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Reviravoltas e polêmicas: tudo ainda pode acontecer no atual processo eleitoral amazonense

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Reviravoltas e polêmicas: tudo ainda pode acontecer no atual processo eleitoral amazonense
Omar Aziz, Maria do Carmo, David Almeida e Wilson Lima. (Foto: reprodução)

Quem acredita que o cenário eleitoral do Amazonas já está definido, com as pré-candidaturas de Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo Seffair (PL) e David Almeida (Avante) ao Governo do Estado e a decisão do governador Wilson Lima (União Brasil) de não disputar o Senado, precisa acompanhar os próximos movimentos com cautela e lembrar que a história político-eleitoral do Amazonas costuma reservar reviravoltas inesperadas.

Para começar, a pesquisa Direto ao Ponto divulgada nesta segunda-feira (9/3) trouxe Wilson Lima com 16% das intenções de voto para o Senado, muito próximo das pré-candidaturas do senador Eduardo Braga (22%) e do deputado federal Capitão Alberto Neto (18%).

O número não é desprezível para um governante que enfrenta o desgaste de quase oito anos de gestão e que aparece tecnicamente empatado, dentro da margem de erro da pesquisa, com os principais adversários.

Nos bastidores, ao menos três secretários de Estado ouvidos pela Onda Digital garantem que Wilson está “candidatíssimo” e já teria pronto o discurso para rever a decisão anunciada no último dia 2, quando afirmou que permaneceria no cargo para concluir o mandato. O argumento seria simples: “o povo pediu”.

Com Wilson candidato, dois movimentos podem alterar o quadro sucessório. Primeiro, a candidatura do prefeito David Almeida ganharia o fôlego previsto no início do processo eleitoral. Nos últimos dias, uma desistência era considerada possível diante da decisão de Wilson de permanecer no cargo e da expectativa de uma aliança com Omar Aziz para indicar o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, como vice.

Além disso, houve impactos negativos para o grupo de Almeida após a Operação Erga Omnes, que prendeu pessoas próximas ao prefeito sob suspeita de participação em esquema de lavagem de dinheiro ligado a organizações criminosas.

Com Wilson candidato e David com fôlego renovado, Omar Aziz teria de recalibrar a estratégia e buscar uma aliança que lhe permita ter um candidato a vice com grande expressão no eleitorado de Manaus, onde sua rejeição é considerada elevada. Esse nome poderia vir do PL, partido de Maria do Carmo.

Em Brasília, são consideradas fortes as conversas entre os presidentes do PSD, Gilberto Kassab, e do PL, Valdemar da Costa Neto, sobre a formação de alianças em estados onde os pré-candidatos são considerados politicamente próximos, é o caso do Amazonas.

No estado, Omar e alguns dos principais nomes do PL, especialmente os ligados à chamada “bancada da bala”, como Capitão Alberto Neto, os vereadores Sargento Salazar, Capitão Carpê e Coronel Rosses, além do deputado estadual Delegado Péricles, não são propriamente adversários. Para conter essa aproximação, Maria do Carmo aposta no apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, considerada fiadora de sua candidatura.

Por fim, uma eventual renúncia de Wilson Lima para disputar o Senado também alteraria o cenário para o vice-governador Tadeu de Souza (PP). Ele assumiria o governo e poderia disputar a reeleição, o que também impactaria a relação política com David Almeida. A pesquisa Direto ao Ponto mostra que Tadeu já aparece com 10% das intenções de voto e registra o menor índice de rejeição entre os nomes testados.


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História marcada por reviravoltas

A história política do Amazonas é marcada por reviravoltas de última hora que embaralham cenários considerados consolidados meses antes da eleição.

Na primeira eleição geral após a redemocratização, em 1986, o então PMDB (hoje MDB) tinha praticamente garantida a eleição de Amazonino Mendes para governo e de Carlos Alberto Di’Carli e Mário Frota para o senado.

Nos momentos finais do processo, porém, o grupo liderado pelo então governador Gilberto Mestrinho decidiu lançar o senador Fábio Lucena, que ainda tinha quatro anos de mandato. Frota acabou deixando o partido às pressas para disputar a eleição pelo PSB. No fim, Fábio Lucena e Di’Carli foram eleitos senadores constituintes.

Outra reviravolta marcante ocorreu em 2002. Durante todo o processo pré-eleitoral, José Melo era apontado como vice na chapa liderada por Eduardo Braga. Na convenção partidária, porém, o posto acabou ficando com Omar Aziz, episódio considerado uma das maiores “pernadas” da política amazonense.

Situação semelhante ocorreu na eleição municipal de 2012. Com Dilma Rousseff na Presidência da República, havia expectativa de que Manaus elegesse sua primeira prefeita. A favorita era a então deputada federal Rebecca Garcia.

Na semana que antecedeu a convenção partidária, porém, áudios íntimos da deputada circularam na cidade e sua candidatura perdeu força. O partido acabou lançando a então senadora Vanessa Grazziotin, que disputou o segundo turno contra Arthur Virgílio Neto, vencedor da eleição.

O fenômeno das alianças improváveis também se repetiu em 2017, quando o ex-deputado federal Marcelo Ramos tornou-se candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Braga, apesar de críticas feitas anos antes ao grupo político liderado por Braga, Omar Aziz e José Melo.

Diante desse histórico, quem observa o atual cenário eleitoral no Amazonas precisa esperar o filme completo antes de considerar o quadro definido. O calendário eleitoral reserva uma data decisiva: 4 de abril, prazo que poderá consolidar o cenário ou provocar novas reviravoltas na disputa política no estado.