Ao contrário dos Indicadores da Suframa, que mostraram recordes de faturamento e empregos no Polo Industrial de Manaus, a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física, divulgada nesta quarta-feira (11/2), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-IBGE) apontou um crescimento pífio de 0,1% da produção industrial amazonense ao longo de 2025.
“Apesar de alguns meses pontuais de avanços na produção, o conjunto de 12 meses teve desempenho fraco na maior parte do ano, de modo que os ganhos foram quase anulados pela ocorrência de quedas em outros meses. A produção local foi superada pela média nacional”, explicou o chefe do setor de Disseminação da Informação do IBGE Amazonas, Adjalma Jaques.
Em dezembro, por exemplo, a indústria amazonense apresentou retração de 5,2% em relação ao mês de novembro. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a variação foi ainda pior: -6,5%. Com o resultado de dezembro, o estado encerra 2025 com crescimento de apenas 0,1% comparado a 2024.
Conforme a pesquisa, a retração de dezembro foi a segunda maior variação negativa do estado em 2025 no índice, atrás apenas do mês de agosto, quando registrou variação de -8,5%. Durante o ano, o índice foi marcado por variações negativas do estado, tendo o Amazonas registrado queda em 8 dos 12 meses.
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Números abaixo da média nacional
Com o resultado, o estado ficou na antepenúltima posição do ranking nacional, à frente apenas de Pará (-9,2%) e Bahia (-10,1%). Ao todo, 11 dos 17 estados pesquisados registraram reduções em dezembro. Os estados com os melhores resultados foram Rio de Janeiro (2,3%), Mato Grosso (1,3%) e Pernambuco (0,8%).
No índice que compara o mês corrente com o mesmo mês do ano anterior (dez-25/dez-24), a produção industrial do Estado teve variação negativa ainda mais acentuada de -6,5%, ficando 6,9 p. p. abaixo da média nacional (0,4%). Apesar da queda acentuada, não foi a maior variação negativa registrada pelo estado durante o ano, como os meses de fevereiro (-9,4%) e agosto (-9,3%) superando o resultado negativo de dezembro.
Durante o ano, o estado não obteve bons resultados nos dois índices que servem de indicadores para medir o crescimento acumulado no período analisado. Em apenas um mês (janeiro) no índice acumulado no ano e em três meses (janeiro, junho e outubro) no índice acumulado em 12 meses, o Amazonas conseguiu registrar variações positivas acima de 2 pontos percentuais.
A fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis foi a atividade que apresentou o maior crescimento em dezembro, com 57,1%, seguida por fabricação de produtos químicos, com 48,5% e fabricação de máquinas e equipamentos, com 10,5%. Das 11 atividades industriais pesquisadas, 6 registraram quedas em dezembro. As atividades com as maiores reduções foram fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com -26,5%; fabricação de máquinas, com -21,2%, e aparelhos e materiais elétricos e fabricação de bebidas, com -10,8%.
O salto na produção de coque e produtos derivados de petróleo é fruto de uma decisão da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP), de outubro, que obrigou a Refinaria da Amazônia (Ream) a voltar a refinar petróleo em Manaus. Por decisão estratégica, a Ream, que pertence ao grupo Atem, estava ao longo de 2025 apenas importando derivados e usando a Ream como centro de distribuição.