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No palco do SP2B, Isabelle desafia visão de uma Amazônia reduzida à floresta

Isabelle Nogueira não chegou ao palco do São Paulo Beyond Business (SP2B), nesta quarta-feira (12), apenas como a ex-cunhã-poranga do Boi Garantido ou como a influenciadora que ganhou projeção nacional depois do Big Brother Brasil. Em uma fala de forte conteúdo regional, ela ocupou um espaço que tradicionalmente pertence a políticos, pesquisadores e representantes institucionais, o de explicar ao restante do país o que é a Amazônia para quem não vive nela.

Formada em Letras, com habilitação em Espanhol, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Isabelle construiu sua trajetória a partir da cultura popular, mas sua fala no evento mostrou uma percepção da região que vai muito além do folclore.

“Não é difícil mostrar para o Brasil a Amazônia. O que é difícil é mostrar para o Brasil que a Amazônia faz parte do Brasil”.

A afirmação é mais política do que parece.

Isabelle não estava falando apenas sobre a necessidade de preservar a floresta. Ela estava questionando a forma como o restante do país enxerga a região. Ao enumerar que a Amazônia é “biotecnologia, bioeconomia, indústria, comércio, palco cultural, gastronomia e turismo”, ela desmontou a imagem de uma região apresentada quase sempre pelo viés ambiental.

Nesta pespectiva, a Amazônia deixa de ser apenas uma floresta “remota” que o Brasil precisa proteger e passa a ser apresentada como um território onde milhões de pessoas vivem, trabalham, produzem, consomem e constroem suas próprias identidades.

E essa visão ganha ainda mais força porque Isabelle estava falando no SP2B, em São Paulo, um evento internacional que coloca em discussão temas ligados a negócios, inovação, criatividade e desenvolvimento. É justamente nesse ambiente, no coração do principal centro econômico do país, que ela levou uma mensagem que o Amazonas costuma repetir há décadas. Não existe desenvolvimento nacional completo se o Norte continuar sendo tratado como uma periferia econômica do Brasil.

O trecho mais contundente veio quando ela afirmou: “A gente precisa também enriquecer o Norte. O Brasil precisa ser rico de norte a sul”.

A frase resume o eixo econômico de sua fala

Em vez de apresentar a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico como conceitos necessariamente opostos, Isabelle defendeu que a região precisa gerar riqueza para sua população. É nesse ponto que entra a Zona Franca de Manaus.

Ao defender a manutenção do modelo, ela associou a existência do Polo Industrial à geração de empregos e à redução da pressão econômica sobre a floresta. Mais do que defender um mecanismo tributário, Isabelle apresentou a Zona Franca como parte de uma estratégia de ocupação econômica da Amazônia.

O argumento tem um peso adicional justamente por ter sido apresentado em São Paulo, onde o modelo de incentivos da Zona Franca é frequentemente questionado sob o argumento de que os benefícios concedidos às empresas instaladas no Amazonas produziriam uma concorrência desigual com outros estados.

Sem citar diretamente essa disputa federativa, Isabelle colocou no palco uma resposta amazônica. Antes de discutir apenas quanto o país deixa de arrecadar com incentivos, é preciso discutir quanto o Norte precisa produzir, gerar empregos e desenvolver para reduzir desigualdades históricas.

Ela não escolheu entre floresta e desenvolvimento. Não colocou cultura contra economia. Não apresentou indústria como inimiga da preservação. Ao contrário, buscou conectar esses elementos. E isso ajuda a explicar por que a presença de Isabelle em um evento como o SP2B merece atenção.

Vale lembrar que ela não ocupa um cargo público, não representa formalmente um governo e não estava fazendo um discurso institucional. Sua autoridade vem da cultura amazônica, da experiência como cunhã-poranga do Garantido, da projeção nacional conquistada nos últimos anos e da capacidade de falar para milhões de pessoas em uma linguagem que políticos muitas vezes não conseguem alcançar.


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Formada em Letras, com habilitação em Espanhol, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Isabelle construiu sua trajetória a partir da cultura popular, mas sua fala no evento mostrou uma percepção da região que vai muito além do folclore.

“Não é difícil mostrar para o Brasil a Amazônia. O que é difícil é mostrar para o Brasil que a Amazônia faz parte do Brasil”.

A afirmação é mais política do que parece.

Isabelle não estava falando apenas sobre a necessidade de preservar a floresta. Ela estava questionando a forma como o restante do país enxerga a região. Ao enumerar que a Amazônia é “biotecnologia, bioeconomia, indústria, comércio, palco cultural, gastronomia e turismo”, ela desmontou a imagem de uma região apresentada quase sempre pelo viés ambiental.

Nesta pespectiva, a Amazônia deixa de ser apenas uma floresta “remota” que o Brasil precisa proteger e passa a ser apresentada como um território onde milhões de pessoas vivem, trabalham, produzem, consomem e constroem suas próprias identidades.

E essa visão ganha ainda mais força porque Isabelle estava falando no SP2B, em São Paulo, um evento internacional que coloca em discussão temas ligados a negócios, inovação, criatividade e desenvolvimento. É justamente nesse ambiente, no coração do principal centro econômico do país, que ela levou uma mensagem que o Amazonas costuma repetir há décadas. Não existe desenvolvimento nacional completo se o Norte continuar sendo tratado como uma periferia econômica do Brasil.

O trecho mais contundente veio quando ela afirmou: “A gente precisa também enriquecer o Norte. O Brasil precisa ser rico de norte a sul”.

A frase resume o eixo econômico de sua fala

Em vez de apresentar a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico como conceitos necessariamente opostos, Isabelle defendeu que a região precisa gerar riqueza para sua população. É nesse ponto que entra a Zona Franca de Manaus.

Ao defender a manutenção do modelo, ela associou a existência do Polo Industrial à geração de empregos e à redução da pressão econômica sobre a floresta. Mais do que defender um mecanismo tributário, Isabelle apresentou a Zona Franca como parte de uma estratégia de ocupação econômica da Amazônia.

O argumento tem um peso adicional justamente por ter sido apresentado em São Paulo, onde o modelo de incentivos da Zona Franca é frequentemente questionado sob o argumento de que os benefícios concedidos às empresas instaladas no Amazonas produziriam uma concorrência desigual com outros estados.

Sem citar diretamente essa disputa federativa, Isabelle colocou no palco uma resposta amazônica. Antes de discutir apenas quanto o país deixa de arrecadar com incentivos, é preciso discutir quanto o Norte precisa produzir, gerar empregos e desenvolver para reduzir desigualdades históricas.

Ela não escolheu entre floresta e desenvolvimento. Não colocou cultura contra economia. Não apresentou indústria como inimiga da preservação. Ao contrário, buscou conectar esses elementos. E isso ajuda a explicar por que a presença de Isabelle em um evento como o SP2B merece atenção.

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