A fumaça tóxica provocada pelas queimadas que atinge Manaus e outras regiões do Amazonas pode carregar diferentes substâncias prejudiciais à saúde. Em entrevista à Rede Onda Digital, o tenente Charlis Barroso, chefe do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa), explicou que os sensores usados pela Defesa Civil medem apenas a concentração de material particulado fino, sem identificar todos os gases presentes na fumaça.
Segundo Barroso, a preocupação está principalmente com as partículas de até 2,5 micrômetros, conhecidas como PM2,5. Por serem muito pequenas, elas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e podem alcançar a corrente sanguínea.
“Esse material tem a condição, o tamanho de penetrar profundamente nos nossos pulmões e alcançar a circulação sanguínea do nosso corpo, trazendo algum mal à nossa saúde”, afirmou.
O tenente ressaltou que a fumaça pode conter outros gases potencialmente tóxicos, não identificados pelos sensores utilizados no monitoramento da Defesa Civil.
“É possível que tenha outros gases junto com a fumaça? Com certeza é possível, porém não é monitorado por esse tipo de sensor”, explicou.

Quando a fumaça representa risco?
A Defesa Civil utiliza como referência a concentração de material particulado fino na atmosfera. Segundo Barroso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera adequado um nível inferior a 15 microgramas de PM2,5 por metro cúbico. A partir de 16 microgramas, os grupos mais vulneráveis da população já podem ser afetados.
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O monitoramento é realizado diariamente por sensores instalados em municípios do Amazonas. Quando os índices indicam aumento do risco, a Defesa Civil emite alertas que podem variar de moderados a severos. A população pode receber as notificações cadastrando o telefone no serviço de alertas da Defesa Civil pelo número 40199.
Quanto tempo a fumaça tóxica pode permanecer em Manaus?
De acordo com Charlis Barroso, não é possível estabelecer um período exato para a permanência da fumaça sobre Manaus. A duração depende das condições meteorológicas, principalmente da circulação dos ventos e da ocorrência de chuva.
O vento pode transportar a fumaça para outras regiões, enquanto a chuva pode ajudar a retirar as partículas da atmosfera. Por isso, mesmo com uma mudança momentânea na qualidade do ar, a situação pode voltar a se alterar conforme a dinâmica da atmosfera.
Combate às queimadas é principal medida
Para o tenente, além do monitoramento e dos alertas à população, o combate aos focos de queimadas é fundamental para reduzir a presença de fumaça no ar. Segundo ele, enquanto houver incêndios produzindo partículas em suspensão, existe a possibilidade de novos episódios de fumaça atingirem a população.
