ônibus que se preocupem nessa sensação térmica”, disse ela.

A proposta, segundo ela, poderia começar com projetos-piloto em locais estratégicos da cidade. A ideia seria comparar estruturas tradicionais com pontos planejados para oferecer mais sombra e conforto térmico.

Verticalização é a causa?

Outro ponto levantado na entrevista é a relação entre o crescimento vertical de Manaus e o aumento do calor. Para a especialista, a verticalização, por si só, não explica o problema.

Ela cita São Paulo como exemplo de uma cidade altamente verticalizada que possui estratégias de arborização e planejamento urbano capazes de melhorar o conforto térmico em determinadas áreas.

A arquiteta também defende que o crescimento da cidade siga as regras previstas no Plano Diretor e no planejamento de arborização. Para ela, não basta existirem normas: é necessário fiscalizar e garantir que sejam cumpridas.

 

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Manaus enfrenta dias de calor intenso, e para quem precisa circular pela cidade, a falta de sombra e de espaços preparados para as altas temperaturas pode tornar a rotina ainda mais difícil. Nesta terça-feira (1º/9), a capital amazonense registrou 37,6°C, a maior temperatura do ano, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Ainda neste mês de agosto os termômetros atingiram 36,2°C no dia 10; 36,1°C no dia 11, e 37,1 no dia 25.

Nesse cenário, a arborização aparece como uma das alternativas para melhorar o conforto térmico, mas, segundo a arquiteta e urbanista Bianca Beatriz, plantar árvores, sozinho, não resolve o problema.

Para ela, a cidade precisa de um planejamento urbano integrado, que leve em conta não apenas as árvores, mas também calçadas adequadas, acessibilidade, mobiliário urbano e outros elementos da infraestrutura.

“A arborização ela é um ponto. De fato, a gente precisa ter um planejamento integrado. Quando eu digo integrado, é pensando não só na arborização, mas é pensando no passeio público, é pensando numa faixa acessível”, explica Bianca.


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Intitulado “Índice de vegetação e Temperatura da superfície na cidade de Manaus, Amazonas”, o trabalho utilizou imagens dos satélites Landsat-8 e Sentinel-2 para mapear a vegetação e a temperatura em diferentes pontos da cidade.

Os pesquisadores encontraram temperaturas de superfície próximas de 30,5°C nas áreas com maior presença de vegetação e menor quantidade de construções. Já os maiores registros ultrapassaram 41°C, principalmente em regiões densamente ocupadas e com atividades industriais.

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Na conclusão, os autores apontam uma relação entre menores índices de vegetação e temperaturas mais altas e destacam a importância dos espaços verdes para ajudar na regulação térmica e no conforto da população.

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O trabalho utilizou dados de temperatura e umidade coletados em seis estações meteorológicas, além de imagens de satélite de diferentes períodos. Os pesquisadores identificaram uma ilha de calor urbana média de aproximadamente 4°C em Manaus.

O estudo também apontou diferença no índice de calor entre áreas urbanas e rurais. Os valores chegaram a 34°C na área urbana e 28°C na área rural, uma diferença de 6°C.

Os pesquisadores observaram ainda que a ilha de calor atmosférica ficou mais evidente durante a noite, especialmente nas regiões sul e leste de Manaus. Segundo o estudo, o fenômeno pode reduzir o conforto térmico nos espaços urbanos e afetar a qualidade de vida da população.

Pontos de ônibus também preocupam

Um dos exemplos citados pela especialista são os pontos de ônibus. Estruturas expostas diretamente ao sol podem aumentar o desconforto de quem espera pelo transporte público. Bianca defende que novos modelos sejam pensados levando em consideração as características climáticas de Manaus.

Foto: Rede Onda Digital

“Por conta do conforto térmico que nós temos, devido a nossa cidade ser extremamente quente, se a gente tem um ponto de ônibus que está com uma arquitetura que não ajuda nesse conforto térmico, isso se torna insalubre para o cidadão que está ali. Então, a gente precisa pensar num novo plano para os mobiliários urbanos na nossa cidade. A gente precisa pensar realmente em pontos de ônibus que se preocupem nessa sensação térmica”, disse ela.

A proposta, segundo ela, poderia começar com projetos-piloto em locais estratégicos da cidade. A ideia seria comparar estruturas tradicionais com pontos planejados para oferecer mais sombra e conforto térmico.

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