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PIB do Amazonas mantém ciclo de alta puxado por indústria e serviços

O crescimento de 2,87% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas no primeiro trimestre de 2026 não representa um resultado isolado. O estado vem acumulando uma sequência de altas desde 2024, sustentada principalmente pelo desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), pela expansão do setor de serviços e pelo aumento da renda e do consumo das famílias.

Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) mostram que o PIB amazonense cresceu 2,87% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Em valores correntes, a economia movimentou R$ 47,5 bilhões, um avanço nominal de 7,13%.

Especialistas apontam fatores estruturais

Para o assessor econômico da Sedecti, Alcides Saggioro, o Amazonas costuma apresentar desempenho superior ao nacional porque sua economia está fortemente ligada ao mercado consumidor brasileiro.

“O PIB do Amazonas geralmente cresce acima das taxas do Brasil. Nosso modelo industrial é baseado na substituição de importações: importamos insumos, realizamos a manufatura aqui e comercializamos grande parte da produção no mercado nacional. Quando a economia brasileira cresce, o Amazonas tende a avançar ainda mais”, afirmou.

Segundo ele, esse movimento se traduz em mais atividade econômica, geração de empregos, aumento da arrecadação e expansão da renda.

A economista Michele Aracaty, pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), afirma que indústria, comércio e serviços superaram as expectativas no início de 2026.

“O crescimento da economia amazonense foi impulsionado principalmente pelo desempenho dos setores de comércio e serviços e também por uma forte expansão observada no Polo Industrial de Manaus. Tanto a indústria quanto o comércio e os serviços apresentaram resultados muito além das expectativas desenhadas para o período”, avaliou.


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Para ela, o aumento da renda disponível fortaleceu a capacidade de consumo das famílias.

“Esse avanço demonstra uma maior capacidade de consumo da população, o que fomenta a atividade econômica e amplia a arrecadação do setor público. Os empresários do comércio permaneceram em uma zona de otimismo, impulsionados por um ambiente de negócios favorável”, acrescentou.

Polo Industrial segue como principal motor

O economista Inaldo Seixas, conselheiro do Corecon-AM/RR e supervisor técnico do Dieese, afirma que o Polo Industrial de Manaus continua sendo o principal responsável pelo desempenho da economia estadual.

“O faturamento do Polo Industrial de Manaus vem batendo recordes ano após ano. Isso repercute diretamente na arrecadação do Estado e dos municípios e também impulsiona, de forma indireta, os setores de comércio e serviços, contribuindo para a performance do PIB amazonense”, afirmou.

Segundo ele, enquanto a indústria mantiver esse ritmo, a tendência é de estabilidade ou até mesmo de crescimento ao longo do restante de 2026.

“A economia amazonense ainda deverá depender por muitos anos do comportamento do setor industrial. Quando a indústria vai bem, ela arrasta outros setores, amplia o emprego, aumenta a renda do trabalhador e fortalece a capacidade de consumo das famílias”, disse.

Os dados da Sedecti reforçam essa avaliação. O setor de serviços liderou o crescimento da economia amazonense, movimentando R$ 22 bilhões nos três primeiros meses do ano e registrando alta de 7,09% em relação ao mesmo período de 2025.

A indústria movimentou R$ 16,1 bilhões e cresceu 7,01% na comparação anual. O principal destaque foi a fabricação de equipamentos de transporte, segmento que engloba motocicletas e bicicletas, com avanço de 11,69% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e de 15,39% frente ao último trimestre de 2025.

Crescimento chega à economia e à renda

Na avaliação dos especialistas, os efeitos do crescimento econômico não ficam restritos aos indicadores macroeconômicos.

Michele Aracaty afirma que o avanço do PIB se traduz em benefícios concretos para a população.

“O crescimento do PIB reflete um aumento na produção de riquezas e serviços, e esse movimento chega às pessoas por meio da geração de emprego e do aumento da massa salarial. Quanto maior a arrecadação, maiores são os recursos disponíveis para saúde, educação e infraestrutura”, disse.

Inaldo Seixas acrescenta que a melhoria da renda também está relacionada aos reajustes do salário mínimo acima da inflação e à valorização dos pisos salariais.

“A renda do trabalhador médio vem crescendo, seja pelos aumentos do salário mínimo ou pela melhora das remunerações em diferentes categorias. Isso fortalece a demanda interna e ajuda a explicar o desempenho positivo e até surpreendente do PIB amazonense e nacional”, afirmou.

Juros seguem como principal desafio

Apesar do cenário favorável, os economistas avaliam que a manutenção desse ciclo dependerá da política de juros.

“Se houver redução da Selic, poderemos assistir a um crescimento ainda maior da atividade econômica. A tendência atual, entretanto, é de estabilidade, desde que não ocorram choques externos relevantes”, avaliou Alcides Saggioro.

Michele Aracaty concorda que o ambiente econômico exige cautela.

“Uma taxa de juros elevada, combinada com o endividamento das famílias, impõe desafios para o crédito, o consumo e os investimentos das empresas. Ainda assim, o Polo Industrial de Manaus e o setor de serviços têm demonstrado grande resiliência”, destacou.

Para Inaldo Seixas, o próximo passo é transformar o dinamismo econômico em desenvolvimento mais equilibrado para todo o estado.

“Os recursos gerados pelo Polo Industrial financiam educação superior, pesquisa, inovação e fundos voltados às pequenas empresas e ao interior. O desafio é fazer com que esse crescimento se converta em melhorias efetivas na qualidade de vida e alcance todos os municípios do Amazonas”, concluiu.

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O crescimento de 2,87% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas no primeiro trimestre de 2026 não representa um resultado isolado. O estado vem acumulando uma sequência de altas desde 2024, sustentada principalmente pelo desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM), pela expansão do setor de serviços e pelo aumento da renda e do consumo das famílias.

Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) mostram que o PIB amazonense cresceu 2,87% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Em valores correntes, a economia movimentou R$ 47,5 bilhões, um avanço nominal de 7,13%.

Especialistas apontam fatores estruturais

Para o assessor econômico da Sedecti, Alcides Saggioro, o Amazonas costuma apresentar desempenho superior ao nacional porque sua economia está fortemente ligada ao mercado consumidor brasileiro.

“O PIB do Amazonas geralmente cresce acima das taxas do Brasil. Nosso modelo industrial é baseado na substituição de importações: importamos insumos, realizamos a manufatura aqui e comercializamos grande parte da produção no mercado nacional. Quando a economia brasileira cresce, o Amazonas tende a avançar ainda mais”, afirmou.

Segundo ele, esse movimento se traduz em mais atividade econômica, geração de empregos, aumento da arrecadação e expansão da renda.

A economista Michele Aracaty, pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), afirma que indústria, comércio e serviços superaram as expectativas no início de 2026.

“O crescimento da economia amazonense foi impulsionado principalmente pelo desempenho dos setores de comércio e serviços e também por uma forte expansão observada no Polo Industrial de Manaus. Tanto a indústria quanto o comércio e os serviços apresentaram resultados muito além das expectativas desenhadas para o período”, avaliou.


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Polo Industrial segue como principal motor

O economista Inaldo Seixas, conselheiro do Corecon-AM/RR e supervisor técnico do Dieese, afirma que o Polo Industrial de Manaus continua sendo o principal responsável pelo desempenho da economia estadual.

“O faturamento do Polo Industrial de Manaus vem batendo recordes ano após ano. Isso repercute diretamente na arrecadação do Estado e dos municípios e também impulsiona, de forma indireta, os setores de comércio e serviços, contribuindo para a performance do PIB amazonense”, afirmou.

Segundo ele, enquanto a indústria mantiver esse ritmo, a tendência é de estabilidade ou até mesmo de crescimento ao longo do restante de 2026.

“A economia amazonense ainda deverá depender por muitos anos do comportamento do setor industrial. Quando a indústria vai bem, ela arrasta outros setores, amplia o emprego, aumenta a renda do trabalhador e fortalece a capacidade de consumo das famílias”, disse.

Os dados da Sedecti reforçam essa avaliação. O setor de serviços liderou o crescimento da economia amazonense, movimentando R$ 22 bilhões nos três primeiros meses do ano e registrando alta de 7,09% em relação ao mesmo período de 2025.

A indústria movimentou R$ 16,1 bilhões e cresceu 7,01% na comparação anual. O principal destaque foi a fabricação de equipamentos de transporte, segmento que engloba motocicletas e bicicletas, com avanço de 11,69% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e de 15,39% frente ao último trimestre de 2025.

Crescimento chega à economia e à renda

Na avaliação dos especialistas, os efeitos do crescimento econômico não ficam restritos aos indicadores macroeconômicos.

Michele Aracaty afirma que o avanço do PIB se traduz em benefícios concretos para a população.

“O crescimento do PIB reflete um aumento na produção de riquezas e serviços, e esse movimento chega às pessoas por meio da geração de emprego e do aumento da massa salarial. Quanto maior a arrecadação, maiores são os recursos disponíveis para saúde, educação e infraestrutura”, disse.

Inaldo Seixas acrescenta que a melhoria da renda também está relacionada aos reajustes do salário mínimo acima da inflação e à valorização dos pisos salariais.

“A renda do trabalhador médio vem crescendo, seja pelos aumentos do salário mínimo ou pela melhora das remunerações em diferentes categorias. Isso fortalece a demanda interna e ajuda a explicar o desempenho positivo e até surpreendente do PIB amazonense e nacional”, afirmou.

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