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Monopólio e guerra no Oriente Médio fazem disparar preço dos combustíveis no Amazonas

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Monopólio e guerra no Oriente Médio fazem disparar preço dos combustíveis no Amazonas
Aumento no valor da gasolina começou a ser registrado neste domingo, 9 (Foto: Rede Amazônica).

A privatização da única refinaria de petróleo da região Norte, em Manaus, em 2021, e a escalada da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã fizeram disparar o preço dos combustíveis no Amazonas. Na capital, consumidores foram surpreendidos com a alta da gasolina, que saltou de R$ 6,90 para R$ 7,30 no último fim de semana.

Quem deve sentir ainda mais o impacto são os consumidores de municípios distantes da capital, como Pauini, na região do Alto Rio Purus, Apuí, no sul do Amazonas, e Tabatinga, no Alto Solimões. Nessas localidades, fatores como dificuldades logísticas e baixa concorrência contribuem para elevar ainda mais os preços praticados nos postos.

O aumento começou a ser sentido em Manaus no sábado (7/3) e foi provocado por um reajuste de R$ 0,22 no preço do litro da gasolina cobrado pela Refinaria da Amazônia (Ream), definido na sexta-feira (6). Até quinta-feira, o valor na refinaria era de R$ 3,2450 e passou para R$ 3,4650, sem considerar tributos. Esse é o maior preço cobrado pelo litro da gasolina desde a privatização da refinaria.

Devido ao monopólio da produção de combustíveis nas mãos do Grupo Atem, controlador da Ream, consumidores do Amazonas pagam, desde a privatização, alguns dos preços mais altos do país. Em Pauini, por exemplo, foi registrado o maior valor da gasolina no Brasil, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP): R$ 9,80 por litro.

Com o reajuste anunciado na sexta-feira (6) que ainda não chegou às bombas do município, a expectativa é que o valor ultrapasse R$ 12, já que o custo logístico para transportar o combustível até a região também encarece o produto.

Em Novo Airão, onde a logística de transporte é menos complexa, a gasolina era vendida a R$ 7,39 nesta segunda-feira (9), mas a expectativa de empresários do setor é que o preço ultrapasse R$ 9. Em Parintins, o novo valor já chegou aos postos, e os consumidores pagam agora R$ 8,39 pelo litro do combustível.


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Preço internacional x preço da Petrobras

No ano passado, uma pesquisa nacional encomendada pela ValeCard, empresa especializada em soluções de pagamento e cashback em postos de combustíveis, mostrou que os preços cobrados em Manaus e nos municípios do interior apresentam, em média, uma diferença de 64% em relação ao restante do país.

O levantamento apontou que, além de Pauini, os maiores preços eram registrados em municípios como Urucurituba, no Baixo Amazonas; Apuí, no sul do estado; Tefé, no Médio Solimões; Japurá, no rio Japurá; Boca do Acre e Anori, no rio Purus. Em comum, essas localidades apresentam isolamento geográfico, dependência do transporte fluvial e número reduzido de postos de combustíveis.

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM), o consumidor amazonense paga alguns dos preços mais altos do país devido à opção do Grupo Atem por não refinar petróleo comprado da Petrobras, que adota uma política de preços menos atrelada às oscilações do mercado internacional.

Segundo o sindicato, a refinaria teria sido transformada em um centro de distribuição, com a compra de combustível já refinado no mercado internacional. Em períodos de conflito, como o atual, essa dependência torna os preços mais suscetíveis a oscilações. Nesta segunda-feira, o barril de petróleo ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 2022, saltando de US$ 72, antes da guerra, para US$ 108,23, uma alta de 49,3% em pouco mais de duas semanas.

Conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Petrobras teria espaço para elevar o preço da gasolina em suas refinarias em cerca de R$ 1,22 para acompanhar a chamada paridade com o mercado internacional. A estatal, no entanto, não adota integralmente esse critério desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em nota, a Petrobras afirmou que possui política própria de preços e que não cogita aumento neste momento. A empresa destaca ainda que produz o próprio petróleo que refina, extraído em várias bacias do país, incluindo a região de Urucu, no Amazonas.