O professor e ex-deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB) afirmou que decidiu colocar novamente o nome à disposição do partido para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de 2026. Em entrevista à Rede Onda Digital, o pré-candidato declarou que a decisão não representa apenas um projeto pessoal, mas uma “tarefa” motivada por pedidos de apoiadores e movimentos populares.
Um dos fundadores do PCdoB no Amazonas, Eron Bezerra é engenheiro agrônomo, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia. Foi deputado estadual por cinco mandatos consecutivos, entre a 12ª e a 16ª legislaturas, comandou a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) e ocupou cargos no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Atualmente, integra a direção nacional do PCdoB.
Durante a entrevista, Eron afirmou que a atuação de um deputado estadual deve estar sustentada por três compromissos: fiscalizar a aplicação do dinheiro público, apoiar as reivindicações da população e apresentar propostas capazes de melhorar a qualidade de vida. Segundo ele, essas funções não estariam sendo desempenhadas de maneira satisfatória pela atual composição da Aleam.
“Eu já fui deputado por cinco mandatos, então, naturalmente, isso não é mais um desejo para mim. É mais uma tarefa. Muita gente me procura e diz que a Assembleia, infelizmente, não tem ninguém que defenda as nossas pautas”, declarou.
Ao comentar as principais bandeiras de uma eventual campanha, o pré-candidato destacou segurança pública, saúde e mobilidade urbana. Na área da segurança, defendeu o fortalecimento do policiamento ostensivo, com a retomada de iniciativas como o guarda de quarteirão, além de investimentos em inteligência, contratação e capacitação de profissionais.
Eron também criticou a defesa do chamado “Estado mínimo”, por considerar que essa concepção não oferece respostas adequadas para problemas que dependem diretamente de investimentos públicos.
“Não posso tolerar que uma jovem, um jovem ou qualquer cidadão não possa andar nesta cidade em paz porque é assaltado. É preciso ter uma política ostensiva”, afirmou.
Na saúde, o dirigente partidário defendeu a contratação de profissionais, a valorização salarial das categorias e a ampliação da infraestrutura das unidades. Sobre a mobilidade, classificou como um “vexame” o tempo gasto pela população nos deslocamentos em Manaus e cobrou políticas públicas voltadas à melhoria do trânsito e do transporte coletivo.
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Distribuição da riqueza da Zona Franca
Ao avaliar o atual momento da Zona Franca de Manaus (ZFM), Eron afirmou que o modelo registra elevados níveis de faturamento, mas ainda distribui uma parcela reduzida da riqueza entre os trabalhadores. Conforme os números apresentados por ele, a massa salarial teria representado cerca de 4% do faturamento do Polo Industrial de Manaus durante o período em que presidiu a comissão da ZFM na Assembleia, proporção que atualmente teria caído para aproximadamente 0,5%.
Os percentuais mencionados pelo pré-candidato não tiveram a fonte ou a metodologia detalhadas durante a entrevista. Com base nessa avaliação, Eron defendeu a geração de mais empregos, melhores salários e uma distribuição mais equilibrada dos resultados econômicos produzidos pelo modelo.
“A Zona Franca vive um esplendor de riqueza e, lamentavelmente, apenas 0,5% chega ao bolso do trabalhador. É preciso garantir mais emprego, mais salário e distribuir melhor essa renda”, declarou.
Para o pré-candidato, cabe ao Parlamento estadual colocar o tema em debate e cobrar medidas que ampliem a participação dos trabalhadores nas riquezas geradas no Amazonas.
“O meu papel como parlamentar e, principalmente, como militante de esquerda que defende o socialismo como alternativa é fazer com que essa riqueza seja mais bem distribuída para todos, e não para meia dúzia de pessoas”, concluiu.
