Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

O debate mostrou que, quem bate, lembra, e quem apanha também não esquece

Com um único bloco permitindo confronto direto entre os candidatos, cada pergunta passou a valer mais do que uma simples resposta. Era a oportunidade de escolher o adversário, apertar uma ferida e, principalmente, tentar obrigá-lo a jogar no terreno que interessava a quem perguntava. Foi justamente aí que apareceram os momentos mais interessantes da noite.

O debate deixou uma coisa muito mais importante para quem acompanha a eleição: mostrou onde cada candidato pretende atacar e, principalmente, onde pode ser atacado de volta.

David x Maria

O confronto mais quente foi entre David Almeida (Avante) e Maria do Carmo Seffair (PL). David decidiu questionar a experiência administrativa da candidata do PL e levou para o centro da discussão a atuação empresarial da família da professora, especialmente na Fametro.

Se Maria pretendia transformar sua trajetória empresarial em credencial para governar o Amazonas, David queria saber se essa experiência resistiria quando colocada sob a lupa da política. Ele questionou a demora na entrega do Tropical Hotel e da Santa Casa de Misericórdia, que agora pertencem à Fametro, e colocou em debate a avaliação do curso de Medicina da instituição.

Maria do Carmo não contou conversa. Disse que, como usa recursos financeiros próprios e a única ajuda que obteve do poder público foi o aumento de mais de 1.000% do IPTU, realmente não conseguiu cumprir o cronograma. E, para não deixar barato, devolveu a provocação com a seguinte pergunta a David Almeida: “Qual foi a faculdade escolhida pela tua filha para fazer o curso de Medicina?”.

A referência era a Fernanda Aryel, filha do ex-prefeito de Manaus e candidata a deputada federal, que estudou na instituição. David confirmou: “Minha filha formou na sua faculdade.” Mas não deixou a provocação sem resposta e voltou a questionar a qualidade do curso da instituição.

Esse embate direto foi um daqueles momentos em que a política abandona o discurso ensaiado e entra no terreno do improviso, que nem sempre pode dar certo. Nesse caso, David tentou transformar a Fametro em uma vulnerabilidade de Maria do Carmo, e ela conseguiu mostrar que a instituição também faz parte da trajetória da filha de seu adversário.

O confronto também revelou duas estratégias eleitorais bastante diferentes. O candidato do Avante precisa convencer o eleitor de que a experiência de administrar Manaus o credencia para administrar o Amazonas. Já a candidata do PL precisa convencer que sua experiência na administração privada, fora da política tradicional, é justamente sua grande vantagem. David carrega a experiência de prefeito. Maria carrega a imagem de empresária e estreante em disputas majoritárias.

Maria x Isael: a pergunta que virou armadilha

Outro momento importante aconteceu quando Maria do Carmo escolheu Isael Munduruku (Rede) para responder sobre políticas destinadas aos povos indígenas. Aparentemente, tratava-se de uma pergunta que poderia oferecer espaço para Isael falar sobre uma das principais bandeiras de sua candidatura. Mas o resultado foi outro. Ele aproveitou a oportunidade para confrontar a candidata do PL, colocando-a dentro da política de demarcação de terras indígenas adotada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A candidatura como a sua representa aquilo que é de pior para os povos indígenas”, atacou.

Ali, Isael conseguiu fazer algo que talvez fosse ainda mais importante do que ganhar uma discussão: deixar claro que não pretende ser apenas mais um nome no debate. Desde a apresentação, ele havia avisado: “Nossa candidatura não veio aqui para fazer um papel folclórico.” E, naquele momento, tentou provar isso na prática.

Politicamente, o movimento de Isael é fácil de entender. Ele não tem a mesma estrutura eleitoral de David Almeida, Omar Aziz ou Maria do Carmo, tampouco disputa exatamente o mesmo espaço político. Por isso, precisa encontrar um território próprio, e esse território parece estar sendo construído em torno da defesa dos povos indígenas, da pauta ambiental e do confronto com o campo político de direita. Munduruku mostrou que não está limitado a defender apenas a pauta dos indígenas, mas conhece também as necessidades do interior.

A questão agora é saber se essa estratégia conseguirá sair do debate e chegar às urnas. Porque uma frase forte pode render manchetes e cortes para as redes sociais, mas eleição se ganha quando o eleitor que assistiu ao embate decide que aquela frase representa alguma coisa para ele.

O saldo do debate

Em resumo, o que se viu no debate foi um David Almeida querendo colocar a experiência administrativa dos adversários sob suspeita, Maria do Carmo tentando transformar sua trajetória empresarial em alternativa ao modelo político tradicional e Isael Munduruku buscando ocupar um espaço ideológico próprio e mostrar que sua candidatura não será de figurante.

E Omar Aziz? Apesar de, antes do debate, ter dito que esperava dos adversários que o confrontassem sobre a Cidade Universitária ou a Operação Maus Caminhos, sua participação foi tranquila, com liberdade para resgatar seus feitos como ex-governador enquanto os demais candidatos se atacavam.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

Com um único bloco permitindo confronto direto entre os candidatos, cada pergunta passou a valer mais do que uma simples resposta. Era a oportunidade de escolher o adversário, apertar uma ferida e, principalmente, tentar obrigá-lo a jogar no terreno que interessava a quem perguntava. Foi justamente aí que apareceram os momentos mais interessantes da noite.

O debate deixou uma coisa muito mais importante para quem acompanha a eleição: mostrou onde cada candidato pretende atacar e, principalmente, onde pode ser atacado de volta.

David x Maria

O confronto mais quente foi entre David Almeida (Avante) e Maria do Carmo Seffair (PL). David decidiu questionar a experiência administrativa da candidata do PL e levou para o centro da discussão a atuação empresarial da família da professora, especialmente na Fametro.

Se Maria pretendia transformar sua trajetória empresarial em credencial para governar o Amazonas, David queria saber se essa experiência resistiria quando colocada sob a lupa da política. Ele questionou a demora na entrega do Tropical Hotel e da Santa Casa de Misericórdia, que agora pertencem à Fametro, e colocou em debate a avaliação do curso de Medicina da instituição.

Maria do Carmo não contou conversa. Disse que, como usa recursos financeiros próprios e a única ajuda que obteve do poder público foi o aumento de mais de 1.000% do IPTU, realmente não conseguiu cumprir o cronograma. E, para não deixar barato, devolveu a provocação com a seguinte pergunta a David Almeida: “Qual foi a faculdade escolhida pela tua filha para fazer o curso de Medicina?”.

A referência era a Fernanda Aryel, filha do ex-prefeito de Manaus e candidata a deputada federal, que estudou na instituição. David confirmou: “Minha filha formou na sua faculdade.” Mas não deixou a provocação sem resposta e voltou a questionar a qualidade do curso da instituição.

Esse embate direto foi um daqueles momentos em que a política abandona o discurso ensaiado e entra no terreno do improviso, que nem sempre pode dar certo. Nesse caso, David tentou transformar a Fametro em uma vulnerabilidade de Maria do Carmo, e ela conseguiu mostrar que a instituição também faz parte da trajetória da filha de seu adversário.

O confronto também revelou duas estratégias eleitorais bastante diferentes. O candidato do Avante precisa convencer o eleitor de que a experiência de administrar Manaus o credencia para administrar o Amazonas. Já a candidata do PL precisa convencer que sua experiência na administração privada, fora da política tradicional, é justamente sua grande vantagem. David carrega a experiência de prefeito. Maria carrega a imagem de empresária e estreante em disputas majoritárias.

Maria x Isael: a pergunta que virou armadilha

Outro momento importante aconteceu quando Maria do Carmo escolheu Isael Munduruku (Rede) para responder sobre políticas destinadas aos povos indígenas. Aparentemente, tratava-se de uma pergunta que poderia oferecer espaço para Isael falar sobre uma das principais bandeiras de sua candidatura. Mas o resultado foi outro. Ele aproveitou a oportunidade para confrontar a candidata do PL, colocando-a dentro da política de demarcação de terras indígenas adotada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A candidatura como a sua representa aquilo que é de pior para os povos indígenas”, atacou.

Ali, Isael conseguiu fazer algo que talvez fosse ainda mais importante do que ganhar uma discussão: deixar claro que não pretende ser apenas mais um nome no debate. Desde a apresentação, ele havia avisado: “Nossa candidatura não veio aqui para fazer um papel folclórico.” E, naquele momento, tentou provar isso na prática.

Politicamente, o movimento de Isael é fácil de entender. Ele não tem a mesma estrutura eleitoral de David Almeida, Omar Aziz ou Maria do Carmo, tampouco disputa exatamente o mesmo espaço político. Por isso, precisa encontrar um território próprio, e esse território parece estar sendo construído em torno da defesa dos povos indígenas, da pauta ambiental e do confronto com o campo político de direita. Munduruku mostrou que não está limitado a defender apenas a pauta dos indígenas, mas conhece também as necessidades do interior.

A questão agora é saber se essa estratégia conseguirá sair do debate e chegar às urnas. Porque uma frase forte pode render manchetes e cortes para as redes sociais, mas eleição se ganha quando o eleitor que assistiu ao embate decide que aquela frase representa alguma coisa para ele.

O saldo do debate

Em resumo, o que se viu no debate foi um David Almeida querendo colocar a experiência administrativa dos adversários sob suspeita, Maria do Carmo tentando transformar sua trajetória empresarial em alternativa ao modelo político tradicional e Isael Munduruku buscando ocupar um espaço ideológico próprio e mostrar que sua candidatura não será de figurante.

E Omar Aziz? Apesar de, antes do debate, ter dito que esperava dos adversários que o confrontassem sobre a Cidade Universitária ou a Operação Maus Caminhos, sua participação foi tranquila, com liberdade para resgatar seus feitos como ex-governador enquanto os demais candidatos se atacavam.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Nem todo PL entrou na colinha de Nikolas Ferreira no Amazonas

Nesta quinta-feira (24/9), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou às redes sociais para indicar em quem votaria caso estivesse no Amazonas. A lista...

Defesa de Bolsonaro desiste de pedir suspensão de pena duas horas após pedido

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro desistiu, nesta quinta-feira (24/9), do pedido de suspensão da pena de 27 anos e 3 meses de prisão...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

Tecnologia deixa casas e empresas mais inteligentes e seguras, diz diretor da TecLive

A tecnologia tem transformado a forma como as pessoas cuidam da segurança, organizam a rotina e aumentam a produtividade. No entanto, segundo Luan Vieira,...

Lista tríplice para a Corregedoria da Defensoria do AM é definida; veja os três nomes

A lista tríplice para a escolha do novo corregedor-geral da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) foi definida nesta quarta-feira (23). Os nomes de Ricardo...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

CMM antecipa sessões e fica três dias sem reuniões antes das eleições

Dificilmente um trabalhador comum do Amazonas conseguiria tirar três dias de folga remunerada, decididos por ele mesmo, na semana que antecede uma eleição. Em...

Banco Central inicia avaliação para integrar Pix com sistema de pagamento europeu

O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram uma fase de avaliação para estudar uma possível integração entre o...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Nem todo PL entrou na colinha de Nikolas Ferreira no Amazonas

Nesta quinta-feira (24/9), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou às redes sociais para indicar em quem votaria caso estivesse no Amazonas. A lista...

Defesa de Bolsonaro desiste de pedir suspensão de pena duas horas após pedido

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro desistiu, nesta quinta-feira (24/9), do pedido de suspensão da pena de 27 anos e 3 meses de prisão...

Tecnologia deixa casas e empresas mais inteligentes e seguras, diz diretor da TecLive

A tecnologia tem transformado a forma como as pessoas cuidam da segurança, organizam a rotina e aumentam a produtividade. No entanto, segundo Luan Vieira,...

Lista tríplice para a Corregedoria da Defensoria do AM é definida; veja os três nomes

A lista tríplice para a escolha do novo corregedor-geral da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) foi definida nesta quarta-feira (23). Os nomes de Ricardo...

CMM antecipa sessões e fica três dias sem reuniões antes das eleições

Dificilmente um trabalhador comum do Amazonas conseguiria tirar três dias de folga remunerada, decididos por ele mesmo, na semana que antecede uma eleição. Em...

Banco Central inicia avaliação para integrar Pix com sistema de pagamento europeu

O Banco Central do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram uma fase de avaliação para estudar uma possível integração entre o...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]