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Discord: como agem os grupos de paneleiros na plataforma e como proteger as crianças

A discussão sobre a responsabilidade das big techs, as grandes empresas por trás das redes sociais, volta e meia ganha força no setor público. O principal debate gira em torno da velha frase “não nos responsabilizamos pelo conteúdo publicado na plataforma”. Mas até que ponto essa postura protege os usuários ou acaba deixando brechas perigosas?

Embora o tema envolva redes como Instagram, Facebook e X (antigo Twitter), uma das plataformas que mais vem preocupando as autoridades e os pais, é o Discord, um aplicativo que se tornou popular entre gamers. Criado em 2015 pela empresa Hammer & Chisel (atual Discord Inc.), o app nasceu como um meio de comunicação entre jogadores, com chats de voz e texto. Com o tempo, ele se expandiu para outros tipos de jogos e hoje é amplamente usado em competições de eSports.

Em pouco tempo, o Discord se tornou o principal ponto de encontro da comunidade gamer. Em 2017, já tinha mais de 90 milhões de usuários ativos e 1,5 milhão de novos registros por semana. A proposta é simples: os usuários criam servidores para conversar por voz ou mensagem, enquanto jogam. Sua leveza e integração gratuita com PlayStation 5 e Xbox ajudaram a impulsionar ainda mais a popularidade na comunidade gamer.

Mas junto com o sucesso, vieram problemas. O aplicativo começou a abrigar comunidades fechadas que, segundo investigações, se transformaram em espaços de crimes graves. Em alguns servidores, foram encontrados conteúdos racistas, homofóbicos e até material de exploração infantil.

As panelas do Discord

A partir de 2023, investigações e reportagens passaram expor a existência de grupos chamados de “panelas”, onde criminosos praticavam chantagem, estupro virtual e mutilação contra adolescentes. As investigações mostraram que os agressores usavam o anonimato do Discord para se aproximar de vítimas, exigir desafios e, caso fossem recusados, ameaçavam divulgar fotos íntimas. Cada grupo tem seu modo de cooptar menores para as panelas, mas a maioria se finge de amigo, tendo acesso a informações pessoais, fotos e todo tipo de material que possa ser utilizado para chantagem.

(Foto: Reprodução)

Um dos principais acusados, Izaquiel Tomé dos Santos, conhecido como Dexter, está preso desde abril. Ele foi identificado em vídeos humilhando adolescentes e é investigado por chantagear meninas a se automutilarem. Em seus dispositivos, a polícia encontrou pastas com nomes das vítimas e arquivos rotulados de forma violenta.

Além de induzir meninas a se automutilar, o grupo também as forçava a enviar fotos íntimas, que, posteriormente, eram usadas em chantagens. Muitas vezes, os paneleiros ameaçavam mandar as fotos para os familiares, caso elas não participassem de novas seções de tortura. Outro tipo de conteúdo comum era de morte e mutilação de animais, sendo os gatos os seus favoritos.

(Foto: reprodução)

De acordo com a Polícia Federal, já são pelo menos dez vítimas confirmadas, e outras cinco foram localizadas pela equipe do programa. A promotora Maria Fernanda Balsalobra explica que os responsáveis são adultos que se aproveitam da vulnerabilidade de adolescentes:

“São criminosos que exploram a falta de segurança da plataforma para cometer abusos graves.”


Leia mais:

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O Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para investigar a segurança do Discord no Brasil. Segundo o promotor Danilo Orlando, há indícios de que a plataforma serve como ambiente para disseminação de discurso de ódio e planejamento de crimes.

Outro caso que ficou muito conhecido foi o de Pedro Ricardo Conceição da Rocha, conhecido como “King”, que foi preso em julho de 2023 e condenado a 24 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de associação criminosa, estupro qualificado e coletivo, estupro de vulnerável e corrupção de menores. Ele liderava um grupo no Discord onde ocorria tortura e estupros on-line.

(Foto: King, líder de uma das panelas mais perigosas que atuava no Discord/Reprodução)

A Justiça do Rio condenou “King” por liderar grupo que cometia estupros virtuais e violência extrema via transmissões ao vivo no Discord. As investigações indicam que vítimas eram chantageadas e coagidas.​​

“King” foi preso em Teresópolis, na casa da avó, entre outras prisões/ação da Polícia Federal e Polícias Civis em uma operação que também prendeu adolescentes vinculados ao grupo

Há registros institucionais e notícias oficiais da polícia sobre a investigação que começou em março de 2023 e culminou na prisão e operações contra os envolvidos

O que diz o Discord sobre esses casos?

Em resposta, um porta-voz do Discord afirmou que a empresa “não tolera comportamentos odiosos” e que trabalha para remover conteúdos nocivos.

“A maioria das interações dos brasileiros na plataforma é positiva e saudável. Atuamos ativamente para eliminar grupos que oferecem risco a crianças”, disse o representante.

Como se proteger do assédio desses grupos?

Especialistas alertam que o isolamento digital e a falta de diálogo com os pais agravam o problema. No entanto, a psicóloga Vanessa Abitbol, alerta que, acima de tudo, é preciso que os pais acompanhem os filhos, e que não se trata de proibir o acesso, mas de orientar..

“Hoje os pais utilizam a internet como um meio de entreter os filhos. É muito fácil dar um celular para uma criança e adolescente e esquecer ele ali. É preciso acompanhar, orientar, explicar o que é certo e errado, e principalmente, participar do desenvolvimento crítico daquela criança”, explica.

Hugo Leonardo, que faz streamings com os amigos na plataforma Kick, também fala da importância de saber separar o crime da plataforma.

“Eu uso Discord desde 2017. Conheci pessoas que são amigos pessoais hoje em dia, e acho preocupante demonizar uma plataforma, como se ela, por si só fosse criada para esse tipo de conteúdos, e não é. Coisa errada você vai encontrar no WhatsApp, no TikTok e em todo lugar onde é possível compartilhar conteúdo. Hoje parece que todo mundo que usa Discord é um criminoso potencial” declarou o streamer.

No centro dessa discussão, fica a questão: até onde as plataformas devem ir para garantir liberdade de expressão sem abrir espaço para crimes? A resposta, segundo especialistas, passa por mais fiscalização, diálogo e responsabilidade compartilhada entre empresas, autoridades e famílias.

(*) Com informações do G1/R7

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A discussão sobre a responsabilidade das big techs, as grandes empresas por trás das redes sociais, volta e meia ganha força no setor público. O principal debate gira em torno da velha frase “não nos responsabilizamos pelo conteúdo publicado na plataforma”. Mas até que ponto essa postura protege os usuários ou acaba deixando brechas perigosas?

Embora o tema envolva redes como Instagram, Facebook e X (antigo Twitter), uma das plataformas que mais vem preocupando as autoridades e os pais, é o Discord, um aplicativo que se tornou popular entre gamers. Criado em 2015 pela empresa Hammer & Chisel (atual Discord Inc.), o app nasceu como um meio de comunicação entre jogadores, com chats de voz e texto. Com o tempo, ele se expandiu para outros tipos de jogos e hoje é amplamente usado em competições de eSports.

Em pouco tempo, o Discord se tornou o principal ponto de encontro da comunidade gamer. Em 2017, já tinha mais de 90 milhões de usuários ativos e 1,5 milhão de novos registros por semana. A proposta é simples: os usuários criam servidores para conversar por voz ou mensagem, enquanto jogam. Sua leveza e integração gratuita com PlayStation 5 e Xbox ajudaram a impulsionar ainda mais a popularidade na comunidade gamer.

Mas junto com o sucesso, vieram problemas. O aplicativo começou a abrigar comunidades fechadas que, segundo investigações, se transformaram em espaços de crimes graves. Em alguns servidores, foram encontrados conteúdos racistas, homofóbicos e até material de exploração infantil.

As panelas do Discord

A partir de 2023, investigações e reportagens passaram expor a existência de grupos chamados de “panelas”, onde criminosos praticavam chantagem, estupro virtual e mutilação contra adolescentes. As investigações mostraram que os agressores usavam o anonimato do Discord para se aproximar de vítimas, exigir desafios e, caso fossem recusados, ameaçavam divulgar fotos íntimas. Cada grupo tem seu modo de cooptar menores para as panelas, mas a maioria se finge de amigo, tendo acesso a informações pessoais, fotos e todo tipo de material que possa ser utilizado para chantagem.

(Foto: Reprodução)

Um dos principais acusados, Izaquiel Tomé dos Santos, conhecido como Dexter, está preso desde abril. Ele foi identificado em vídeos humilhando adolescentes e é investigado por chantagear meninas a se automutilarem. Em seus dispositivos, a polícia encontrou pastas com nomes das vítimas e arquivos rotulados de forma violenta.

Além de induzir meninas a se automutilar, o grupo também as forçava a enviar fotos íntimas, que, posteriormente, eram usadas em chantagens. Muitas vezes, os paneleiros ameaçavam mandar as fotos para os familiares, caso elas não participassem de novas seções de tortura. Outro tipo de conteúdo comum era de morte e mutilação de animais, sendo os gatos os seus favoritos.

(Foto: reprodução)

De acordo com a Polícia Federal, já são pelo menos dez vítimas confirmadas, e outras cinco foram localizadas pela equipe do programa. A promotora Maria Fernanda Balsalobra explica que os responsáveis são adultos que se aproveitam da vulnerabilidade de adolescentes:

“São criminosos que exploram a falta de segurança da plataforma para cometer abusos graves.”


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Outro caso que ficou muito conhecido foi o de Pedro Ricardo Conceição da Rocha, conhecido como “King”, que foi preso em julho de 2023 e condenado a 24 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de associação criminosa, estupro qualificado e coletivo, estupro de vulnerável e corrupção de menores. Ele liderava um grupo no Discord onde ocorria tortura e estupros on-line.

(Foto: King, líder de uma das panelas mais perigosas que atuava no Discord/Reprodução)

A Justiça do Rio condenou “King” por liderar grupo que cometia estupros virtuais e violência extrema via transmissões ao vivo no Discord. As investigações indicam que vítimas eram chantageadas e coagidas.​​

“King” foi preso em Teresópolis, na casa da avó, entre outras prisões/ação da Polícia Federal e Polícias Civis em uma operação que também prendeu adolescentes vinculados ao grupo

Há registros institucionais e notícias oficiais da polícia sobre a investigação que começou em março de 2023 e culminou na prisão e operações contra os envolvidos

O que diz o Discord sobre esses casos?

Em resposta, um porta-voz do Discord afirmou que a empresa “não tolera comportamentos odiosos” e que trabalha para remover conteúdos nocivos.

“A maioria das interações dos brasileiros na plataforma é positiva e saudável. Atuamos ativamente para eliminar grupos que oferecem risco a crianças”, disse o representante.

Como se proteger do assédio desses grupos?

Especialistas alertam que o isolamento digital e a falta de diálogo com os pais agravam o problema. No entanto, a psicóloga Vanessa Abitbol, alerta que, acima de tudo, é preciso que os pais acompanhem os filhos, e que não se trata de proibir o acesso, mas de orientar..

“Hoje os pais utilizam a internet como um meio de entreter os filhos. É muito fácil dar um celular para uma criança e adolescente e esquecer ele ali. É preciso acompanhar, orientar, explicar o que é certo e errado, e principalmente, participar do desenvolvimento crítico daquela criança”, explica.

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“Eu uso Discord desde 2017. Conheci pessoas que são amigos pessoais hoje em dia, e acho preocupante demonizar uma plataforma, como se ela, por si só fosse criada para esse tipo de conteúdos, e não é. Coisa errada você vai encontrar no WhatsApp, no TikTok e em todo lugar onde é possível compartilhar conteúdo. Hoje parece que todo mundo que usa Discord é um criminoso potencial” declarou o streamer.

No centro dessa discussão, fica a questão: até onde as plataformas devem ir para garantir liberdade de expressão sem abrir espaço para crimes? A resposta, segundo especialistas, passa por mais fiscalização, diálogo e responsabilidade compartilhada entre empresas, autoridades e famílias.

(*) Com informações do G1/R7

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