O Ministério da Saúde prorrogou por mais seis meses os contratos de 676 médicos que ingressaram no primeiro ciclo do programa Mais Médicos Especialistas. A medida foi publicada nesta quarta-feira (26) no Diário Oficial da União (DOU) e permite que os profissionais permaneçam na iniciativa até fevereiro de 2027.
A decisão tem impacto direto sobre a distribuição de médicos especializados no país, especialmente em regiões com dificuldade de atrair e manter esses profissionais. No Amazonas, o cenário chama atenção: 92% dos médicos especialistas estão concentrados em Manaus, segundo dados apresentados pelo Ministério da Saúde.
A concentração na capital contrasta com a realidade do interior do estado, onde a oferta de especialistas é menor e o deslocamento de pacientes para Manaus é uma alternativa frequente para a realização de consultas, exames e procedimentos de maior complexidade.
Prorrogação depende de adesão
A extensão dos contratos contempla os médicos que participaram do primeiro edital do Mais Médicos Especialistas, lançado em 2025. Os profissionais iniciaram as atividades em setembro daquele ano.
A permanência até fevereiro de 2027, no entanto, não é automática: depende da adesão dos médicos e da manifestação de interesse dos serviços de saúde onde eles atuam.
Segundo o Ministério da Saúde, a medida também permitirá avaliar estratégias para garantir a permanência dos especialistas nas regiões atendidas depois do encerramento do período atual.
O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, afirmou que os 676 profissionais do primeiro ciclo estão incluídos na prorrogação. Outros 451 médicos ingressaram recentemente e começaram os procedimentos para atuação.
Norte é prioridade
A distribuição dos especialistas revela uma forte desigualdade regional. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas cerca de 6% dos médicos especialistas do país estão na região Norte, enquanto aproximadamente 54% a 55% estão concentrados no Sudeste.
No Amazonas, essa desigualdade é ainda mais evidente dentro do próprio estado: nove em cada dez especialistas estão em Manaus, deixando os municípios do interior com uma parcela reduzida desses profissionais.
É justamente nesse cenário que o Mais Médicos Especialistas busca atuar, levando profissionais para unidades de saúde que já possuem estrutura para realizar determinados atendimentos e procedimentos, mas enfrentam falta de médicos especializados.
Programa já ampliou procedimentos
Segundo o governo federal, a presença dos especialistas já provocou aumento na realização de procedimentos em municípios atendidos pelo programa.
Em Bocaiuva (MG), por exemplo, a média de endoscopias realizadas teria passado de sete para 104 após a chegada de um especialista.
Outro exemplo citado pelo Ministério da Saúde está no Acre, onde três dos quatro cirurgiões oncológicos existentes no estado integram o programa. Segundo a pasta, a presença desses profissionais possibilitou a realização de cirurgias para pacientes com câncer.
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Bolsas podem chegar a R$ 20 mil
Para estimular a atuação em áreas com maior dificuldade de contratação e fixação de especialistas, o programa oferece bolsas diferenciadas. Na região Norte, os valores podem chegar a R$ 20 mil para uma jornada de 20 horas semanais, de acordo com o Ministério da Saúde.
A estratégia busca tornar municípios fora dos grandes centros mais atrativos para profissionais especializados, mas o governo avalia que a permanência definitiva depende também da criação de vínculos profissionais e de oportunidades de carreira.
Governo estuda fixação permanente
Além da prorrogação dos contratos, o Ministério da Saúde analisa alternativas para manter os médicos nas regiões consideradas prioritárias. Entre as possibilidades está a criação de novos modelos de vínculo, incluindo contratação pelo regime CLT, além de mecanismos de progressão na carreira e incentivos para profissionais que permanecerem em localidades de difícil fixação.
A pasta também mantém parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para acompanhar a atuação dos médicos e avaliar os efeitos da iniciativa sobre os serviços de saúde.
A proposta é combinar a presença temporária dos especialistas com políticas de formação e residência médica. Para o governo, ampliar a estrutura de hospitais e policlínicas sem garantir profissionais especializados não resolve, sozinho, o problema do acesso à saúde.
No Amazonas, onde a concentração de especialistas em Manaus chega a 92%, o desafio é fazer com que a ampliação da oferta alcance também o interior e reduza a dependência da capital para atendimentos especializados.
