Registros em vídeo mostram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a esposa dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, desembarcando no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, após uma viagem em um jatinho ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
As imagens, divulgadas neste domingo (20), foram registradas em 22 de agosto de 2025 e mostram o casal deixando a aeronave no aeroporto carioca.
A aeronave utilizada no deslocamento é um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Segundo as informações divulgadas, o avião estava registrado oficialmente em nome de uma empresa ligada a Vorcaro.
O episódio passou a ser relacionado às investigações da Polícia Federal sobre as relações entre Vorcaro e pessoas ligadas ao ministro. O STF informou que um relatório elaborado pela PF a partir de dados extraídos do celular do ex-banqueiro aponta supostos diálogos relacionados a Alexandre de Moraes. O caso está em análise no Supremo.
Contrato de R$ 50 milhões
A viagem também é mencionada em apurações sobre um contrato de R$ 50 milhões que teria sido firmado entre o escritório de advocacia de Viviane Barci e uma empresa ligada a Vorcaro.
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Segundo as informações divulgadas nas investigações, o contrato seria complementar a um acordo anterior de R$ 131 milhões com o Banco Master. Parte dos honorários teria sido prevista por meio de cotas de utilização de aeronaves.
O escritório de Viviane Barci e Alexandre de Moraes negam irregularidades e contestam as informações relacionadas ao suposto contrato.
Vídeo: Reprodução/Jornal OGlobo
Versão apresentada por Moraes
Em abril, Moraes havia declarado, por meio de nota, que jamais havia viajado em avião de Daniel Vorcaro ou na companhia do banqueiro e de Fabiano Zettel, a quem afirmou não conhecer.
Os novos registros divulgados mostram, porém, o ministro desembarcando de uma aeronave que, segundo as informações publicadas, estava vinculada a uma empresa de Vorcaro.
A divulgação das imagens ocorre enquanto o caso Master continua sob investigação. Em março, a Segunda Turma do STF manteve, por unanimidade, a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de outros investigados no caso.
Em setembro, o Plenário do STF iniciou a análise de uma questão de ordem relacionada a uma petição baseada no relatório da Polícia Federal sobre dados extraídos do celular de Vorcaro. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem análise do mérito da petição.
