Faltando dez dias para o fechamento da janela partidária, o destino do deputado federal mais votado proporcionalmente do país na última eleição geral ainda é incerto. Amom Mandel vive o dilema de permanecer no Cidadania e ser obrigado a repetir o excepcional desempenho de 2022 para conquistar um segundo mandato, o que é considerado improvável pelos especialistas em face de outros possíveis “campeões” de votos terem entrado no processo eleitoral deste ano. A segunda opção é migrar para outro partido, mas neste momento as boas “chapas” já estão formadas.
Diante de um quadro eleitoral que sinaliza para votações expressivas de candidatos como o vereador Sargento Salazar (PL) e Fernanda Aryel (Avante), Amom Mandel começou a ser especulado em outro partido desde o ano passado, uma vez que o Cidadania trabalhou pouco a possibilidade de atrair nomes de peso para o partido e assim formar uma chapa forte que garantisse a reeleição de Amom.
Neste cenário, o deputado terá de dividir o eleitorado que amealhou em 2022 com Salazar e Aryel, o que lhe deixaria com votos insuficientes para voltar a Brasília. Ficar no Cidadania é considerado pelos analistas políticos um “suicídio eleitoral”.
Republicanos e MDB foram destinos especulados pelos analistas como destino para ele, pois seus presidentes operaram fortemente para formar nominatas com candidatos competitivos. O Republicanos, presidido pelo deputado federal Silas Câmara, segue como opção, mas sem grandes atrativos. O MDB fechou as portas após filiar nesta janela dois deputados federais, Saullo Vianna (ex-União Brasil) e Adail Pinheiro (ex-Republicanos), além da ativista Vanda Witoto (ex-Rede-PSOL).
O PSD foi apontado como um eventual destino, mas lá ele teria outra missão: ser candidato a vice do pré-candidato Omar Aziz e ajudá-lo a reduzir a rejeição registrada pelo senador junto ao eleitorado do Amazonas. A nominata para deputado federal já está fechada com os atuais deputados Átila Lins e Sidney Leite, ambos em busca de uma reeleição difícilima e, portanto, não gostaria de ter um competidor de mesmo nível na nominata.
O PL igualmente tem chapa formada, privilegiando o nome de Salazar e o do atual presidente do diretório estadual, Alfredo Nascimento, cujo plano principal é recuperar o mandato na Câmara Federal e também teria dificuldade ao colocar na nominata alguém que terá mais votos do que ele.
O Avante e a Federação União Progressista também são considerados destinos improváveis, pois Amom teve ao longo de seus mandatos posturas bastante críticas sobre as gestões do governador Wilson Lima, presidente do UP, e do prefeito David Almeida, presidente do Avante. Além disso, ambos têm projetos bem definidos: reeleger Fausto Júnior (UP) e levar Fernanda Aryel para Brasília.
Siglas de esquerda, como as federações que reúnem PT, PCdoB e PV ou PSOL-Rede, também são destinos improváveis pelas críticas que ele faz e a postura independente tomada ao longo do mandato em relação ao governo Lula.
Com 288.555 votos, Amom recebeu 14,5% dos votos na eleição de 2022 no Amazonas. O desempenho impressionante foi o melhor do país naquela eleição, tendo superado, por exemplo, a maior estrela da ala conservadora do parlamento brasileiro, o mineiro Nikolas Ferreira (PL/MG).
Em 2022, o então vereador de Belo Horizonte recebeu 1.492.047 votos, o que representou 13,34% do total de votos válidos em Minas Gerais.
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Possibilidades abertas na mesa
Para este ano, a projeção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de que o quociente eleitoral, número mínimo de votos para eleger um deputado federal, no Amazonas, oscile entre 250 mil e 260 mil, um quantitativo que os especialistas entendem que Amom não conseguirá atingir sozinho.
Como o jovem parlamentar não está sozinho neste quebra-cabeças a poucos dias do final da janela partidária, estão em curso articulações para selar, Silas Câmara e Pauderney Avelino, que estava no exercício do mandato até o início deste mês em Brasília, façam algum tipo de aproximação, seja unindo esforços no Republicanos ou no Cidadania.
Silas tentou formar a chapa mais poderosa deste ano e reuniria ele próprio, Amom Mandel, o ex-prefeito Arthur Neto, o ex-superintendente da Suframa Alfredo Menezes e a cunhã poranga do Garantido, Isabelle Nogueira. Arthur até se filiou ao Republicanos, mas surpreendeu neste mês ao ir para o MDB. Alfredo Menezes está praticamente fechado com a Federação União Progressista (UP), onde teve boas conversas com Fausto Júnior, mas ainda pode ir ao Avante, onde também teve boas conversas com David Almeida. Isabelle não fala sobre o assunto.
Pauderney foi especulado na superchapa do MDB, teve o nome anunciado no convite do evento de filiação, mas não apareceu no local e segue com o futuro indefinido até o momento, embora seja filiado ao União Brasil, onde tem divergências com Wilson Lima. A saída dele para outro partido é considerada certa.
Portanto, Amom, Silas e Pauderney podem formar um núcleo novo e garantir assim uma chapa competitiva e em condições de recolocar na Câmara Federal ao menos dois deles.