A vantagem de Omar Aziz (PSD) no interior do Amazonas é um dos principais obstáculos para Maria do Carmo (PL) na disputa pelo governo do estado, avalia o advogado e ex-deputado federal Marcelo Ramos. Ele considera numericamente difícil uma virada no segundo turno, em 25 de outubro.
A mais recente pesquisa do Pontual Pesquisas, divulgada na segunda-feira (19/10), aponta Aziz com 61% dos votos válidos contra 39% da candidata do PL. No primeiro turno, em 4 de outubro, os dois tiveram 40,63% e 24,49%.
Para Ramos, o resultado não depende só de Maria do Carmo ampliar sua votação em Manaus. Mesmo que ela leve 80% dos votos de Roberto Cidade (União Brasil) e David Almeida (Avante) no primeiro turno, ainda precisaria reduzir a diferença acumulada pelo senador no interior, onde Omar construiu parte decisiva da vantagem.
Capital e interior
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Maria do Carmo terminou o primeiro turno à frente na capital, apontada como domínio bolsonarista, por 16.344 votos: 371.008 contra 354.664 do senador. No interior, o resultado foi inverso: Omar venceu em 53 municípios, incluindo os maiores colégios eleitorais, como Manacapuru, Parintins e Itacoatiara. Maria do Carmo foi a mais votada em dois, Humaitá e Apuí.
Transferência de votos
Ramos destaca a dificuldade de transferir automaticamente para Maria do Carmo os votos de candidatos que ficaram fora do segundo turno. Em sua simulação, mesmo com 80% dos votos dos dois adversários em Manaus, a vantagem de Omar no interior seguiria sendo um obstáculo significativo.
“Se 80% dos votos do Roberto Cidade e do David Almeida migrarem para Maria do Carmo em Manaus, o que não é razoável, ele ainda tem que ganhar a eleição no interior. Porque dá 312 mil votos, e a diferença é 334”, disse Ramos em live no Instagram. Ele avalia que o senador pode ampliar essa diferença no segundo turno.
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Apoio do bolsonarismo
Na avaliação de Ramos, a presença de lideranças bolsonaristas, como o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), pode provocar oscilação de alguns pontos percentuais, mas dificilmente bastaria, isoladamente, para compensar a distância. Ele também aponta que parte do eleitorado de Manaus apoia Flávio nacionalmente, mas vota em Omar Aziz na disputa estadual, o que dificulta a transferência automática do capital político bolsonarista.
A eleição estadual, portanto, está longe de se resumir à polarização nacional: pesam as alianças locais, a avaliação dos candidatos e as diferenças entre capital e interior. O desafio de Maria do Carmo é transformar apoios políticos em votos, e a virada dependerá também do comportamento dos eleitores no segundo turno.
