Continuam neste domingo (19/7) os trabalhos para conter os impactos do vazamento de monômero de estireno ocorrido na Unidade IV da Innova, no Distrito Industrial I, em Manaus. Quatro dias após o início da emergência química, bombeiros e equipes ambientais permanecem no local para controlar a temperatura do reservatório, reduzir a emissão de vapores e avaliar possíveis danos ao meio ambiente.
Vazamento mobilizou 35 bombeiros
O incidente começou por volta das 17h20 de quarta-feira (15), depois que o produto armazenado apresentou uma elevação anormal de temperatura. Os dispositivos de segurança do reservatório foram acionados para aliviar a pressão, provocando a liberação de vapores e espalhando um forte odor por diferentes bairros da capital. A causa ainda é investigada, e as hipóteses incluem uma reação espontânea no tanque e eventuais falhas no sistema de resfriamento.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mobilizou 35 militares e dez viaturas. Canhões de água foram utilizados para resfriar o tanque e impedir o agravamento da ocorrência, enquanto empresas e estabelecimentos próximos eram evacuados preventivamente. Durante as inspeções, os bombeiros identificaram uma deformação na estrutura que teria comprometido válvulas de segurança.
Atividades e atendimentos foram suspensos
Na quinta-feira (16), empresas do Distrito Industrial interromperam temporariamente as atividades e 16 escolas suspenderam as aulas. A Defesa Civil enviou um alerta à população de Manaus e da Região Metropolitana, recomendando que as pessoas evitassem a área afetada e procurassem atendimento em caso de irritação nos olhos, tontura ou dificuldade para respirar.
O PAC Studio 5 e outros órgãos localizados nas proximidades também suspenderam os atendimentos. Paralelamente, a Prefeitura de Manaus instalou um gabinete de crise, reunindo equipes da Semmas, Semsa, Defesa Civil e Implurb para coordenar as medidas emergenciais.
Poluição atmosférica e riscos ambientais
A liberação do estireno provocou poluição atmosférica e desconforto respiratório e olfativo na população. Por se tratar de um produto químico tóxico e inflamável, utilizado na fabricação de plásticos, resinas e borrachas sintéticas, o incidente também levantou preocupação sobre possíveis impactos no solo, na rede de drenagem e nas águas subterrâneas.
Um drone equipado com câmera térmica identificou uma fissura na bacia de contenção do tanque. A descoberta levou os órgãos ambientais a ampliar as inspeções e o monitoramento para verificar se houve contato do produto com o solo ou possibilidade de contaminação do lençol freático. Até o momento, porém, não foi divulgado laudo conclusivo que confirme esse tipo de dano.
Apesar da melhora registrada na qualidade do ar e do afastamento do risco imediato de explosão, o perímetro de aproximadamente 300 metros continuou isolado. Os bombeiros mantiveram o resfriamento do reservatório, enquanto equipes técnicas realizavam a sucção interna dos vapores. O vazamento deixou de ser percebido visualmente, mas o odor ainda podia ser sentido nas proximidades.
Leia mais:
Vazamento de estireno: monitoramento aponta que ar não oferece risco à população em Manaus
Trabalhador pode se recusar a trabalhar após vazamento de estireno? Entenda o que diz a NR-01
Fábrica interditada e multas de R$ 22,4 milhões
Na sexta-feira (17), o Implurb interditou parcialmente a unidade industrial, restringindo o acesso aos profissionais envolvidos na operação de segurança. A medida permanecerá válida até que as condições necessárias sejam restabelecidas e os órgãos responsáveis autorizem a retomada das atividades.
As penalidades aplicadas à Innova somam aproximadamente R$ 22,4 milhões. A Semmas aplicou multas de R$ 4,55 milhões por poluição atmosférica e de R$ 5,34 milhões após identificar problemas na contenção; o Ipaam acrescentou uma autuação de R$ 12,5 milhões pelos danos ambientais e impactos causados à população.
Mais de 400 atendimentos médicos
Até sexta-feira, a Secretaria Municipal de Saúde havia contabilizado 414 atendimentos relacionados à exposição ao produto, dos quais 157 ocorreram em unidades estaduais, 200 na rede privada e 57 em unidades municipais. Duas pessoas permaneciam internadas, enquanto a rede de saúde continuava em alerta para receber novos pacientes.
