“Eu espero encontrar uma Amazônia preservada, viva e, acima de tudo, respeitada.” A frase da jovem jornalista Isabella Rabelo traduz uma preocupação que ultrapassa a preservação da floresta, mas se aAmazônia será deixada para quem está chegando à vida adulta.
Neste sábado (5), quando é celebrado o Dia da Amazônia, a data também abre espaço para olhar para as transformações pelas quais a região passou nas últimas décadas.
O crescimento das cidades, a busca por oportunidades, o avanço da tecnologia e as mudanças no clima alteraram a rotina de quem vive na Amazônia e trouxeram novos desafios para as próximas gerações.
Para Isabella, os jovens não são apenas espectadores dessas mudanças.
“Acho que nós, jovens, temos um papel muito importante nisso, porque o futuro que vamos viver começa nas escolhas que fazemos hoje. Precisamos nos conscientizar, cuidar da floresta e entender que preservar a Amazônia também é cuidar de nós mesmos e das próximas gerações”, disse.

Uma região que mudou
O professor Raimundo observa essas mudanças a partir de uma perspectiva histórica. Ele lembra que a população da Região Norte cresceu de cerca de 6 milhões de habitantes, em 1980, para 17 milhões, segundo os dados do Censo de 2022.
Esse crescimento esteve ligado a diferentes ciclos econômicos, à abertura de estradas, à exploração mineral, ao avanço do agronegócio e, no caso de Manaus, à consolidação do Polo Industrial.
A capital amazonense se tornou um importante polo de atração populacional, mas o crescimento não foi acompanhado, na mesma proporção, pelo planejamento urbano.
“O que era uma região na década de 80? Uma região que vinha, de alguma forma, já dentro de um projeto de integrar a região aos polos de desenvolvimento Sul e Sudeste”, explica o professor.
Segundo ele, as transformações econômicas também precisam ser analisadas junto aos impactos ambientais e sociais.
“Temos a degradação ambiental, a questão da pobreza, da habitação, da mobilidade urbana e do saneamento básico na Amazônia. Isso torna a cidade um tanto mais difícil de viver”, disse.

Leia mais
El Niño eleva risco de incêndio na Amazônia e outros biomas
Mais de 2 mil localidades da Amazônia sofreram seca extrema no El Niño de 2024
Ficar ou partir
Para Joana Calheiros, que saiu de Itacoatiara em busca de melhores oportunidades de vida e trabalho, essa realidade também aparece na trajetória de muitos amazonenses.
A conectividade aproximou o interior do mundo e criou novas possibilidades, mas ainda não resolveu um problema fundamental que é a falta de oportunidades suficientes para que muitos jovens possam construir a própria vida onde nasceram.
“Viver em Manaus e no interior do Amazonas hoje é muito diferente do que era há dez ou vinte anos. As transformações mais profundas não aconteceram apenas no visual das cidades com novas obras viárias, mas principalmente nos hábitos diários, na comunicação e na economia local, impulsionadas pela conectividade digital e pela expansão da cidade”, disse Joana.
Nesse cenário, o Dia da Amazônia deixa de ser apenas uma celebração da floresta. Passa a ser também uma discussão sobre o direito de viver na região com qualidade, oportunidades e perspectivas de futuro.
