O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), optou por não alimentar nem encerrar as especulações sobre uma possível aliança entre União Brasil e PL para a eleição deste ano. Questionado pela Onda Digital, neste sábado (27), durante agenda em Parintins, sobre a possibilidade de o Partido Liberal indicar o vice de uma eventual chapa governista, Cidade respondeu que tratará do assunto “no momento certo”.
A declaração, embora protocolar, tem forte conotação implícita sobre os bastidores políticos. Isso porque, em vez de negar a existência das conversas, o governador preferiu adiar qualquer manifestação sobre a formação de alianças. Nos bastidores, a principal hipótese é a construção de uma composição entre União Brasil e PL, na qual a empresária Maria do Carmo Seffair, hoje pré-candidata ao Governo do Amazonas pelo PL, aceitaria disputar a vice-governadoria em uma chapa liderada por Roberto Cidade.
Nenhuma das partes confirma oficialmente essa articulação. Ainda assim, o tema ganhou força nos últimos dias diante da movimentação de lideranças durante o Festival de Parintins, tradicional palco de conversas políticas paralelas à programação cultural.
A resposta do governador também ocorre em um momento de aproximação pública entre integrantes das duas legendas. O vereador Cabo Linhares (PL), presidente da Câmara Municipal de Parintins, declarou apoio público a Roberto Cidade neste sábado, mesmo antes da oficialização de sua candidatura a reeleição. Ao mesmo tempo, parlamentares do PL foram vistos em agendas e encontros com integrantes do grupo político do governador, ampliando a leitura de que há um diálogo em construção.
Foi justamente esse contexto que motivou a pergunta feita ao governador. Ao ser questionado se existe a possibilidade de o PL ocupar a vaga de vice, Cidade evitou qualquer sinalização.
“Estou aqui curtindo o Festival de Parintins, trabalhando muito. No momento certo, a gente vai tratar das eleições de 2026, em relação às composições partidárias, quem vai apoiar.”
Na política, respostas desse tipo costumam ser interpretadas mais pelo que não é dito do que pelo conteúdo apresentado. Se, por um lado, Roberto Cidade manteve o discurso institucional, destacando entregas do governo e a realização do festival, por outro, também evitou fechar as portas para uma composição que vem sendo discutida nos bastidores.
Para interlocutores do meio político, essa postura amplia a margem de negociação tanto com o PL quanto com outras siglas que ainda não definiram seus posicionamentos.
Assim, a declaração em Parintins acabou produzindo o efeito contrário ao de encerrar o assunto. Sem confirmar, mas também sem negar a possibilidade de uma aliança com o PL, o governador manteve vivo um dos cenários mais comentados da política amazonense: o de uma eventual chapa unindo Roberto Cidade e Maria do Carmo Seffair na disputa pelo comando do Estado.
