A fumaça que encobre Manaus neste sábado (17) tem afetado a rotina de quem precisa trabalhar nas ruas e permanecer exposto ao ar livre. Além do desconforto provocado pelo cheiro forte e pela dificuldade para respirar, a baixa visibilidade prejudica atividades profissionais que dependem de imagens externas. Entre os mais afetados estão pessoas com asma, que relatam maior dificuldade para lidar com a poluição.
A influenciadora Carla Evellyn, que é asmática, conta que percebeu a presença da fumaça ainda no quarto, ao acordar. Além do cheiro forte, ela sentiu dor de cabeça e descreveu o início do dia como desconfortável. Por ter asma, a situação aumentou a preocupação com a própria saúde.
“Eu acho que é respirar. Respirar, com certeza, porque não tem como tu respirar e não sentir o cheiro da fumaça”, afirmou.
Carla diz que precisou adaptar a rotina e passou a usar máscara ao sair de casa. Ela também alertou para a importância de escolher equipamentos de proteção adequados, em vez de recorrer a modelos muito finos, que podem oferecer proteção limitada contra partículas presentes no ar.
Já o influenciador digital Rodrigo de Souza, que também é asmático, relata mudanças na produção de conteúdo. Antes, costumava procurar cenários diferentes e gravar principalmente em ambientes externos. Com a fumaça, passou a evitar esse tipo de atividade.
“Como eu trabalho criando conteúdo, normalmente eu tento pegar cenários diferentes, principalmente fora de casa. Só que agora eu tô evitando completamente isso aí, principalmente porque eu também sou asmático”, contou.
Rodrigo conta que sente ardência nos olhos quando anda de moto e afirma que o calor intensifica o desconforto. Para ele, voltar a usar máscara depois da pandemia foi uma experiência desagradável, mas necessária diante das condições do ar.
“É um desconforto, mas, ao mesmo tempo, é essencial, principalmente nesse período com fumaça”, disse.
O videomaker Wesley Melo afirma que a fumaça compromete até mesmo a captação de imagens. Segundo ele, a visibilidade reduzida dificulta a gravação de planos abertos e de cenários externos, essenciais para a produção de conteúdo.
“Com essa fumaça fica impossível até mesmo capturar as imagens, por conta de que não tem como ver ao longo da visão”, relatou.
Como o trabalho exige deslocamentos e gravações fora de ambientes fechados, Wesley precisou reforçar os cuidados. Ele conta que passou a usar máscara e a evitar sair de casa quando possível. Também mencionou o calor intenso e a necessidade de se proteger do sol durante as atividades externas.
Exposição à fumaça exige cuidados
A fumaça de queimadas pode conter material particulado e gases irritantes que afetam o sistema respiratório. A exposição pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias, como asma e bronquite. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares estão entre os grupos que exigem atenção especial.
A percepção de cheiro forte, porém, não permite determinar sozinha o nível de poluição nem identificar a origem da fumaça. Para avaliar a gravidade do episódio, é importante acompanhar os dados oficiais de qualidade do ar e as informações dos órgãos ambientais e de saúde.
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Enquanto a fumaça persistir, a recomendação geral é reduzir atividades físicas ao ar livre, evitar exposição prolongada e manter portas e janelas fechadas quando a concentração de fumaça estiver elevada. Quem precisar sair pode considerar o uso de respiradores bem ajustados, como os modelos PFF2 ou N95, que filtram partículas melhor do que máscaras de tecido ou cirúrgicas. Esses respiradores não protegem contra todos os gases presentes na fumaça.
Pessoas com asma ou outras doenças respiratórias devem seguir as orientações médicas e manter os medicamentos prescritos disponíveis. Em caso de falta de ar intensa, piora importante dos sintomas ou dificuldade para respirar, é necessário procurar atendimento de saúde.
Os relatos mostram como a fumaça ultrapassa o desconforto ambiental e interfere no trabalho, na mobilidade e nas atividades cotidianas de quem vive em Manaus. Para quem depende de gravações externas ou já enfrenta problemas respiratórios, a permanência da poluição no ar representa um desafio adicional à rotina.
