Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Ouça a Rádio 92,3

Assista a TV 8.2

Dia Internacional da Mulher e a realidade da violência que não aparece nas estatísticas

O Dia Internacional da Mulher é uma data de celebração, mas os números mostram que ainda há muito a ser feito. No Amazonas, grande parte da violência contra mulheres nunca chega a ser registrada, permanecendo fora das estatísticas oficiais.

Segundo o Anuário 2025 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), foram registradas 39.669 ocorrências de violência contra a mulher em 2024, uma média de 109 casos por dia. Mais da metade, cerca de 53%, refere-se a crimes contra a honra, como injúria e difamação. No mesmo período, foram solicitadas 9.723 medidas protetivas. A violência letal também preocupa: 29 mulheres foram vítimas de feminicídio, uma redução em relação aos 35 casos de 2023, mas os números ainda são altos.

Em 2024, 13.753 mulheres foram vítimas de violência dentro de casa. No mesmo período, o mesmo número de inquéritos policiais foram instaurados, e cerca de um terço deles resultou em encaminhamento ao Judiciário por casos de violência doméstica.


Leia mais

Lei Maria da Penha: vítimas de violência podem trocar filhos de escola como medida de proteção

Proposta quer reconhecer crianças vítimas de violência sexual como casos de extrema vulnerabilidade no AM


A delegada Debora Mafra, que atuou por aproximadamente 10 anos na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) no Amazonas, afirma que “esses números geralmente precisam amadurecer essa vítima. Enquanto ela não se entender como vítima, não querer sair desse ciclo, vai ficar subnotificado. Por isso que a gente pede para a sociedade em geral nos ajudar. Porque muitas vezes você conhece uma mulher que sofre violência, às vezes é uma parente sua, é uma amiga, uma familiar, mas você pode ajudar.”

 

Ela explica que a violência psicológica e patrimonial é a que mais permanece fora das estatísticas, pois mexe profundamente com os sentimentos da vítima. “Ela fica presa, ela acredita nas ameaças do agressor, ela tem medo do agressor, inclusive ela chega até a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, tendo dó do agressor a ponto de não querer denunciar”, disse Mafra. Além disso, há descrença na polícia e na Justiça, embora a delegada ressalte que a Lei Maria da Penha e a rede de apoio garantem medidas protetivas rápidas, acolhimento psicológico e abrigo seguro.

 

A delegada detalha ainda que, de acordo com a legislação em vigor, existem diferentes tipos de violência: moral, psicológica, patrimonial, sexual, física e, inclusive, a vicária, quando o agressor atinge filhos ou familiares para ferir emocionalmente a mulher.

Ela alerta que a violência física costuma ser a última etapa antes do feminicídio, reforçando a importância de não esperar para denunciar. Os canais de denúncia incluem delegacias da mulher e os números 180, 181, 197 e 190, que garantem anonimato e atendimento imediato em caso de flagrante.

 

“Não se cale, não fique quieta, porque o perigo é muito grande de acabar sendo vítima de feminicídio”, alertou a delegada.

Em entrevista à Rede Onda Digital, uma mulher que teve a identidade e imagem preservadas, compartilhou a própria experiência após viver anos em um relacionamento abusivo.

“Passei oito horas com uma pessoa e os sinais de violência começaram desde o início, só que eu realmente não levava… não levava adiante, né? Eu sempre voltava, achando que ia mudar, mas realmente passei muito tempo pra poder sair dessa situação. E era realmente uma dependência emocional que eu tinha, que eu não conseguia sair daquilo, sabe? Tanto agressões psicológicas quanto físicas também“, contou.

Para romper o ciclo de violência, segundo ela, foi necessário tratamento psicológico e esforço pessoal. “Eu precisei de tratamento tanto psicológico quanto eu comigo mesma, né? Tomar uma decisão de sair daquilo e decidir de vez e sair mesmo.”

Denúncias

As denúncias podem ser feitas pelos números (92) 98545-0808, disque-denúncia da DECCM Centro-Sul; (92) 99364-9797, disque-denúncia da DECCM Norte/Leste; 197 ou (92) 3667-7575, da PC-AM; 181, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM); ou pelo Disque 100, dos Direitos Humanos.

O boletim de ocorrência também pode ser registrado pela Delegacia Virtual da Mulher (DVM). Para isso, basta acessar o endereço eletrônico: www.policiacivil.am.gov.br/dvm.

O registro de boletim de ocorrência também pode ser realizado na delegacia mais próxima. Em Manaus, a PC-AM conta com três unidades da DECCM, localizadas nas zonas centro-sul, norte e sul. No interior do estado, o registro pode ser feito nas Delegacias Interativas de Polícia (DIP) ou nas Delegacias Especializadas de Polícia (DEP).

Atendimento 24 horas

Mulheres vítimas de violência doméstica em Manaus passam a contar com mais um ponto de atendimento permanente. A Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher Norte/Leste agora funciona 24 horas por dia, permitindo o registro de ocorrências e a solicitação de medidas protetivas a qualquer momento.

Além da ampliação do atendimento, também foram entregues 11 viaturas e quatro lanchas para reforçar as ações de combate à violência de gênero e ampliar o alcance das equipes de segurança, principalmente em áreas do interior e comunidades ribeirinhas.

- Publicidade -[adrotate group="7"]

O Dia Internacional da Mulher é uma data de celebração, mas os números mostram que ainda há muito a ser feito. No Amazonas, grande parte da violência contra mulheres nunca chega a ser registrada, permanecendo fora das estatísticas oficiais.

Segundo o Anuário 2025 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), foram registradas 39.669 ocorrências de violência contra a mulher em 2024, uma média de 109 casos por dia. Mais da metade, cerca de 53%, refere-se a crimes contra a honra, como injúria e difamação. No mesmo período, foram solicitadas 9.723 medidas protetivas. A violência letal também preocupa: 29 mulheres foram vítimas de feminicídio, uma redução em relação aos 35 casos de 2023, mas os números ainda são altos.

Em 2024, 13.753 mulheres foram vítimas de violência dentro de casa. No mesmo período, o mesmo número de inquéritos policiais foram instaurados, e cerca de um terço deles resultou em encaminhamento ao Judiciário por casos de violência doméstica.


Leia mais

Lei Maria da Penha: vítimas de violência podem trocar filhos de escola como medida de proteção

Proposta quer reconhecer crianças vítimas de violência sexual como casos de extrema vulnerabilidade no AM


A delegada Debora Mafra, que atuou por aproximadamente 10 anos na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) no Amazonas, afirma que “esses números geralmente precisam amadurecer essa vítima. Enquanto ela não se entender como vítima, não querer sair desse ciclo, vai ficar subnotificado. Por isso que a gente pede para a sociedade em geral nos ajudar. Porque muitas vezes você conhece uma mulher que sofre violência, às vezes é uma parente sua, é uma amiga, uma familiar, mas você pode ajudar.”

 

Ela explica que a violência psicológica e patrimonial é a que mais permanece fora das estatísticas, pois mexe profundamente com os sentimentos da vítima. “Ela fica presa, ela acredita nas ameaças do agressor, ela tem medo do agressor, inclusive ela chega até a desenvolver a Síndrome de Estocolmo, tendo dó do agressor a ponto de não querer denunciar”, disse Mafra. Além disso, há descrença na polícia e na Justiça, embora a delegada ressalte que a Lei Maria da Penha e a rede de apoio garantem medidas protetivas rápidas, acolhimento psicológico e abrigo seguro.

 

A delegada detalha ainda que, de acordo com a legislação em vigor, existem diferentes tipos de violência: moral, psicológica, patrimonial, sexual, física e, inclusive, a vicária, quando o agressor atinge filhos ou familiares para ferir emocionalmente a mulher.

Ela alerta que a violência física costuma ser a última etapa antes do feminicídio, reforçando a importância de não esperar para denunciar. Os canais de denúncia incluem delegacias da mulher e os números 180, 181, 197 e 190, que garantem anonimato e atendimento imediato em caso de flagrante.

 

“Não se cale, não fique quieta, porque o perigo é muito grande de acabar sendo vítima de feminicídio”, alertou a delegada.

Em entrevista à Rede Onda Digital, uma mulher que teve a identidade e imagem preservadas, compartilhou a própria experiência após viver anos em um relacionamento abusivo.

“Passei oito horas com uma pessoa e os sinais de violência começaram desde o início, só que eu realmente não levava… não levava adiante, né? Eu sempre voltava, achando que ia mudar, mas realmente passei muito tempo pra poder sair dessa situação. E era realmente uma dependência emocional que eu tinha, que eu não conseguia sair daquilo, sabe? Tanto agressões psicológicas quanto físicas também“, contou.

Para romper o ciclo de violência, segundo ela, foi necessário tratamento psicológico e esforço pessoal. “Eu precisei de tratamento tanto psicológico quanto eu comigo mesma, né? Tomar uma decisão de sair daquilo e decidir de vez e sair mesmo.”

Denúncias

As denúncias podem ser feitas pelos números (92) 98545-0808, disque-denúncia da DECCM Centro-Sul; (92) 99364-9797, disque-denúncia da DECCM Norte/Leste; 197 ou (92) 3667-7575, da PC-AM; 181, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM); ou pelo Disque 100, dos Direitos Humanos.

O boletim de ocorrência também pode ser registrado pela Delegacia Virtual da Mulher (DVM). Para isso, basta acessar o endereço eletrônico: www.policiacivil.am.gov.br/dvm.

O registro de boletim de ocorrência também pode ser realizado na delegacia mais próxima. Em Manaus, a PC-AM conta com três unidades da DECCM, localizadas nas zonas centro-sul, norte e sul. No interior do estado, o registro pode ser feito nas Delegacias Interativas de Polícia (DIP) ou nas Delegacias Especializadas de Polícia (DEP).

Atendimento 24 horas

Mulheres vítimas de violência doméstica em Manaus passam a contar com mais um ponto de atendimento permanente. A Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher Norte/Leste agora funciona 24 horas por dia, permitindo o registro de ocorrências e a solicitação de medidas protetivas a qualquer momento.

Além da ampliação do atendimento, também foram entregues 11 viaturas e quatro lanchas para reforçar as ações de combate à violência de gênero e ampliar o alcance das equipes de segurança, principalmente em áreas do interior e comunidades ribeirinhas.

- Publicidade -[adrotate group="9"]

Mais lidas

Rodoviários confirmam greve para segunda-feira em Manaus após atraso nos salários

Os motoristas e cobradores do transporte coletivo de Manaus devem iniciar a greve à 0h01 de segunda-feira (9/11), após o não pagamento dos salários...

Manaus registra qualidade do ar ruim neste sábado, aponta prefeitura

A qualidade do ar em Manaus foi classificada como ruim na noite deste sábado (7/11), segundo nota divulgada pela Prefeitura, por meio da Secretaria...
- Publicidade - [adrotate group="17"]

“Precisamos proteger nossa cidade”, diz Shádia Fraxe sobre risco de sarampo em Manaus

A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, alertou neste sábado (7/11) para o risco de circulação do sarampo em Manaus e reforçou a importância...

Lula pode ampliar número de ministérios e chegar a 40 pastas em 2027

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá iniciar um quarto mandato, em janeiro de 2027, com até 40 ministérios. Se confirmada, a...
- Publicidade - [adrotate group="18"]

Parlamentares do AM não reeleitos podem indicar R$ 208 milhões em emendas

Quatro parlamentares do Amazonas que não integrarão a próxima legislatura do Congresso Nacional poderão indicar, juntos, aproximadamente R$ 208,1 milhões em emendas individuais para...

Renato Júnior anuncia passe livre para candidatos do Enem em Manaus

O prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), anunciou neste sábado (7/11) que os estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio, neste domingo...
- Publicidade - [adrotate group="19"]
- Publicidade - [adrotate group="1"]
Leia também

Rodoviários confirmam greve para segunda-feira em Manaus após atraso nos salários

Os motoristas e cobradores do transporte coletivo de Manaus devem iniciar a greve à 0h01 de segunda-feira (9/11), após o não pagamento dos salários...

Manaus registra qualidade do ar ruim neste sábado, aponta prefeitura

A qualidade do ar em Manaus foi classificada como ruim na noite deste sábado (7/11), segundo nota divulgada pela Prefeitura, por meio da Secretaria...

“Precisamos proteger nossa cidade”, diz Shádia Fraxe sobre risco de sarampo em Manaus

A secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, alertou neste sábado (7/11) para o risco de circulação do sarampo em Manaus e reforçou a importância...

Lula pode ampliar número de ministérios e chegar a 40 pastas em 2027

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá iniciar um quarto mandato, em janeiro de 2027, com até 40 ministérios. Se confirmada, a...

Parlamentares do AM não reeleitos podem indicar R$ 208 milhões em emendas

Quatro parlamentares do Amazonas que não integrarão a próxima legislatura do Congresso Nacional poderão indicar, juntos, aproximadamente R$ 208,1 milhões em emendas individuais para...

Renato Júnior anuncia passe livre para candidatos do Enem em Manaus

O prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), anunciou neste sábado (7/11) que os estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio, neste domingo...
- Publicidade - [adrotate group="21"]
- Publicidade - [adrotate group="23"]