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Em Manaus, gasolina e comida podem subir ainda mais com conflito no Oriente Médio

O conflito no Oriente Médio, que já dura 21 dias com ataques intensos entre Israel, Estados Unidos e Irã, começa a ter reflexos diretos no bolso do brasileiro. Embora pareça distante, a guerra mexe com um dos principais termômetros da economia global: o preço do petróleo. E é por meio dele que a conta chega ao supermercado, à feira e ao posto de gasolina.

À Rede Onda Digital, o economista Ailson Rezende explicou que o impacto começa no Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde escoa cerca de 20% do petróleo bruto do mundo. A região está sob domínio do Irã, que mantém o estreito bloqueado em meio à escalada do conflito.

“Ao impedir que 20% do petróleo bruto chegue às refinarias, isso faz com que os combustíveis fiquem com nível menor de atendimento da demanda. Quando a demanda é maior do que a oferta, o preço sobe”, afirma.

(Foto: Reprodução / O Globo)

Em apenas duas semanas, o barril do petróleo saltou de US$ 60 para US$ 100. Esse aumento se reflete diretamente no preço do diesel e da gasolina no Brasil, mesmo com medidas do governo federal para tentar conter a alta.

A conta que chega ao consumidor

Nesta semana, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, com a promessa de reduzir o combustível em R$ 0,64 por litro nas refinarias. A medida busca mitigar os efeitos inflacionários da guerra. No entanto, segundo Ailson, os efeitos práticos podem ser limitados.

“Mesmo o governo federal reduzindo os impostos sobre o diesel, ele está legislando apenas sobre o tributo federal. Nós temos a questão dos impostos estaduais que ele não pode conceder isenção. E temos que considerar que a refinaria em Manaus não é do governo federal, ela é do setor privado. Muitas vezes a Petrobras baixa o preço e Manaus não sente essa redução”, alerta.

O economista destaca ainda que o aumento dos combustíveis atinge todas as famílias brasileiras, mas de forma ainda mais intensa na Região Norte, onde o frete tem peso maior no preço final dos produtos.

“O aumento nos combustíveis vai impactar nos fretes, que vão fazer com que o produto final, principalmente os gêneros alimentícios, tenha aumento de preço”, explica.

Economista Ailson Rezende (Foto: Arquivo pessoal)

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Impacto nos alimentos e nos fertilizantes

Além do frete, há outro fator que preocupa: a redução no fornecimento de fertilizantes. O Brasil importa grande parte dos insumos utilizados na agricultura, e o conflito compromete a logística e os preços internacionais.

“Isso afeta o agricultor, reduzindo a sua produção, fazendo com que todos os alimentos fiquem mais caros, porque vai haver falta de alimento para atender toda a demanda”, completa o economista.

O Ministério da Fazenda já trabalha com cenários que projetam os efeitos da guerra na economia brasileira. Em um choque disruptivo, com o barril chegando a US$ 100, a inflação pode aumentar em até 0,58 ponto percentual. O governo estima que o repasse da alta do petróleo para a gasolina e o diesel já eleva em 0,14 ponto percentual a variação do IPCA neste ano.

Apesar disso, a pasta manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para 2026, e avalia que o aumento do preço das matérias-primas pode até beneficiar a arrecadação federal. O secretário do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, ponderou:

“Os impactos econômicos de uma alta do petróleo podem até ser positivos e ajudar a impulsionar a economia brasileira em 2026. Mas, obviamente, não queremos que ninguém ganhe dinheiro com a guerra e que os consumidores sejam mais impactados com os efeitos desse conflito.”

Guilherme Mello, secretário do Ministério da Fazenda (Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados)

O que o consumidor pode fazer?

Ailson Rezende sugere que, para produtos não perecíveis, vale a pena fazer um pequeno estoque, se o orçamento permitir.

“No caso dos alimentos, a maioria de feiras e mercados é perecível. Não dá para fazer um estoque muito longo, mas há como fazer uma previsão de duas semanas, e com isso você pode se proteger de possíveis aumentos que devem ter daqui para frente”, orienta.

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O conflito no Oriente Médio, que já dura 21 dias com ataques intensos entre Israel, Estados Unidos e Irã, começa a ter reflexos diretos no bolso do brasileiro. Embora pareça distante, a guerra mexe com um dos principais termômetros da economia global: o preço do petróleo. E é por meio dele que a conta chega ao supermercado, à feira e ao posto de gasolina.

À Rede Onda Digital, o economista Ailson Rezende explicou que o impacto começa no Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde escoa cerca de 20% do petróleo bruto do mundo. A região está sob domínio do Irã, que mantém o estreito bloqueado em meio à escalada do conflito.

“Ao impedir que 20% do petróleo bruto chegue às refinarias, isso faz com que os combustíveis fiquem com nível menor de atendimento da demanda. Quando a demanda é maior do que a oferta, o preço sobe”, afirma.

(Foto: Reprodução / O Globo)

Em apenas duas semanas, o barril do petróleo saltou de US$ 60 para US$ 100. Esse aumento se reflete diretamente no preço do diesel e da gasolina no Brasil, mesmo com medidas do governo federal para tentar conter a alta.

A conta que chega ao consumidor

Nesta semana, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, com a promessa de reduzir o combustível em R$ 0,64 por litro nas refinarias. A medida busca mitigar os efeitos inflacionários da guerra. No entanto, segundo Ailson, os efeitos práticos podem ser limitados.

“Mesmo o governo federal reduzindo os impostos sobre o diesel, ele está legislando apenas sobre o tributo federal. Nós temos a questão dos impostos estaduais que ele não pode conceder isenção. E temos que considerar que a refinaria em Manaus não é do governo federal, ela é do setor privado. Muitas vezes a Petrobras baixa o preço e Manaus não sente essa redução”, alerta.

O economista destaca ainda que o aumento dos combustíveis atinge todas as famílias brasileiras, mas de forma ainda mais intensa na Região Norte, onde o frete tem peso maior no preço final dos produtos.

“O aumento nos combustíveis vai impactar nos fretes, que vão fazer com que o produto final, principalmente os gêneros alimentícios, tenha aumento de preço”, explica.

Economista Ailson Rezende (Foto: Arquivo pessoal)

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Impacto nos alimentos e nos fertilizantes

Além do frete, há outro fator que preocupa: a redução no fornecimento de fertilizantes. O Brasil importa grande parte dos insumos utilizados na agricultura, e o conflito compromete a logística e os preços internacionais.

“Isso afeta o agricultor, reduzindo a sua produção, fazendo com que todos os alimentos fiquem mais caros, porque vai haver falta de alimento para atender toda a demanda”, completa o economista.

O Ministério da Fazenda já trabalha com cenários que projetam os efeitos da guerra na economia brasileira. Em um choque disruptivo, com o barril chegando a US$ 100, a inflação pode aumentar em até 0,58 ponto percentual. O governo estima que o repasse da alta do petróleo para a gasolina e o diesel já eleva em 0,14 ponto percentual a variação do IPCA neste ano.

Apesar disso, a pasta manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para 2026, e avalia que o aumento do preço das matérias-primas pode até beneficiar a arrecadação federal. O secretário do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, ponderou:

“Os impactos econômicos de uma alta do petróleo podem até ser positivos e ajudar a impulsionar a economia brasileira em 2026. Mas, obviamente, não queremos que ninguém ganhe dinheiro com a guerra e que os consumidores sejam mais impactados com os efeitos desse conflito.”

Guilherme Mello, secretário do Ministério da Fazenda (Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados)

O que o consumidor pode fazer?

Ailson Rezende sugere que, para produtos não perecíveis, vale a pena fazer um pequeno estoque, se o orçamento permitir.

“No caso dos alimentos, a maioria de feiras e mercados é perecível. Não dá para fazer um estoque muito longo, mas há como fazer uma previsão de duas semanas, e com isso você pode se proteger de possíveis aumentos que devem ter daqui para frente”, orienta.

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