O tambaqui, um dos peixes mais importantes para a alimentação e a economia da Amazônia, entrou na lista de espécies classificadas como vulneráveis pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A mudança acende um alerta para a situação da espécie e para os impactos provocados principalmente pela pressão da pesca.
Apesar da preocupação, a classificação não significa que o tambaqui esteja em extinção. Segundo Cristhiana Röpke, pesquisadora adjunta e coordenadora do Laboratório de Dinâmica de Populações de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), a categoria indica que, com base nos dados disponíveis, existe uma redução acentuada e contínua da população.
“Indica que, com base no que sabemos hoje, existe uma forte pressão sobre a espécie e o tamanho da população tem reduzido de forma acentuada e contínua ao longo do tempo”, explica a pesquisadora.
Tambaquis menores preocupam pesquisadores
O cenário não é igual em toda a Amazônia. Cristhiana explica que ainda existem regiões, principalmente dentro de unidades de conservação e áreas mais distantes dos grandes centros urbanos, onde é possível encontrar tambaquis em maior quantidade e com tamanhos maiores.
Fora dessas áreas, porém, a realidade é diferente. No eixo central do rio Solimões Amazonas, por exemplo, os peixes capturados são principalmente pequenos. Muitos estão abaixo do tamanho em que a maioria das fêmeas começa a se reproduzir.
Esse cenário preocupa porque a retirada de indivíduos antes da reprodução pode comprometer a renovação das populações ao longo do tempo.
Falta de monitoramento também preocupa
Outro problema apontado pela pesquisadora é a falta de monitoramento sistemático da pesca. Embora exista uma regra que estabelece o tamanho mínimo para a captura do tambaqui, ainda não há acompanhamento suficiente para verificar se a norma está sendo cumprida e se ela realmente consegue proteger a espécie.
Com a classificação como vulnerável, a expectativa é que sejam adotadas medidas específicas para recuperar as populações.
“A classificação como vulnerável acaba exigindo que seja feito um plano de recuperação. Isso envolve obter dados e propor formas de aplicar as regras vigentes, se elas já são suficientes, ou pensar em novas regras de pesca para a espécie”, afirma Cristhiana.
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Recuperação depende de mais peixes adultos
Para a pesquisadora, um dos principais desafios é aumentar novamente o tamanho dos tambaquis encontrados fora das unidades de conservação e garantir que mais fêmeas adultas consigam chegar à fase reprodutiva.
“Esse é um fator decisivo para que as populações se recuperem fora das UCs”, destaca.
A classificação do ICMBio funciona, portanto, como um alerta para que medidas sejam adotadas antes que a situação se agrave. A preocupação não envolve apenas a conservação ambiental, mas também a segurança alimentar e a economia de comunidades que dependem da pesca na Amazônia.
A recuperação da espécie passa pela produção de mais dados sobre as populações, pelo monitoramento da atividade pesqueira e pela avaliação das regras existentes para garantir que o tambaqui continue presente nos rios e na mesa dos amazônidas.
