O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a associar Flávio Bolsonaro (PL) ao crime organizado nesta quarta-feira (30/9). A nova fala ocorreu dois dias depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conceder direito de resposta ao senador contra uma publicação da campanha petista que vinculava sua trajetória política a milícias e corrupção.
Durante entrevista a influenciadores, Lula afirmou que Flávio “não tem biografia”, “nunca trabalhou na vida” e teria ingressado na política com apoio de grupos criminosos do Rio de Janeiro.
“Ele foi eleito vereador com 21 anos de idade, já apoiado pelo crime organizado do Rio de Janeiro, pelos milicianos, e nunca mais parou”, declarou o presidente.
A fala contém uma imprecisão: Flávio nunca exerceu o cargo de vereador. Ele foi eleito deputado estadual do Rio em 2002, aos 21 anos.
A declaração também apresenta como fato uma acusação que não foi acompanhada de provas durante a entrevista. Até a publicação desta matéria, Flávio não havia respondido especificamente à nova fala do adversário.
🚨AGORA – Lula diz que Flávio Bolsonaro nunca trabalhou na vida pic.twitter.com/FZXiIeQC7m
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) September 30, 2026
TSE concedeu direito de resposta
Na segunda-feira (28/9), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, concedeu direito de resposta a Flávio por causa de conteúdo publicado no site “O Pior dos Bolsonaros”, registrado pela campanha de Lula.
O material apresentava a carreira do senador como uma “trajetória de rachadinha, milícia e corrupção” e afirmava que ela se misturava a investigações sobre lavagem de dinheiro e relações com milicianos.
Nunes Marques entendeu que a campanha petista pode explorar controvérsias, denúncias e relações políticas envolvendo Flávio. O ministro considerou, entretanto, que a forma como as informações foram apresentadas associou pessoalmente o candidato à criminalidade sem demonstrar sua participação nos crimes atribuídos a terceiros.
“Os fatos apresentados não demonstram participação de Flávio nos crimes atribuídos a terceiros e não podem ser usados para caracterizar sua trajetória pela milícia e pela corrupção”, avaliou o ministro na decisão.
Flávio recebeu prazo de 24 horas para apresentar o texto da resposta, que ainda deverá ser analisado pelo magistrado antes da publicação. A campanha de Lula também terá um dia para se manifestar sobre o conteúdo. Outros dois pedidos apresentados pelo senador contra publicações do mesmo site foram rejeitados.
Ataques na reta final da campanha
A acusação desta quarta-feira reforça a estratégia adotada pela campanha de Lula na reta final do primeiro turno para relacionar Flávio a milícias do Rio de Janeiro.
Em 18 de setembro, após uma declaração semelhante, o candidato do PL chamou o presidente de “gagá” e negou ter vínculos com grupos criminosos.
