O vazamento de estireno registrado no Distrito Industrial de Manaus acendeu um alerta não apenas para a saúde da população, mas também para os riscos enfrentados por animais domésticos e silvestres expostos ao gás. Embora o foco inicial das autoridades tenha sido a segurança de trabalhadores e moradores da região, médicos-veterinários alertam que cães, gatos, aves e espécies silvestres também podem sofrer intoxicação, inclusive com sintomas que podem aparecer dias após a exposição.
Em entrevista à Rede Onda Digital, a médica-veterinária Rebeca Silva explicou que o estireno é capaz de provocar alterações respiratórias, neurológicas e oculares, além de possíveis complicações em órgãos como fígado e rins.

Segundo a especialista, os primeiros sinais costumam surgir logo após a inalação do produto químico. “O animal pode apresentar alterações na região dos olhos, irritabilidade, alterações no trato respiratório por causa da ardência ao inalar o gás e também sintomas no sistema nervoso, como sonolência e até perda de consciência”, explicou.
Quando o tutor deve procurar atendimento?
De acordo com a veterinária, qualquer alteração deve ser observada com atenção, mas alguns sintomas exigem atendimento imediato.
Além da irritação nos olhos, espirros frequentes e dificuldade para respirar, sinais como sonolência intensa, tontura, perda de consciência ou mudanças importantes no comportamento podem indicar um quadro de intoxicação mais grave.
Nesses casos, a orientação é levar o animal imediatamente ao médico-veterinário para avaliação clínica e confirmação do diagnóstico.
Sintomas podem aparecer dias depois
Um dos principais alertas feitos pela especialista é que a ausência de sintomas nas primeiras horas não significa que o animal esteja livre de riscos.
Mesmo em exposições consideradas leves, complicações podem surgir ao longo dos dias seguintes. Segundo Rebeca Silva, estudos indicam que a exposição ao estireno pode provocar alterações persistentes no sistema respiratório e comprometer órgãos como rins e fígado.
Por isso, ela recomenda que animais que vivem próximos à área afetada sejam acompanhados por um médico-veterinário, mesmo que aparentem estar saudáveis. “É importante fazer uma avaliação para verificar se, após alguns dias ou até uma semana da exposição, o pet não desenvolveu alterações respiratórias, renais ou hepáticas”, afirmou.
Como proteger os pets
Enquanto houver risco de exposição ao gás, a principal recomendação é retirar os animais da área contaminada.
Se possível, os tutores devem manter cães e gatos em locais afastados da região afetada, com boa circulação de ar, reduzindo ao máximo o contato com o ambiente contaminado.
Outra orientação é evitar passeios próximos ao local do vazamento até que as autoridades confirmem a normalização das condições ambientais.
Caso o animal apresente qualquer sintoma, o tratamento deve ser definido pelo médico-veterinário conforme o quadro clínico. A especialista explica que o atendimento pode variar desde medidas de suporte para aliviar a irritação respiratória até tratamentos mais complexos, caso haja comprometimento neurológico, hepático ou renal.
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Animais silvestres e aves também correm risco
Os impactos do vazamento não se restringem aos animais domésticos.
Segundo a veterinária, aves e espécies silvestres também podem ser afetadas, principalmente porque permanecem expostas ao ar e ao ambiente contaminado. Além da inalação do gás, a especialista alerta para a possibilidade de contaminação indireta do solo e da água, aumentando o risco para animais que vivem nas proximidades.
Ela ressalta que algumas consequências podem demorar para aparecer e evoluir de forma silenciosa. “Alterações hepáticas e no sistema nervoso podem não apresentar sintomas imediatamente, mas, a longo prazo, podem causar sequelas graves e até levar o animal à morte”, disse.
Atenção redobrada nas próximas semanas
Diante do risco de efeitos tardios, a recomendação é que tutores observem atentamente qualquer mudança de comportamento nos animais nas próximas semanas, especialmente em cães, gatos e aves que vivem próximos ao Distrito Industrial.
Sintomas como falta de apetite, dificuldade para respirar, espirros persistentes, vermelhidão nos olhos, sonolência excessiva, desorientação, tremores ou perda de consciência não devem ser ignorados.
A orientação é procurar assistência veterinária imediatamente para que o animal seja avaliado e receba o tratamento adequado, reduzindo o risco de complicações decorrentes da exposição ao estireno.
