O primeiro programa eleitoral dos candidatos ao Governo do Amazonas mostrou quatro estratégias distintas de campanha. Roberto Cidade (União) apostou na força política, na identidade amazonense e na proximidade com o eleitor; David Almeida (Avante) adotou um discurso mais incisivo e voltado à saúde; Omar Aziz (PSD) recuperou realizações de sua gestão e destacou o apoio do governo federal; e Professora Maria do Carmo (PL) explorou a imagem de candidata de fora da política tradicional.
Roberto Cidade, que abriu o bloco e teve o maior tempo de tela, combinou propostas, imagens da convenção e construção de marca pessoal. A propaganda investiu em referências à cultura, às raízes e à identidade amazonense, além do slogan “C de Cidade” e do jingle da campanha.
A convenção também foi utilizada como demonstração de força política, enquanto a associação com o “chão” e a cultura do Amazonas buscou reforçar a imagem de proximidade com a população.
David Almeida também recorreu às imagens da convenção, mas adotou um tom mais direto contra os adversários. A campanha mostrou aliados, entre eles Renato e Shádia, e apresentou a promessa de zerar a fila do Sisreg como uma das principais bandeiras.
A estratégia combina demonstração de força política com uma proposta de impacto direto na saúde, tema que aparece como um dos eixos centrais da campanha.
Omar Aziz escolheu comparar o presente com o período em que governou o Amazonas. O candidato recuperou obras e ações de sua gestão para sustentar a ideia de experiência administrativa e criticou o que considera falta de investimentos e entregas nos últimos anos.
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O programa também explorou o apoio do presidente Lula, candidato à reeleição, como uma forma de associar Omar ao governo federal. A participação da vice, Alessandra Campelo (PSD), ajudou a apresentar a chapa para o eleitor.
Penúltimo a falar, Isael Munduruku (Rede) adotou uma apresentação mais direta. O candidato se identificou como indígena, filho da terra, cristão, pai de família e advogado. Em poucos segundos, concentrou sua mensagem em três prioridades: zerar a fila do CISREG, combater a criminalidade e resolver a questão da BR-319.
A estratégia foi associar sua identidade pessoal e indígena a problemas que atingem diretamente a população do Estado.
Maria do Carmo adotou o discurso mais explícito de ruptura com a política tradicional. A candidata destacou que nunca ocupou cargos eletivos e transformou essa ausência de experiência política em argumento de campanha.
Ela também foi mais direta nas críticas aos adversários, citando situações que associou à chamada “velha política”. Em contraponto, apresentou sua trajetória como empresária e o crescimento da Faculdade Fametro como exemplo de atuação fora da política.
Outro eixo da propaganda foi a ligação com o bolsonarismo. Maria reforçou ser a candidata apoiada pela família Bolsonaro e exibiu imagens ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência.
As estratégias aparecem em uma disputa ainda bastante competitiva.
Mais do que apresentar propostas, o primeiro programa serviu para cada candidatura definir a imagem que pretende levar ao eleitor ao longo da campanha.
