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Após falas sobre Preta Gil, padre participa de ato inter-religioso no MPF, mas se recusa a falar

O padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa após declarações sobre a cantora Preta Gil durante uma homilia em Areial, no Agreste da Paraíba, se recusou a falar durante a participação em um ato religioso realizado na sexta-feira (6/2), na sede do Ministério Público Federal (MPF). O cantor Gilberto Gil participou do evento de forma remota.

Imagens da transmissão oficial do MPF mostram o momento em que um integrante da organização entrega o microfone ao padre. Ele chega a pegar o objeto, mas logo o devolve, fazendo um gesto negativo com a cabeça. O sacerdote estava à frente do palco ao lado de um líder religioso convidado e também não concedeu entrevistas após o ato.

A presença do padre na cerimônia faz parte de um acordo firmado com o MPF para que ele não responda criminalmente pelas falas sobre religiões e sobre Preta Gil durante a missa.

Família Gil e líderes religiosos participam do ato

Além de Gilberto Gil, também participou do evento Flora Gil, madrasta de Preta Gil, que comentou positivamente a realização da reunião.

“A gente está aqui para ouvir o perdão do padre, o padre ter reconhecido a injustiça, acho que é assim que se segue”, disse Flora Gil durante a reunião.

Gilberto Gil classificou as falas do padre como uma “agressão”, mas afirmou que a participação no ato representa uma “reparação”.

“Nosso agradecimento pelo ato de reparação a essa agressão que foi feita a esse ato de injustiça que foi perpetrada contra nós, toda nossa família, nossos amigos, parentes. Minha satisfação pelo fato de que a reparação está sendo feita, de que o reconhecimento da agressão, da injustiça, está sendo feita“, declarou o cantor.

O evento reuniu ainda diversas autoridades religiosas, entre elas líderes católicos, protestantes, representantes do candomblé e de outras tradições religiosas.

As falas durante a missa

O caso ocorreu em 27 de julho. Durante a homilia, transmitida ao vivo pelo canal da Paróquia de São José, em Areial, o padre citou a morte de Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de câncer colorretal, associando a fé da cantora em religiões de matriz afro-indígena ao sofrimento e à morte. O vídeo foi retirado do ar após repercussão nas redes sociais.

“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse o padre na ocasião.

Durante a mesma celebração, ele também fez declarações direcionadas a fiéis que frequentam religiões de matriz afro-indígena.

“E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha”, afirmou.

As declarações foram consideradas preconceituosas pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial. O presidente da entidade, Rafael Generiano, registrou boletim de ocorrência por intolerância religiosa à época.

Diocese afirma compromisso com diálogo inter-religioso

Apesar do silêncio do padre durante o ato no MPF, o bispo da Diocese de Campina Grande, Dom Dulcenio Fontes de Matos, responsável pela paróquia onde ocorreram as declarações, divulgou uma carta aberta à imprensa e ao MPF.

No documento, o bispo afirmou haver “interesse institucional desta Diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso” e ressaltou o “compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas”.


Saiba mais: 

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Acordo prevê cursos, resenhas e pagamento

O padre Danilo César firmou acordo de não persecução penal com o MPF, homologado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage. Pelo documento, ele assinou um termo de confissão sobre a conduta de intolerância religiosa. Caso descumpra as condições, a confissão poderá ter “valor de prova” em eventual reabertura de ação penal.

Entre as medidas previstas estão a participação em 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificação, a elaboração de resenhas de livros sobre o tema e o pagamento de prestação pecuniária no valor de R$ 4.863,00 a uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes, além da participação no ato inter-religioso.

 

 

*Com informações de G1 e O Tempo.

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O padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa após declarações sobre a cantora Preta Gil durante uma homilia em Areial, no Agreste da Paraíba, se recusou a falar durante a participação em um ato religioso realizado na sexta-feira (6/2), na sede do Ministério Público Federal (MPF). O cantor Gilberto Gil participou do evento de forma remota.

Imagens da transmissão oficial do MPF mostram o momento em que um integrante da organização entrega o microfone ao padre. Ele chega a pegar o objeto, mas logo o devolve, fazendo um gesto negativo com a cabeça. O sacerdote estava à frente do palco ao lado de um líder religioso convidado e também não concedeu entrevistas após o ato.

A presença do padre na cerimônia faz parte de um acordo firmado com o MPF para que ele não responda criminalmente pelas falas sobre religiões e sobre Preta Gil durante a missa.

Família Gil e líderes religiosos participam do ato

Além de Gilberto Gil, também participou do evento Flora Gil, madrasta de Preta Gil, que comentou positivamente a realização da reunião.

“A gente está aqui para ouvir o perdão do padre, o padre ter reconhecido a injustiça, acho que é assim que se segue”, disse Flora Gil durante a reunião.

Gilberto Gil classificou as falas do padre como uma “agressão”, mas afirmou que a participação no ato representa uma “reparação”.

“Nosso agradecimento pelo ato de reparação a essa agressão que foi feita a esse ato de injustiça que foi perpetrada contra nós, toda nossa família, nossos amigos, parentes. Minha satisfação pelo fato de que a reparação está sendo feita, de que o reconhecimento da agressão, da injustiça, está sendo feita“, declarou o cantor.

O evento reuniu ainda diversas autoridades religiosas, entre elas líderes católicos, protestantes, representantes do candomblé e de outras tradições religiosas.

As falas durante a missa

O caso ocorreu em 27 de julho. Durante a homilia, transmitida ao vivo pelo canal da Paróquia de São José, em Areial, o padre citou a morte de Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de câncer colorretal, associando a fé da cantora em religiões de matriz afro-indígena ao sofrimento e à morte. O vídeo foi retirado do ar após repercussão nas redes sociais.

“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse o padre na ocasião.

Durante a mesma celebração, ele também fez declarações direcionadas a fiéis que frequentam religiões de matriz afro-indígena.

“E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha”, afirmou.

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No documento, o bispo afirmou haver “interesse institucional desta Diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso” e ressaltou o “compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas”.


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*Com informações de G1 e O Tempo.

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