O secretário de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Luís Alberto Saraiva, participou nesta quarta-feira (2) do programa Em Alta, da Rede Onda Digital, e falou sobre as principais ações da gestão para melhorar os serviços de saúde no Estado. Durante a entrevista, o secretário abordou os mutirões de atendimento, a situação dos pagamentos às empresas médicas, a fila do Sistema de Regulação (Sisreg) e o abastecimento da Central de Medicamentos.
Ao avaliar os principais desafios da saúde pública no Amazonas, Saraiva afirmou que o acesso aos serviços ainda representa uma das maiores dificuldades enfrentadas pela população.
“A maior dor da população do Amazonas é a sensação de que ela não é acessível. É achar que você pertence ao mundo do Sistema Único de Saúde mas que ele não é acessível”.
Segundo o secretário, a gestão trabalha a partir de três prioridades para melhorar o atendimento à população.
“A saúde se baseia em um pilar de três pendências principais. A primeira é salvar vidas, a segunda é permitir acesso a saúde e a terceira é ter tudo isso com muito acolhimento”.
Mutirões ampliam oferta de consultas e exames
Entre as estratégias adotadas pelo Governo do Amazonas estão os mutirões de saúde realizados em diferentes pontos do Estado. Saraiva destacou a continuidade do programa Governo Presente e a ampliação dos serviços oferecidos à população.
“Mais uma edição do governo presente um programa antigo do governo que conseguimos dar continuidade e amplificar. Ontem conseguimos andar bem com as consultas de cardiologia, endocrinologia, mamografias, carreta da saúde e ultrassonografias.”, comentou o secretario.
De acordo com o secretário, as ações terão continuidade e devem percorrer diferentes regiões da capital amazonense.
Mais de 5 mil atendimentos gratuitos de saúde e cidadania ocorreram nesta terça-feira (1º), no Centro de Convenções Vasco Vasques, no bairro Flores, em Manaus. A iniciativa do programa Governo Presente reúne consultas médicas, exames laboratoriais e de imagem, mamografias, ultrassonografias, testes rápidos e serviços de assistência social.
A programação contempla especialidades como cardiologia, urologia, dermatologia e ortopedia. Outros órgãos do Governo do Amazonas também participam da ação, com serviços oferecidos pelo Detran, pela Secretaria de Segurança Pública e pela área de assistência social.

Governo busca reduzir atraso nos pagamentos médicos
Durante a entrevista, Luís Alberto Saraiva também falou sobre a situação dos pagamentos às empresas responsáveis pela prestação de serviços médicos na rede estadual.
Segundo o secretário, a gestão avançou na regularização dos repasses. A maioria das empresas recebeu, no fim de agosto, valores referentes ao mês de junho, reduzindo o intervalo dos pagamentos para aproximadamente 50 dias. A meta do governo é diminuir esse prazo para 30 dias.
Saraiva explicou que a liberação dos pagamentos depende do cumprimento de etapas burocráticas, como a conferência dos serviços prestados e a tramitação dos processos pela Secretaria de Saúde, pela unidade gestora e pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
De acordo com o secretário, quase todas as empresas médicas receberam três faturas atrasadas somente neste mês, enquanto algumas chegaram a receber quatro. Ele afirmou ainda que, quando a atual gestão assumiu, havia empresas com pagamentos pendentes desde janeiro e outras desde março.
“Lembrando que eram faturas que estavam atrasadas. Quando a gente chegou, muitas vezes o governador me perguntava: ‘Nós pagamos em que mês?’. Eu falava: ‘Não tem resposta’, porque tem empresa que estava atrasada desde janeiro e tem empresa que estava atrasada a partir de março”, explicou.
A Secretaria de Saúde também conseguiu alinhar as empresas a um mesmo período de pagamento. A partir do próximo mês, segundo Saraiva, o governo pretende começar a quitar débitos de exercícios anteriores simultaneamente aos pagamentos referentes ao mês corrente.
“Então, a gente conseguiu deixar todas as empresas no mesmo patamar, no mesmo mês e, sem dúvida nenhuma, com muita responsabilidade, a partir do próximo mês, a gente começa a pagar os débitos de exercícios anteriores junto com as parcelas do mês. E, no futuro próximo, a gente normaliza”, completou.
A expectativa é que a regularização ocorra de forma gradual.
Secretário nega falta de pagamento aos médicos na gestão atual
Saraiva também afirmou que a falta de pagamento aos médicos não representa a realidade da atual gestão. Segundo ele, os profissionais estão recebendo os salários referentes aos meses mais recentes, embora ainda existam valores pendentes de períodos anteriores.
O secretário reconheceu que o Estado ainda precisa quitar dívidas acumuladas por gestões anteriores. Segundo ele, as limitações orçamentárias e de caixa impedem que todos os débitos sejam pagos de uma só vez.
Saraiva afirmou que os problemas da saúde pública são complexos e não podem ser solucionados imediatamente, mas destacou que a gestão segue um planejamento para melhorar os serviços oferecidos à população.
A expectativa, segundo o secretário, é apresentar resultados melhores nos próximos meses. Ele afirmou que, mesmo que todos os problemas não sejam solucionados em dois anos, acredita que o cenário estará “muito melhor” no próximo ano em relação aos primeiros meses de sua gestão.
“Eu não tinha nenhuma expectativa de que, nessa primeira etapa em que estou na Secretaria de Saúde, em sete, oito meses, eu iria resolver o problema da saúde. Talvez, em dois anos, eu não resolva. Mas eu não tenho dúvidas de que a gente está indo no caminho certo e que, daqui a sete meses, vai estar muito melhor do que eu achei e que, no próximo ano, vai estar muito melhor do que nos últimos sete meses que eu estou falando hoje aqui”, disse.
Fila do Sisreg é considerada “viva”
Outro tema abordado durante a entrevista foi a fila do Sistema de Regulação (Sisreg), que concentra a demanda por consultas, exames e procedimentos especializados.
Saraiva explicou que o problema não está propriamente no sistema, mas na capacidade da rede de transformar a demanda registrada em oferta de serviços. O Sisreg é administrado de forma compartilhada entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus.
Segundo o secretário, o Estado passou a contratar serviços da rede privada conforme as necessidades identificadas diariamente pelo sistema. A estratégia busca ampliar a capacidade de atendimento e reduzir gradualmente a demanda acumulada.
Saraiva ressaltou, porém, que não é possível considerar a fila completamente zerada, já que novos pacientes são inseridos continuamente no sistema. Por isso, classificou a demanda como uma fila “viva”.
“Não existe fila zerada em lugar nenhum do mundo. Por quê? Porque eu estou te atendendo agora, e, enquanto estou falando com você, 50 pacientes estão entrando na fila neste exato momento. É uma fila viva”, afirmou.
O secretário explicou ainda que médicos da atenção básica, incluindo profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), podem encaminhar pacientes para consultas especializadas, como cardiologia e endocrinologia, além de procedimentos cirúrgicos.
A estratégia adotada pelo governo, segundo Saraiva, é reduzir o volume de pacientes aguardando atendimento e acelerar os encaminhamentos dentro da rede pública.
Central de Medicamentos tem 87% do estoque teórico
Durante a entrevista, o secretário também apresentou um panorama do estoque da Central de Medicamentos do Amazonas.
“A central de medicamentos está hoje com 87% de estoque teorico. Lógico que existem alguns itens que estão com estoque crítico. Mas é um estoque crítico do Brasil e são itens pontuais”, comentou.
Segundo Saraiva, apesar do percentual geral de abastecimento, alguns medicamentos apresentam estoque crítico. O secretário classificou essas situações como pontuais.
