Manaus entra no período mais quente e seco do ano com um aumento significativo no consumo de água. Entre agosto e novembro, a capital amazonense registra um acréscimo de aproximadamente 30 mil metros cúbicos de água por dia, volume equivalente a cerca de 12 piscinas olímpicas.
A estimativa é da gerente de operações da Águas de Manaus, Jéssica Candeia, que explicou ao Onda News que o aumento está diretamente relacionado às temperaturas mais elevadas registradas na cidade durante os meses de estiagem.

“Então a gente tem uma estimativa de consumo em relação aos anos, do primeiro semestre e do segundo semestre. Então dá mais ou menos 30 mil metros cúbicos por dia. O que é isso? Mais ou menos 12 piscinas olímpicas que a gente aumenta de consumo na nossa capital amazonense só por conta realmente dessas temperaturas mais elevadas”, afirmou.
Segundo Jéssica, o período de maior consumo costuma se estender de agosto até novembro, quando as chuvas começam a retornar com maior frequência.
Calor muda hábitos da população
O aumento da demanda está relacionado também às mudanças nos hábitos cotidianos provocadas pelo calor. Com temperaturas mais altas, a população tende a tomar mais banhos, aumentar o consumo de água para hidratação e utilizar o recurso com maior frequência em atividades domésticas.
“A gente vê toda a tendência de consumo do nosso consumidor, da gente mesmo. A gente toma mais banho, a gente bebe mais água, a gente acaba usando realmente mais água para o nosso consumo do nosso dia a dia”, explicou a gerente.
O cenário ganhou ainda mais atenção depois que Manaus registrou, na segunda-feira (10/8), até o momento o dia mais quente do ano, com 36,1°C.
As altas temperaturas aumentam o risco de desidratação, insolação e exaustão pelo calor. Crianças menores de cinco anos, prematuros, crianças com deficiência e pessoas com doenças crônicas, como asma, estão entre os grupos que exigem atenção redobrada durante períodos de calor intenso.
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Pouca chuva agrava cenário
Além do calor, Manaus enfrenta um período mais seco que o normal. Dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) apontam que a capital registrou aproximadamente 3,5 milímetros de chuva nos primeiros dez dias de agosto, o equivalente a cerca de 1% da média esperada para o período.
Com menos chuva e temperaturas elevadas, a demanda por água aumenta. Banhos mais frequentes e demorados, maior consumo para hidratação e limpezas residenciais mais constantes acabam pressionando o consumo doméstico.
Jéssica também citou o fenômeno El Niño como um dos fatores associados às condições de temperatura observadas na região.
“A gente sabe que o El Niño está confirmado agora para o nosso hemisfério sul, que impacta diretamente aqui a nossa temperatura da capital amazonense”, disse.
Economia também começa dentro de casa
Diante do aumento do consumo, a orientação é para que os moradores adotem medidas simples para evitar desperdícios e também reduzir o impacto na conta de água no fim do mês.
Entre as recomendações estão fechar a torneira enquanto escova os dentes, evitar banhos demorados e utilizar baldes em vez de mangueiras para lavar pátios e calçadas.
A Águas de Manaus afirma que mantém ações de orientação por meio de campanhas e atendimento ao consumidor para estimular o uso consciente da água.
A concessionária também orienta os moradores a comunicarem vazamentos identificados nas ruas, já que os problemas na rede podem provocar desperdício e prejudicar o abastecimento.
Em um período no qual Manaus pode consumir diariamente o equivalente a 12 piscinas olímpicas a mais, pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença para reduzir o desperdício e preservar o abastecimento durante os meses de maior calor.
