O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) propôs, na terça-feira (25), a criação de uma agência de cooperação policial para combater o crime organizado na América do Sul. Batizada de “Sulpol”, a estrutura seria inspirada na Europol e teria como foco o enfrentamento de organizações criminosas que atuam além das fronteiras.
A proposta foi apresentada durante entrevista à TV Globo. Segundo Caiado, a iniciativa permitiria maior integração entre as forças de segurança dos países sul-americanos no combate ao tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas e outros crimes transnacionais.
A ideia, porém, tem pontos em comum com uma estrutura que já funciona em Manaus desde setembro de 2025: o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia).
Inaugurado em 9 de setembro de 2025 pelo oresidente Lula e Gustavo Petro, presidente da Colômbia, o CCPI Amazônia foi criado dentro do “Plano Amazônia: Segurança e Soberania” e funciona sob coordenação da Polícia Federal.
O centro reúne órgãos brasileiros de segurança e mantém articulação com forças policiais de países da região amazônica. A proposta é facilitar o compartilhamento de informações, produção de inteligência e planejamento de ações contra organizações criminosas que atravessam fronteiras.
Entre os crimes monitorados estão justamente alguns dos citados por Caiado em sua proposta, como narcotráfico, contrabando de armas, lavagem de dinheiro e crimes ambientais.
A estrutura também mantém conexão com organismos internacionais de cooperação policial, ampliando a troca de informações entre diferentes países.
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O que Caiado propõe com a “Sulpol”
No plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral, Caiado defende uma agência permanente de cooperação policial sul-americana, com estrutura e orçamento próprios.
A proposta prevê integração de bancos de dados, criação de núcleos conjuntos de investigação e coordenação de operações contra redes criminosas que atuam em diferentes países.
Durante a entrevista, o candidato também mencionou a possibilidade de policiais brasileiros atuarem em países vizinhos e de agentes estrangeiros trabalharem no Brasil, mediante acordos de reciprocidade.
Esse ponto representa uma diferença importante em relação ao modelo atualmente adotado pelo CCPI Amazônia, que atua principalmente como uma estrutura de cooperação, inteligência e articulação, sem substituir as autoridades policiais de cada país.
A Sulpol seria uma nova polícia?
Apesar de a proposta ser apresentada como inspirada na Europol, há uma diferença importante. A agência europeia funciona principalmente como mecanismo de apoio e integração entre polícias nacionais e não possui poder próprio para realizar prisões ou conduzir operações de forma independente nos países membros.
Por isso, para que a Sulpol tivesse agentes autorizados a atuar diretamente além das fronteiras nacionais, seria necessário estabelecer regras por meio de acordos internacionais, além de definir os limites da soberania e das legislações de cada país.
O próprio plano de governo de Caiado ainda não detalha como funcionaria essa eventual atuação operacional fora do território brasileiro.
Proposta amplia modelo que já existe?
A principal novidade da proposta de Caiado, portanto, estaria menos na ideia de integrar forças policiais, algo que já ocorre em Manaus, e mais na possibilidade de transformar mecanismos de cooperação regional em uma agência permanente com abrangência para toda a América do Sul.
O CCPI Amazônia tem atuação concentrada na região amazônica e funciona como um centro de intercâmbio de informações e inteligência. Já a Sulpol, conforme apresentada pelo candidato, teria alcance continental e estrutura própria.
Na prática, a proposta coloca novamente no debate nacional a necessidade de uma atuação coordenada entre os países contra organizações criminosas que utilizam fronteiras para movimentar drogas, armas, dinheiro e pessoas.
A diferença entre o que já existe em Manaus e o projeto defendido por Caiado dependerá, principalmente, de como a agência seria estruturada, quais poderes teria e quais acordos internacionais seriam necessários para permitir operações conjuntas entre os países.
