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Por que “velha política” virou arma na eleição ao Governo do AM

Na corrida pelo Governo do Amazonas, uma expressão que há meses vinha sendo usada como marca de campanha por Maria do Carmo ganhou um novo dono. Roberto Cidade também passou a falar em “velha política” para se referir ao que considera ultrapassado na vida pública do Estado.

O detalhe é que os dois candidatos miram o mesmo alvo: Omar Aziz, ainda líder nas pesquisas e personagem central da política amazonense desde a redemocratização, na segunda metade dos anos 1980. A disputa pelo significado da expressão, portanto, diz tanto sobre os adversários de Omar quanto sobre o próprio senador.

Maria do Carmo aposta na entrada tardia

Maria do Carmo construiu sua candidatura em torno da ideia de renovação, mas, aos 67 anos, está longe de poder usar a idade como principal argumento para se diferenciar de Omar, que tem 68. Sua estratégia é outra: ela seria a nova política porque entrou mais recentemente nesse jogo.

A primeira incursão eleitoral de Maria do Carmo ocorreu em 2022, quando foi candidata a suplente de Arthur Virgílio Neto na disputa pelo Senado. Arthur perdeu justamente para Omar.

É aí que a candidata do PL encontra espaço para construir sua narrativa. Para ela, a “velha política” não está necessariamente na idade, mas nos métodos, nas alianças, nos hábitos e em uma forma de exercer o poder que, em sua avaliação, precisa ser substituída.

Cidade tem outro argumento

Aos 39 anos, Roberto Cidade pode transformar a própria idade em ativo eleitoral. Sua tentativa é estabelecer uma oposição geracional: de um lado, uma nova geração; do outro, uma liderança que está na vida pública desde os anos 1980.

Existe, porém, uma contradição nessa narrativa. Cidade não é um outsider. É filho de uma família com trajetória política no Amazonas, está na política institucional há anos e já ocupou posições importantes antes de chegar ao Governo do Estado. Sua juventude é incontestável. Sua distância da política tradicional, nem tanto.

É justamente aí que a expressão “velha política” fica mais complicada. Se significa idade, o alvo é evidente: Omar. Se significa tempo de carreira, novamente Omar está no centro. Mas, se significa método, a discussão deixa de ser cronológica e passa a ser política.

O eleitor é quem define o que é velho

O eleitorado amazonense reúne diferentes gerações, e isso torna mais difícil transformar idade em sinônimo de renovação. Um eleitor de 55 anos pode desejar mudança. Um eleitor de 20 pode preferir experiência. A idade, sozinha, não determina o voto.

Para um jovem, Omar Aziz pode representar uma política distante no tempo, de uma época em que ele sequer havia nascido. Para eleitores mais velhos, a mesma trajetória pode significar experiência e conhecimento de governos, eleições, partidos, alianças e crises.

É essa memória política que os adversários de Omar precisam enfrentar. O senador não lidera a atual corrida apenas por ser conhecido, mas também porque possui uma trajetória que grande parte do eleitorado já conhece. Isso pode ser uma vantagem para quem procura experiência ou um problema para quem pretende transformar o passado em argumento de campanha.

Maria do Carmo tenta dizer que é possível ter praticamente a mesma idade de Omar sem pertencer à mesma política. Cidade tenta mostrar que uma nova geração pode ocupar o Palácio do Governo. Omar, por sua vez, precisa responder à pergunta que seus adversários estão tentando colocar no centro da eleição: quanto tempo de política é experiência e a partir de quando passa a ser permanência?

A campanha entrou, portanto, numa disputa que vai além dos percentuais das pesquisas. Está em jogo o significado da palavra mudança. Maria quer que ela seja entendida como ruptura com uma cultura política. Cidade quer associá-la à juventude e à renovação geracional. Omar precisa convencer o eleitor de que experiência não é sinônimo de passado.

No fim, há uma ironia: dois candidatos usam a “velha política” contra o mesmo adversário. Agora, precisam convencer o eleitor de que o problema não é apenas o tempo de carreira, mas a forma de fazer política.

Porque, no Amazonas de 2026, talvez a pergunta mais importante não seja quem é velho. É o que o eleitor considera velho na política.

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Na corrida pelo Governo do Amazonas, uma expressão que há meses vinha sendo usada como marca de campanha por Maria do Carmo ganhou um novo dono. Roberto Cidade também passou a falar em “velha política” para se referir ao que considera ultrapassado na vida pública do Estado.

O detalhe é que os dois candidatos miram o mesmo alvo: Omar Aziz, ainda líder nas pesquisas e personagem central da política amazonense desde a redemocratização, na segunda metade dos anos 1980. A disputa pelo significado da expressão, portanto, diz tanto sobre os adversários de Omar quanto sobre o próprio senador.

Maria do Carmo aposta na entrada tardia

Maria do Carmo construiu sua candidatura em torno da ideia de renovação, mas, aos 67 anos, está longe de poder usar a idade como principal argumento para se diferenciar de Omar, que tem 68. Sua estratégia é outra: ela seria a nova política porque entrou mais recentemente nesse jogo.

A primeira incursão eleitoral de Maria do Carmo ocorreu em 2022, quando foi candidata a suplente de Arthur Virgílio Neto na disputa pelo Senado. Arthur perdeu justamente para Omar.

É aí que a candidata do PL encontra espaço para construir sua narrativa. Para ela, a “velha política” não está necessariamente na idade, mas nos métodos, nas alianças, nos hábitos e em uma forma de exercer o poder que, em sua avaliação, precisa ser substituída.

Cidade tem outro argumento

Aos 39 anos, Roberto Cidade pode transformar a própria idade em ativo eleitoral. Sua tentativa é estabelecer uma oposição geracional: de um lado, uma nova geração; do outro, uma liderança que está na vida pública desde os anos 1980.

Existe, porém, uma contradição nessa narrativa. Cidade não é um outsider. É filho de uma família com trajetória política no Amazonas, está na política institucional há anos e já ocupou posições importantes antes de chegar ao Governo do Estado. Sua juventude é incontestável. Sua distância da política tradicional, nem tanto.

É justamente aí que a expressão “velha política” fica mais complicada. Se significa idade, o alvo é evidente: Omar. Se significa tempo de carreira, novamente Omar está no centro. Mas, se significa método, a discussão deixa de ser cronológica e passa a ser política.

O eleitor é quem define o que é velho

O eleitorado amazonense reúne diferentes gerações, e isso torna mais difícil transformar idade em sinônimo de renovação. Um eleitor de 55 anos pode desejar mudança. Um eleitor de 20 pode preferir experiência. A idade, sozinha, não determina o voto.

Para um jovem, Omar Aziz pode representar uma política distante no tempo, de uma época em que ele sequer havia nascido. Para eleitores mais velhos, a mesma trajetória pode significar experiência e conhecimento de governos, eleições, partidos, alianças e crises.

É essa memória política que os adversários de Omar precisam enfrentar. O senador não lidera a atual corrida apenas por ser conhecido, mas também porque possui uma trajetória que grande parte do eleitorado já conhece. Isso pode ser uma vantagem para quem procura experiência ou um problema para quem pretende transformar o passado em argumento de campanha.

Maria do Carmo tenta dizer que é possível ter praticamente a mesma idade de Omar sem pertencer à mesma política. Cidade tenta mostrar que uma nova geração pode ocupar o Palácio do Governo. Omar, por sua vez, precisa responder à pergunta que seus adversários estão tentando colocar no centro da eleição: quanto tempo de política é experiência e a partir de quando passa a ser permanência?

A campanha entrou, portanto, numa disputa que vai além dos percentuais das pesquisas. Está em jogo o significado da palavra mudança. Maria quer que ela seja entendida como ruptura com uma cultura política. Cidade quer associá-la à juventude e à renovação geracional. Omar precisa convencer o eleitor de que experiência não é sinônimo de passado.

No fim, há uma ironia: dois candidatos usam a “velha política” contra o mesmo adversário. Agora, precisam convencer o eleitor de que o problema não é apenas o tempo de carreira, mas a forma de fazer política.

Porque, no Amazonas de 2026, talvez a pergunta mais importante não seja quem é velho. É o que o eleitor considera velho na política.

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