Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Governo brasileiro estuda possibilidade de criar seu próprio sistema de GPS

A formação do grupo técnico ocorreu dias antes do anúncio de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros

O Brasil pode dar um passo ousado no setor aeroespacial: criar seu próprio sistema de geolocalização via satélite, ou, GPS. A proposta, complexa e de alto custo, será avaliada por um grupo técnico formado por representantes de ministérios, da Aeronáutica, de instituições federais e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil. O objetivo é analisar a viabilidade e as implicações estratégicas de o país depender exclusivamente de sistemas de posicionamento, navegação e tempo operados por potências estrangeiras.

Esse comitê foi oficialmente estabelecido no início do mês, por meio da Resolução nº 33 do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. O documento, assinado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Marcos Antonio Amaro dos Santos, dá ao grupo 180 dias — contados a partir de 14 de julho — para apresentar um relatório com análises e recomendações.

Segundo Rodrigo Leonardi, diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira (AEB), que integra o grupo, a equipe ainda está em processo de organização. “Queremos identificar os desafios, vantagens e desvantagens de desenvolver um sistema próprio”, afirmou à Agência Brasil. Ele destacou que, até hoje, o foco do país tem sido o uso de satélites para monitoramento territorial, mas agora o debate se expande: “Vamos discutir se faz sentido investir em um sistema nacional de navegação – seja global ou regional, cobrindo apenas nosso território.”

Leonardi lembrou que, embora o GPS norte-americano seja o mais conhecido, há outras constelações de satélites no mundo, como o Glonass (Rússia), o Galileo (União Europeia) e o BeiDou (China). Índia e Japão também operam redes regionais. Assim, ainda que os EUA optassem por restringir o GPS em um cenário extremo, o Brasil teria opções. “É tecnicamente possível que os EUA limitem o sinal em certas regiões, mas isso traria impactos enormes – inclusive para empresas americanas atuando aqui. Seria uma medida com grandes repercussões diplomáticas e comerciais”, avaliou.


Leia mais

Se for preso, Bolsonaro pode ficar no Batalhão de Polícia do Exército, diz colunista

Nova portaria da Polícia Civil restringe comunicação entre delegados e imprensa


A formação do grupo técnico ocorreu dias antes do anúncio de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e do burburinho nas redes sociais sobre um possível bloqueio do GPS para o Brasil em meio a tensões comerciais. Leonardi minimizou a relação entre os fatos: “É coincidência. Essa discussão já estava em andamento. Não há qualquer indício oficial de que os EUA pretendam restringir o sinal.”

Ele também explicou um erro comum: muitos confundem GPS com GNSS, sigla para “Sistema Global de Navegação por Satélite”, que engloba todos os sistemas semelhantes. A maioria dos dispositivos modernos — de celulares a aviões — já opera com múltiplas constelações, o que garante que continuariam funcionando mesmo sem o GPS americano.

Geovany Araújo Borges, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Laboratório de Automação e Robótica (Lara), concorda com essa visão. Segundo ele, os aparelhos mais atuais são multissistema e recebem sinais de diversas redes de satélites. “Mesmo se o GPS fosse interrompido, nossos celulares continuariam localizando normalmente”, afirmou.

Borges defende que o Brasil avance nessa direção, não apenas pela independência estratégica, mas também pelos impactos positivos em setores como saúde, agricultura e defesa. “Temos profissionais capacitados. O desafio é financeiro e estrutural. Um projeto desses demanda tempo, recursos e continuidade como política de Estado. Precisaremos investir desde a indústria de microeletrônica até a educação de base”, concluiu, vendo com bons olhos o início do debate técnico no país.

*Com informações Agência Brasil.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

O Brasil pode dar um passo ousado no setor aeroespacial: criar seu próprio sistema de geolocalização via satélite, ou, GPS. A proposta, complexa e de alto custo, será avaliada por um grupo técnico formado por representantes de ministérios, da Aeronáutica, de instituições federais e da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil. O objetivo é analisar a viabilidade e as implicações estratégicas de o país depender exclusivamente de sistemas de posicionamento, navegação e tempo operados por potências estrangeiras.

Esse comitê foi oficialmente estabelecido no início do mês, por meio da Resolução nº 33 do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. O documento, assinado pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Marcos Antonio Amaro dos Santos, dá ao grupo 180 dias — contados a partir de 14 de julho — para apresentar um relatório com análises e recomendações.

Segundo Rodrigo Leonardi, diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira (AEB), que integra o grupo, a equipe ainda está em processo de organização. “Queremos identificar os desafios, vantagens e desvantagens de desenvolver um sistema próprio”, afirmou à Agência Brasil. Ele destacou que, até hoje, o foco do país tem sido o uso de satélites para monitoramento territorial, mas agora o debate se expande: “Vamos discutir se faz sentido investir em um sistema nacional de navegação – seja global ou regional, cobrindo apenas nosso território.”

Leonardi lembrou que, embora o GPS norte-americano seja o mais conhecido, há outras constelações de satélites no mundo, como o Glonass (Rússia), o Galileo (União Europeia) e o BeiDou (China). Índia e Japão também operam redes regionais. Assim, ainda que os EUA optassem por restringir o GPS em um cenário extremo, o Brasil teria opções. “É tecnicamente possível que os EUA limitem o sinal em certas regiões, mas isso traria impactos enormes – inclusive para empresas americanas atuando aqui. Seria uma medida com grandes repercussões diplomáticas e comerciais”, avaliou.


Leia mais

Se for preso, Bolsonaro pode ficar no Batalhão de Polícia do Exército, diz colunista

Nova portaria da Polícia Civil restringe comunicação entre delegados e imprensa


A formação do grupo técnico ocorreu dias antes do anúncio de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e do burburinho nas redes sociais sobre um possível bloqueio do GPS para o Brasil em meio a tensões comerciais. Leonardi minimizou a relação entre os fatos: “É coincidência. Essa discussão já estava em andamento. Não há qualquer indício oficial de que os EUA pretendam restringir o sinal.”

Ele também explicou um erro comum: muitos confundem GPS com GNSS, sigla para “Sistema Global de Navegação por Satélite”, que engloba todos os sistemas semelhantes. A maioria dos dispositivos modernos — de celulares a aviões — já opera com múltiplas constelações, o que garante que continuariam funcionando mesmo sem o GPS americano.

Geovany Araújo Borges, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Laboratório de Automação e Robótica (Lara), concorda com essa visão. Segundo ele, os aparelhos mais atuais são multissistema e recebem sinais de diversas redes de satélites. “Mesmo se o GPS fosse interrompido, nossos celulares continuariam localizando normalmente”, afirmou.

Borges defende que o Brasil avance nessa direção, não apenas pela independência estratégica, mas também pelos impactos positivos em setores como saúde, agricultura e defesa. “Temos profissionais capacitados. O desafio é financeiro e estrutural. Um projeto desses demanda tempo, recursos e continuidade como política de Estado. Precisaremos investir desde a indústria de microeletrônica até a educação de base”, concluiu, vendo com bons olhos o início do debate técnico no país.

*Com informações Agência Brasil.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Fachin anuncia projeto para limitar salários de juízes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, anunciou nesta segunda-feira (10) que pretende encaminhar um projeto de lei federal para regulamentar...

Anvisa libera venda de medicamentos em aplicativos de entrega

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou medidas preventivas que proibiam a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos por plataformas digitais como iFood,...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Anvisa retira seis marcas de sal do mercado por irregularidades

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou no sábado (8) a apreensão de seis marcas de sal comercializadas sem regularização sanitária no Brasil....

Teste para identificar câncer de mama hereditário será oferecido pelo SUS

Um teste genético capaz de identificar alterações hereditárias relacionadas ao câncer de mama está sendo incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

O que é ser um bom pai? Pesquisa revela mudança na visão dos brasileiros

No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), um estudo do Instituto Nexus mostra que a relação dos brasileiros com a paternidade está passando...

Veja como bloquear o celular em caso de roubo

O Celular Seguro é uma plataforma do governo que permite cadastrar o celular e emitir um alerta em casos de roubo, furto ou perda....
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Fachin anuncia projeto para limitar salários de juízes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, anunciou nesta segunda-feira (10) que pretende encaminhar um projeto de lei federal para regulamentar...

Anvisa libera venda de medicamentos em aplicativos de entrega

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revogou medidas preventivas que proibiam a comercialização, distribuição e propaganda de medicamentos por plataformas digitais como iFood,...

Anvisa retira seis marcas de sal do mercado por irregularidades

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou no sábado (8) a apreensão de seis marcas de sal comercializadas sem regularização sanitária no Brasil....

Teste para identificar câncer de mama hereditário será oferecido pelo SUS

Um teste genético capaz de identificar alterações hereditárias relacionadas ao câncer de mama está sendo incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão...

O que é ser um bom pai? Pesquisa revela mudança na visão dos brasileiros

No Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), um estudo do Instituto Nexus mostra que a relação dos brasileiros com a paternidade está passando...

Veja como bloquear o celular em caso de roubo

O Celular Seguro é uma plataforma do governo que permite cadastrar o celular e emitir um alerta em casos de roubo, furto ou perda....
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]